Cinco pontos centrais na estratégia do hidrogénio para Portugal

O ministério do Ambiente aponta que até 2030 o hidrogénio poderá gerar investimentos na ordem dos sete mil milhões a nove mil milhões de euros, podendo provocar a redução nas importações de gás natural e de amónia. Em termos de criação de emprego, o Governo estima que possam ser criados entre 8.500 a 12.000 novos postos de trabalho diretos e indiretos.

Nasa – Unsplash

O Governo aprovou hoje a resolução do Conselho de Ministros que aprova a Estratégia Nacional para o Hidrogénio.

“Este diploma define a estratégia nacional para o Hidrogénio, promovendo a introdução gradual deste gás como pilar sustentável e integrado na mais abrangente estratégia de transição para uma economia descarbonizada. Foi aprovado depois de um processo de consulta pública que foi complementado com a organização de seis sessões de debate com agentes da área da inovação e desenvolvimento, indústria, transportes, energia, formação, qualificação e emprego”, segundo o comunicado do Conselho de Ministros que hoje teve lugar.

O Governo aponta que até 2030 o hidrogénio poderá gerar investimentos na ordem dos sete mil milhões a nove mil milhões de euros. Esta estratégia também poderá levar a uma “redução das importações de gás natural entre os 380 e os 740 milhões de euros e de amónia de cerca de 180 milhões de euros”, segundo o ministério do Ambiente.

Em termos de criação de postos de trabalho, a tutela de João Matos Fernandes estima que possam ser criados entre 8.500 a 12.000 novos postos de trabalho diretos e indiretos.

A estratégia nacional para o hidrogénio conta com cinco pontos centrais:

1 – A criação de um projeto âncora de produção de hidrogénio verde em Sines. “Focado na energia solar, mas também na eólica, tira partido da localização estratégica de Sines, onde será instalada uma unidade industrial com uma capacidade total em eletrolisadores de, pelo menos, 1 gigawatt, até 2030. Tal permitirá posicionar Sines, e Portugal, como um importante centro de produção de hidrogénio verde”, segundo comunicado do ministério do Ambiente.

2 – Transportes pesados descarbonizados. “A descarbonização do setor dos transportes pesados, no qual o hidrogénio, e os combustíveis sintéticos produzidos a partir de hidrogénio, em complemento com a eletricidade e os biocombustíveis avançados, são essenciais para a descarbonização. Em paralelo, apoiar-se-ão as infraestruturas de abastecimento de hidrogénio, preferencialmente com produção local associado”, de acordo com a tutela.

3 – O ministério também aponta que esta estratégia visa a “descarbonização da indústria nacional, sobretudo, entre outros, dos subsetores químico, extrativo, do vidro e da cerâmica e do cimento”.

4 – Laboratório para o hidrogénio. O Governo pretende criar um “laboratório colaborativo para o hidrogénio, enquanto referência nacional e internacional de atividade de I&D em torno das componentes relevantes da cadeia de valor do hidrogénio. Pretende-se que este laboratório desenvolva novas indústrias e serviços e recursos humanos qualificados”.

5 – Portugal apresenta candidatura em Bruxelas para tentar obter fundos europeus. “A formalização de uma candidatura ao IPCEI (sigla da designação inglesa de Projeto Importante de Interesse Europeu Comum) Hidrogénio. Durante 2020 serão continuados os trabalhos de preparação para a submissão de uma candidatura ao IPCEI Hidrogénio, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento da cadeia de valor industrial em torno do hidrogénio verde”.

 

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