China Minsheng mantém Ramalho no Novo Banco

A proposta dos chineses é a mais empenhada em ficar com o Novo Banco mantendo-o como está. E prevê um aumento de capital significativo.

Cristina Bernardo

A proposta do China Minsheng Financial para a compra do Novo Banco é a que mais cumpre os objetivos do Fundo de Resolução. Manter o Novo Banco como banco português com enfoque nas Pequenas e Médias Empresas (PME). Para isso propõe-se a comprar o banco mantendo a administração liderada por António Ramalho e fazer um aumento de capital, que segundo as nossas fontes pode chegar a dois mil milhões de euros.

O Banco de Portugal (BdP) quer que o futuro dono do Novo Banco mantenha o seu papel de financiamento à economia. Carlos Costa chegou mesmo a dizer recentemente que o Novo Banco tem “uma rede muito importante para o financiamento da economia do país e das pequenas e médias empresas”, sendo esse papel “muito bem entendido por todos os que conhecem a economia portuguesa e o sistema financeiro”. O governador do BdP já referiu também que a expetativa existente é a de que o processo de venda do banco “seja compatível com o valor supremo que é o valor da estabilidade financeira e da continuação de financiamento da economia”.

As negociações do Fundo de Resolução prosseguem com todos os candidatos. Para além do China Minsheng Financial, estão na corrida o fundo de ‘private equity’ norte-americano Lone Star, o consórcio de fundos Apollo/Centerbridge e os bancos BPI e BCP, apesar de uns estarem mais empenhados que outros. O maior empenho é, segundo as nossas fontes, dos chineses. São esses que têm mostrado mais flexibilidade em adaptar a proposta vinculativa aos objetivos do Fundo de Resolução, BdP e Governo. Desde logo comprometem-se também a ficar com o banco sem o vender durante um período extenso, o que o distingue dos fundos de ‘private equity’, que por definição compram para rentabilizar, ainda que possam ficar no capital durante um longo período, para depois vender, pois têm de dar rentabilidade aos seus investidores. Além disso, os chineses prometem manter a equipa de gestão, num sinal de continuidade do banco como instituição nacional. Por sua vez, os bancos portugueses – BPI e BCP – estão menos activos, mas as negociações não foram encerradas formalmente, disse fonte conhecedora do processo. Já os fundos Apollo/Centerbridge e o Lone Star continuam a negociar com o Fundo de Resolução de forma activa. Segundo a “Sábado”, a proposta do Lone Star inclui um “seguro” contra a desvalorização de cerca de oito mil milhões de euros de activos no Novo Banco.

A venda do Novo Banco vai ter de ficar definida até ao fim do ano, sob pena de surgir uma saída de depósitos. Enquanto banco de transição, a instituição tem de ser totalmente vendida até Agosto de 2017, quando se cumprem três anos da medida de resolução aplicada ao BES. Se o Novo Banco não for vendido até agosto, terá de entrar num processo ordeiro de liquidação. Isso retira qualquer margem para chegar a 2017 sem um acordo fechado.

Mas nem tudo são rosas. O China Minsheng Financial esbarra num desafio: o BCE tem de avaliar a sua qualidade para acionista do Novo Banco. O China Minsheng Financial é um fundo de Hong Kong, gerido por Sing Wang e detido em 71% pelo maior fundo de capital privado do Império do Meio, o China Minsheng Investment, criado em Maio de 2014, pouco antes da resolução do BES.

Uma das exigência que é feita aos candidatos é que façam prova de que conseguem reunir o capital que se propõem investir no Novo Banco. O Minsheng terá de apresentar garantias do que se propõe pagar e recapitalizar a instituição. A sociedade chinesa apresentou-se como “cornerstone investor” num processo em que ficaria com o controlo e colocaria em investidores o restante capital. Mas a proposta poderá ter sido alterada no processo negocial.

Todos os candidatos cumprem o requisito de retirada da instituição do estatuto de banco de transição. O BdP quer anunciar o vencedor até ao Natal. A equipa responsável pela venda, liderada por Sérgio Monteiro, vai enviar às Finanças um relatório que apontará a melhor proposta. Mas o BCE e a Direção Geral da Concorrência Europeia (DG-Comp) terão uma palavra decisiva.
O acordo, conseguido por António Domingues (no âmbito das negociações em Bruxelas para o plano de recapitalização da CGD), para que os bancos venham a pagar o défice do Fundo de Resolução no prazo que for preciso, sem dotações adicionais, retira o factor ‘preço de venda’ do topo das prioridades na escolha do candidato. É mais importante a garantia de que o Novo Banco mantenha o seu papel na economia.

A litigância fica no Fundo de Resolução, pelo que não é um entrave à venda. Depois do colapso do BES, o Novo Banco foi capitalizado com 4,9 mil milhões de euros através do Fundo de Resolução. O Estado emprestou 3,9 mil milhões ao Fundo e os bancos emprestaram o remanescente.

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