Cinco temas que vão ‘dominar’ os mercados em 2017

O Crescimento económico, os Bancos centrais, a reemergência da China, o equilíbrio no Petróleo e a mudança nas tendências políticas são os temas destacados pela Allianz .

Athar Hussain/Reuters

Num ‘outlook’ divulgado hoje pela Allianz Global Investors (AllianzGI) para 2017, são destacados cinco temas essenciais para “os investidores que procuram tomar decisões informadas” percebam “ o que está a conduzir os mercados e as economias”. Para a gestora de investimentos, o Crescimento económico global, os Bancos centrais, a reemergência da China, o equilíbrio da procura e da oferta no Petróleo e a mudança nas tendências políticas são os cinco temas essenciais a estar atento no próximo ano.

O crescimento económico global vai continuar “lento, fraco e sem brilho”. De acordo com a AllianzGI, “os investidores devem esperar um crescimento ténue quando os EUA entram num novo ciclo, o Japão lida com uma população envelhecida e a Europa sofre as consequências do Brexit. Os EUA e a UE deverão, em última instância, evitar recessões enquanto se mantêm presos às expansões económicas mais fracas desde que há registo. Os mercados emergentes devem prosperar à medida que a China se reequilibra e que grande parte da Ásia realiza reformas”.

Os Bancos centrais vão manter as taxas mais baixas por mais tempo. A gestora de investimentos estima “que a Reserva Federal norte-americana aumente as taxas de juro moderadamente, o que impulsionará os bancos centrais em mercados emergentes a baixar as suas taxas de juro à medida que a inflação baixa. O Banco Central Europeu e o Banco do Japão devem manter as suas políticas monetárias flexíveis. Passámos o pico de liquidez global quando os bancos centrais passaram a promover políticas de taxas de juro negativas para começar a suportar a despesa pública”.

A China continuará a ter crescimento e a Ásia vai estar globalmente atrativa. O ‘outlook’ diz que “o grande contribuidor para o crescimento global continua a ser a China, que requer menos matérias-primas (commodities) industriais e mais petróleo e matérias-primas agrícolas (soft commodities) à medida que se urbaniza rapidamente. As preocupações mantêm-se quanto à sua posição no capital, mas a sua política “one belt, one road” para expandir o comércio e o investimento pode ser o novo Plano Marshall que o mundo precisa após a Crise Financeira Global. Com a Índia e a Indonésia a realizarem um progresso significativo nas reformas, a Ásia oferece o melhor equilíbrio de crescimento e investimento”.

O Petróleo assiste ao equilíbrio entre a procura e da oferta. “Há algum tempo, aconselhámos os investidores a não esperar que os preços do petróleo ficassem demasiado baixos por muito tempo, e a nossa posição construtiva começa agora a ser validada. Estes muito baixos preços do petróleo levaram ao recuo nas despesas de capital industrial e ajudaram a procura e a oferta a equilibrar-se. Acreditamos que um pequeno aumento no preço do petróleo em 2017 pode estimular o investimento em petróleo e a inflação global, mas não nos parece que isso provoque um boom do gás de xisto nos EUA. A oferta continuará pressionada pela situação geopolítica de convulsão no Médio Oriente, América Latina e África”, defende a AllianzGI.

A gestora de investimentos diz que está em marcha uma mudança nas tendências políticas. “As marés da desregulação continuaram a mudar em 2016, e o nacionalismo e o populismo ganharam terreno: Brexit, os Valões (belgas), Bernie Sanders e Donald Trump, todos desempenharam o seu papel. Tendo em conta as importantes eleições iminentes na Europa em 2017, a política deve manter-se uma consideração-chave na hora de investir – ainda que alguns investidores fiquem simplesmente de fora de certos mercados, apesar das avaliações de mercado atrativas. A gestão monetária vai também tornar-se mais política, dado que vai passar a estar integrada nas políticas de controlo fiscal explícitas dos governos. Sobre o sítio onde os governos vão gastar o dinheiro que os seus bancos centrais imprimem, acreditamos que o foco nos próximos anos vai estar na infraestrutura doméstica e na Defesa”.

Nas suas conclusões, Neil Dwane, Global Strategist da AllianzGI, afirma: “Esperamos que 2017 ofereça a mesma dieta de 2016: Graças aos rendimentos de mercado baixos, aqueles investidores que assumirem risco insuficiente encontrarão, de forma genérica, resultados insuficientes. Além do mais, o desempenho histórico de longo-prazo que os investidores gostariam de ver novamente parece não passar disso mesmo – algo do passado. O futuro exige uma procura ativa e incisiva da valorização do capital e das oportunidades de rendimento, enquanto aguardamos uma mudança de ciclo económico num ano cada vez mais próximo”.

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