China. Quando “não há liberdade de expressão é normal” existir frustração, diz Cravinho

O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, comentou hoje os protestos na China afirmando que quando não há liberdade de expressão “é normal” que exista frustração, e salientou que a comunidade portuguesa no país está em segurança.

epa09873787 Minister of Foreign Affairs of Portugal, Joao Gomes Cravinho, arrives at a special meeting of NATO’s Ministers of Foreign Affairs on the Ukraine Crisis in Brussels, Belgium, 06 April 2022. NATO Ministers of Foreign Affairs will attend a working dinner on the evening of 06 April, and a second day of meetings on 07 April. EPA/OLIVIER HOSLET

“Liberdade de expressão é fundamental em qualquer parte do mundo, quando não há liberdade de expressão é normal que haja momentos em que essa frustração da população se faça sentir”, considerou o governante português, em declarações à margem da reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, que decorre em Bucareste, capital da Roménia.

Interrogado sobre se os protestos naquele país foram tema da reunião entre chefes da diplomacia da NATO, Gomes Cravinho respondeu que “um ou dois colegas fizeram referência” ao tema e que todos os Aliados “tomam nota” do que se está a passar na China.

“Não tenho nenhuma referência em relação à comunidade portuguesa, julgo que estarão todos em segurança”, assegurou.

Nesta reunião do Conselho do Atlântico Norte ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, no Palácio do Parlamento, os Aliados abordaram os desafios colocados pela China, com Gomes Cravinho a salientar que este país “representa um desafio sistémico”.

“ [A China] tem denotado uma postura cada vez mais assertiva e agressiva nos mares do sul da China, nas regiões mais próximas, o que é uma fonte de grande preocupação”, salientou.

Gomes Cravinho acrescentou que a China tem também indicado “através do seu apoio à Rússia, vontade de minar aquilo que é a ordem internacional vigente e isso é evidentemente um assunto de elevada preocupação”.

“A China por outro lado é um país com quem temos que trabalhar e devemos trabalhar em matérias que são de interesse global: alterações climáticas, combate à pirataria, a questões como a não proliferação e desarmamento”, acrescentou.

Sublinhando que Portugal tem uma relação “antiga e multissecular” com a China, o ministro disse acreditar que existe um “amplo espaço para esse diálogo, para esse trabalho com a China”.

“Contudo, gostaríamos de ver a China mais alinhada na defesa da ordem internacional e do direito internacional”, afirmou.

Os domínios ‘ciber’ e do espaço são outras áreas em que a China é uma força que “precisa de ser monitorizada” pelos Aliados, para tentar perceber “qual a sua atividade nesses domínios” e o que isso significa para a segurança da Aliança.

A China aumentou a presença policial nas principais cidades, na sequência de manifestações que ocorreram no último fim de semana contra as medidas altamente restritivas de prevenção contra a covid-19.

As manifestações foram suscitadas por um incêndio mortal, num prédio na cidade de Urumqi, no noroeste do país. Os manifestantes disseram que os bloqueios no bairro, no âmbito das medidas de prevenção epidémica, atrasaram o acesso do camião dos bombeiros. Os moradores também não conseguiram escapar do prédio, cuja porta estava bloqueada.

No entanto, os protestos, numa escala inédita no país desde as manifestações pró-democracia de 1989, são apenas o culminar de meses de crescente descontentamento popular.

No domingo à noite, a BBC disse que o operador de câmara Edward Lawrence foi “detido e algemado”, além de “espancado e pontapeado pela polícia” enquanto cobria como “jornalista acreditado” os protestos contra as restrições relacionadas com a covid-19 na China.

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