Cimeira Europeia abre em clima de desanuviamento

Aquela que parecia ser uma das cimeiras mais difíceis dos últimos anos abre esta quinta-feira sob um céu intensamente azul: mesmo que chova, os 27 conseguiram ‘vergar’ Hungria e Polónia e até o Brexit parece estar ‘encarreirado’. Nuvens, só para os lados da Turquia.

Em apenas dois dias, o cenário de pré-catástrofe que se esperava para a Cimeira Europeia que esta quinta-feira tem início em Bruxelas desapareceu como que por milagre – ‘made in Berlim’, que é onde tendem a acontecer todos os milagres que bafejam a sorte da União Europeia.

Quando todos esperavam um longo caminho negocial durante os dois dias (ou mais) da cimeira, eis que a Polónia e a Hungria avançaram ter chegado a acordo com a Alemanha para desbloquearam o orçamento de longo prazo da União Europeia e o Fundo de Recuperação. A notícia foi avançada pelo vice-primeiro-ministro polaco, Jaroslaw Gowin, que afirmou que Varsóvia, Budapeste e Berlim alinharam posições num acordo político sobre aquelas duras matérias.

Chega assim ao fim o mau início dos planos para os volumosos financiamentos de lançamento das economias europeias pós-pandemia, que estiveram primeiramente bloqueados pelos países chamados frugais e de seguida, de forma totalmente inesperada, pela Hungria e Polónia (com o apoio da Eslovénia) – que não aceitavam que a União colocasse em causa os ‘seus’ Estados de Direito.

Parece assim que foram removidos todos os obstáculos ao Orçamento da União e ao Fundo de Recuperação – pelo que a cimeira irá lançar a segunda fase do plano, que passa pela aceitação do projeto por cada um dos 27 países do agregado.

Bem menos negras estão também os ares por cima do Canal da Mancha, depois de Londres e Bruxelas terem anunciado que conseguiram chegar a um acordo satisfatório – ou, pelo menos, tão satisfatório quanto possível e para todos os efeitos mais satisfatório que o não-acordo, cenário que estava em cima da mesa há bem poucos dias.

Pesem embora as diferenças de tom entre as declarações do primeiro-ministro britânico e da Comissária Europeia – com a alemã a mostrar-se bastante mais satisfeita que Boris Johnson – o certo é que as duas partes concordaram em encetar o aprofundamento do acordo que já conseguiram, nomeadamente no que tem a ver com a questão fronteiriça entre as duas Irlandas, de longe o dossier mais complicado.

Johnson referiu-se ainda à inexistência de um acordo no setor das pescas – os pescadores franceses não querem deixar de poder pescar nas águas territoriais britânicas mas os seus homólogos bretões querem todos os cardumes para eles – mas a matéria não parece ser suficiente para voltar a bloquear as negociações.

Ares bem mais tempestuosos estão agora a pairar no Estreitos do Bósforo e dos Dardanelos. A cimeira servirá, segundo consta da agenda, para a União Europeia sancionar pessoas e empresas turcas responsáveis ​​pelas perfurações exploratórias em águas do Mediterrâneo Oriental reivindicadas por turcos, gregos e cipriotas.

Se assim for decidido, a União irá “preparar listas adicionais” com base na lista de sanções já em vigor desde 2019 e “se necessário, trabalhar na sua extensão”, diz Bruxelas. A Grécia e o governo cipriota grego, que acusa a Turquia de perfurar hidrocarbonetos na plataforma continental de Chipre, acreditam que as sanções atuais são demasiado brandas e querem que a União as reforce.

A questão é de importância vital para Chipre – que em setembro chegou mesmo a bloquear a imposição de sanções à Bielorrússia enquanto os 27 não aceitarem subir a parada com a Turquia. O governo turco afirma desejar um acordo, mas para já tal não foi possível.

Nos últimos meses, a Turquia enviou vários navios-sonda para explorar recursos energéticos no Mediterrâneo Oriental, fazendo valer os seus próprios direitos na região, bem como os da República Turca do Norte de Chipre.

Oficialmente, a cimeira vai ainda debater uma maior coordenação das medidas relativas à Covid-19, as alterações climáticas, a segurança e as relações externas. Na sexta-feira, os dirigentes reunir-se-ão também na Cimeira do Euro.

O Conselho Europeu fará o balanço da situação de pandemia e debaterá o esforço de coordenação global de resposta, designadamente em matéria de vacinação e despistagem e do levantamento gradual das restrições. Os dirigentes procurarão chegar a acordo sobre uma nova meta de redução das emissões da União para 2030.

O cimeira abordará questões de segurança e em especial a luta contra o terrorismo e o extremismo violento e tentarão uma declaração comum dos ministros dos Assuntos Internos sobre os recentes atentados terroristas na Europa.

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