Cinco biliões de motivos para Wall Street sorrir

Nunca a intervenção dos bancos centrais foi tão abrangente e acomodativa como nos últimos tempos, e isso tem feito toda a diferença. Resta saber quais serão os custos dessa política no futuro.

Reuters
Cinco triliões de dólares norte-americanos, ou cinco biliões em nomenclatura europeia, foi quando Wall Street amealhou desde o início do ano nas suas praças financeiras, quase 28% de valorização no S&P500 que fazem de 2019 o segundo melhor ano para os touros desde a crise financeira de 2007/2008, um registo apenas suplantado em 2013, quando o principal índice mundial conseguiu ganhos de 29,6%.
E se estes dados só por si não forem impressionantes, recordo que o S&P500 atingiu um ganho de quase 400% desde os mínimos de Março de 2009, registando não apenas o melhor, mas igualmente o mais longo período ascendente da história dos índices norte-americanos, uma década com apenas dois anos no vermelho, não ultrapassando no entanto os -6,24% de perda em 2018.
Um crescimento nos índices que apesar de ter puxado as avaliações das empresas para uma zona de sobrevalorização, o certo é que ao nível económico os EUA continuam a dar cartas, tendo sido a primeira vez que o país entrou e saiu de uma década sem ter passado por uma recessão, resta no entanto aferir se ambos os movimentos positivos, do mercado e da economia são sustentáveis a médio-prazo.
Essa é a pergunta para muitos triliões, onde a resposta irá provavelmente figurar em inúmeros livros de literatura económica, uma vez que nunca a intervenção dos bancos centrais foi tão abrangente e acomodativa como tem sido nestes últimos tempos, e isso tem feito toda a diferença, ficando por se conhecer os custos dessa política no futuro.
No mercado cambial a força da maior economia do mundo também se tem feito sentir, não tanto este ano como em 2018, mas 2019 foi de novo um período em que o US dólar ganhou terreno face às outras moedas principais, incluindo a Libra inglesa, que após quatro meses de forte crescimento em que pulou dos $1,20 para os $1,35, parece agora fraquejar no final do ano, com a perspectiva de um Brexit a qualquer custo em 2020.
Hoje há que ter em conta os números revistos do PIB norte-americano relativo ao terceiro trimestre, bem como o “quadruple witching” que deverá elevar a volatilidade e o volume nas duas horas finais da sessão.
O gráfico de hoje é do GBP/USD, o time-frame é semanal.
A libra inglesa continua a ceder terreno aproximando-se agora da linha inferior do canal ascendente que referi há uns dias, e que poderá oferecer algum apoio.
Recomendadas

Bolsa de Lisboa fecha sessão a perder 1,49% com apenas o título da Galp no verde

A puxar o PSI para baixo estiveram os títulos da peso-pesado do retalho Jerónimo Martins, dona da cadeia de supermercados Pingo Doce, que deslizaram 3,52%.

Bancos envolvidos na aquisição do Twitter por Elon Musk poderão perder milhões

Dos 44 mil milhões que Musk terá de pagar pela compra da rede social, 12,5 mil milhões serão garantidos por empréstimos bancários. Exemplos recentes e cenário económico sombrio pesam nas projeções da banca envolvida.

OPEP+ decide baixar a sua oferta de petróleo em dois milhões de barris diários

A redução da produção de petróleo anunciada esta quarta-feira corresponde ao maior corte na oferta desde maio de 2020. Decisão deverá irritar administração Biden e levar a resposta dos EUA, diz nota de mercado do Citi.
Comentários