Cimeira Open Balkans pede ajuda à União Europeia na área energética

Cimeira de Belgrado teve como convidados Montenegro, Bósnia-Herzegovina, Hungria e Turquia. Grécia e Itália, também convidadas, não apareceram. Chefe da diplomacia turca revelou que Erdogan visitará Sarajevo para a semana.

Antonio Bronic / Reuters

O Open Balkans, projeto conjunto da Sérvia, Albânia e Macedónia do Norte, criado com a finalidade da criação de uma zona de comércio livre de pessoas e bens e aberto a outros países da região, realizou mais uma cimeira, na qual estiveram presentes como convidados representantes do Montenegro, Bósnia-Herzegovina, Hungria e Turquia.

Uma das decisões saídas da cimeira, realizada em Belgrado, capital da Sérvia, ao longo desta sexta-feira, foi a formulação de um pedido de ajuda à União Europeia para o financiamento de novas fontes energéticas alternativas à Rússia. Citado pela imprensa local, o primeiro-ministro albanês, Edi Rama, exortou a União Europeia a “não repetir o comportamento” que teve durante a pandemia. “Lembramo-nos bem como, no início da pandemia, os países dos Balcãs Ocidentais foram forçados a recorrer à China, à Rússia, à Turquia, porque a União Europeia estava apenas a olhar para si mesma”, disse.

Sérvia, Macedónia do Norte e Albânia pretendem formalizar um pedido de ajuda para encontrarem outras fontes de fornecimento e os seus responsáveis disseram que ficariam “muito satisfeitos” se os líderes da Bósnia-Herzegovina, Montenegro, e Kosovo se juntassem. “Juntos solicitaremos apoio financeiro para a compra de fontes de energia”, disse Rama.

O primeiro-ministro da Macedónia do Norte, Dimitar Kovacevski, lembrou que “o próximo inverno será longo e talvez o mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial, tanto para nós quanto para o mundo; é melhor sobrevivermos juntos do que divididos”. O apelo resulta do estreitamento recente (desde 24 de fevereiro) de relações entre os Balcãs Ocidentais e a União Europeia, com vista ao alargamento.

O primeiro-ministro de Montenegro, Dritan Abazovic, expressou a expectativa de que o seu país venha rapidamente a fazer parte do Open Backans e enfatizou os países da região devem seguir um caminho da cooperação.

Após a cimeira, foram assinados acordos bilaterais e trilaterais nas áreas de agricultura, energia, cultura e proteção civil. A longo prazo, está prevista a construção de um gasoduto entre a Sérvia e a Macedónia do Norte, unidades de produção de energia solar conjuntas e fornecimento através de terminal de gás liquefeito da Albânia.

A posição do Kosovo é que o Open Balkans se trata de uma iniciativa politicamente perigosa, sem uma visão clara, e que os países da região devem continuar comprometidos com a agenda da União Europeia e não com a regionalização dos seus interesses. Recorde-se que as relações entre o Kosovo e a Sérvia são muito tensas – quase tendo resultado num confronto armado há apenas duas semanas.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Grécia e da Itália foram convidados a estarem presentes mas não puderam comparecer. “Espero que possam estar presentes em Tirana [na próxima cimeira], é muito importante para nós que a iniciativa reúna não só países da região, mas também outros países importantes da vizinhança”, disse Rama.

Na sua intervenção, o chefe da diplomacia turca, Mevlut Çavusoglu, disse que a iniciativa Open Balkans garante um futuro seguro para todos os países e foi muito crítico da União Europeia. A União Europeia tornou-se introspetiva enquanto aos seus interesses políticos, que caraterizou como “estreitos”, o que acabou por sequestrar a agenda do alargamento, criticando a paralisação da adesão da Macedónia do Norte e da Albânia.

“Vemos a iniciativa Open Balkans como uma ponte entre os Balcãs e a União Europeia. O alargamento foi uma das políticas mais bem-sucedidas da União no passado. Mas tornou-se introspetiva e interesses políticos estreitos tomaram conta da agenda do alargamento.

A Macedónia do Norte candidatou-se em 2005, enquanto a Albânia recebeu o estatuto de candidata em 2014 – mas as negociações estão paralisadas desde 2020 devido a uma disputa com a Bulgária sobre questões linguísticas e históricas.

Mas a principal preocupação de Ancara na região é a Bósnia-Herzegovina, onde vive a maioria da numerosa comunidade islâmica dos Balcãs. Mevlut Çavusoglu revelou que “há uma crise política na Bósnia-Herzegovina e na próxima semana o presidente da Turquia vai, entre outras coisas, visitar Sarajevo.

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