China vai enfrentar desaceleração económica progressiva, diz Crédito y Caución

O envelhecimento da população, falta de mão-de-obra qualificada, autossuficiência e guerra política com os Estados Unidos são alguns dos fatores que vão afetar a economia da China caso o país não proceda a alterações governamentais.

China

A China vai enfrentar uma desaceleração progressiva nos próximos anos, apontam os dados da seguradora Crédito y Caución. A seguradora de crédito aponta, em comunicado, dez fatores que vão afetar o crescimento da China e sustentar o cenário que prevê para o futuro.

A seguradora relembra a taxa média de crescimento superior a 9% desde que a China abriu a sua economia ao mundo, no fim da década de 1970, tendo-se então tornado uma das principais economias mundiais. Ainda assim, perante o cenário que se perspetiva, a Crédito y Caución aponta que a taxa média chinesa se situe nos 2,5% entre 2031 e 2050.

Entre os principais fatores que vão influenciar a economia, a seguradora aponta os efeitos da política Covid zero, devido aos “rigorosos confinamentos dos últimos anos e a utilização de vacinas menos eficazes deixaram a população com pouca imunidade”. O relatório da seguradora prevê que o país precise de mais tempo para estabilizar o número de casos de Covid que tem surgido nos últimos meses.

Também o sector imobiliário está entre os fatores, uma vez que representam 25% dos empréstimos bancários. Estes empréstimos têm pressionado a banca e a seguradora adianta que a “Administração faça o que seja necessário para evitar o colapso do sector”, dado que a “lenta recuperação continuará a exercer pressão sobre o crescimento económico durante, pelo menos, cinco anos”.

O elevado endividamento das administrações locais e empresas do Estado apresentam um risco para a estabilidade financeira do país, sendo este um dos mais revelastes, uma vez que coloca bastante pressão nas contas finais da China.

O envelhecimento da população também irá ter um “profundo impacto na economia”, indo faltar mão-de-obra para trabalhar, algo que pode levar, inclusive, ao aumento da idade da reforma. O capital humano será outro factor em falta, dado que a manufatura está a migrar para países com salários mais baixos e está a levar os trabalhadores menos qualificados consigo.

Com a produtividade estagnada há doze anos, este seria um dos fatores a apostar mais nos próximos anos, bem como o controlo do Estado sobre o sector tecnológico, uma vez que a China está a competir com outros países asiáticos para atrair investimento.

A aposta cada vez maior na autossuficiência pode ser um erro, com a Crédito y Caución a admitir que a “circulação dupla pode abrandar o crescimento”. Com a circulação dupla, a China foca-se no mercado interno e na circulação interna, ainda que não abandone a exportação por inteiro. “Num período de crescentes tensões geopolíticas, esta estratégia de substituição de importações pode ser compreensível, mas faz-se à custa da eficiência económica”, explica.

“Além destes fatores internos, o crescimento económico da China ver-se-á afetado pela sua relação com o resto do mundo. A consciência de que as cadeias de fornecimento são vulneráveis aumentou com a pandemia. No seu auge, os encerramentos de empresas na China e noutros países interromperam o transporte marítimo internacional, geraram escassez de produtos essenciais e provocaram um aumento dos preços das matérias-primas” Neste caso, as cadeias de fornecimento chinesas podem ser afetadas, uma vez que muitos países querem deixar de ser tão dependentes do comércio chinês, algo que afetará as contas chinesas

A guerra com os Estados Unidos, que dura há mais de quatro anos, é último fator que pode levar à desaceleração económica. A rivalidade política entre as duas maiores economias mundiais intensificou-se no último ano, com as últimas sanções a terem sido aplicadas no último mês de outubro.

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