Christine Ourmières-Widener só recebe bónus se cumprir o plano de reestruturação em 2025

A CEO diz que TAP podia ter acabado em 2021 se não fosse a opção do Governo. “A TAP poderia ter acabado em 2021, como aconteceu com outras companhias aéreas, e com enormes impactos na economia portuguesa. A opção do Governo foi salvar a TAP como ativo do País, de acordo com um Plano de Reestruturação, validado por Bruxelas, com caminhos e metas a atingir”, disse.

A presidente executiva (CEO) da TAP, Christine Ourmières-Widener está hoje na comissão parlamentar de Obras Públicas para falar pela primeira vez sobre a compensação de 500 mil euros paga à ex-administradora Alexandra Reis. Os deputados querem saber qual o conhecimento que o Governo tinha do processo.

Nas respostas ao deputado do Chega, André Ventura, a CEO disse que desde que assumiu funções não tem conhecimento de outras indemnizações pagas a administradores da companhia, mas tem conhecimento de uma compensação paga ao anterior CEO quando a TAP ainda era privada.

“A TAP podia ter acabado em 2021 como aconteceu com tantas outras companhias aéreas e com enormes impactos na economia portuguesa, mas a opção do Governo foi salvar a empresa”. A CEO lembra que foi estabelecido um plano de reestruturação que a gestão da TAP tem procurado cumprir e conseguir resultados positivos.

“A gestão está focada em cumprir um Plano de Reestruturação da empresa, aprovado por Bruxelas, após a intervenção do Estado português para salvar a empresa, com metas e objetivos bem definidos”, disse.

“Tem sido um caminho difícil, com vários obstáculos e adversidades, numa conjuntura exigente e de grande competitividade dos mercados”, disse.

Christine Ourmières-Widener revelou ainda que segundo o seu contrato só recebe um bónus se cumprir o plano de reestruturação em 2025.

A CEO da TAP lembrou que em janeiro e fevereiro o impacto da pandemia na atividade implicou menos 1.850 voos; a guerra na Ucrânia encareceu o preço dos combustíveis usados na operação com impacto negativo de 330 milhões de euros no resultado; em agosto, um ciberataque afetou a atividade com perdas estimadas de 5 milhões de euros de receitas (flytap) e 700 mil euros de custos adicionais; em setembro, um avião da empresa ficou retido durante quatro meses na Guiné Conacri, com impacto nas receitas; em outubro e novembro o sistema Topsky gerido pela entidade de controlo de tráfego aéreo, NAV, forçou o cancelamento de 300 voos; no final do ano, a greve no SNPVAC teve um impacto direto nas receitas de 8 milhões de euros.

Passou um ano depois da aprovação do plano de reestruturação, e Christine Ourmières-Widener faz o balanço do  ano de 2022 e reafirma os resultados recorde no terceiro trimestre que se devem à recuperação do transporte aéreo, mas também pelas medidas adotadas pela gestão, disse. “Já conseguimos antecipar para 2022, metas previstas para 2024”, frisou. A TAP teve no ano passado uma das maiores receitas da sua história e “registou no terceiro trimestre de 2022 o seu melhor resultado trimestral de sempre”.

“Temos uma missão, a de percorrer o caminho para uma companhia sustentável e lucrativa até 2025 e estamos focados no trabalho que é preciso fazer”, afirmou a presidente da TAP que defendeu que “os resultados obtidos dão-nos confiança na nossa capacidade para continuar em 2023 a concretizar o Plano de Reestruturação”.

De acordo com o Plano de Reestruturação, desenvolveu-se um esforço de redução da despesa focado na redução equitativa da massa salarial da TAP e num conjunto de medidas que geraram redução de custos, revelou a presidente da empresa que adiantou que a renegociação de contratos de terceiros que representaram uma poupança superior a 150 milhões de euros.

“A resolução de diversos problemas históricos, que se arrastavam há anos, como a ME Brasil que acumulou graves perdas anuais ao longo de quase duas décadas e que já está inoperante desde maio de 2022, sendo expectável que encerre definitivamente em 2024”  disse lembrando ainda que “foram também resolvidas as questões da Groundforce e da White”.

“A TAP precisa de estabilidade”, apelou a CEO da companhia aérea que lembrou que há um plano e uma missão a executar e mais resultados a construir. Há uma firme missão de melhorar constantemente e “ainda há muito a fazer para termos uma TAP mais lucrativa e para isso precisa de estabilidade”. Segundo a CEO “é esse o sentido do investimento em 48 milhões de euros de remuneração aos trabalhadores para alívio dos cortes efetuados”.

Christine Ourmières-Widener referiu ainda que o seu interlocutor no Governo era o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Mendes, e que a coordenação com ao Ministério das Finanças era feita pelo Ministério das Infraestruturas.

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