Citemor na ternura dos 40 mostra que está para durar

O festival que se apresenta como produtor artístico e se espraia pelos territórios de Montemor-o-Velho, Coimbra e Figueira da Foz, está de volta e com vontade de questionar. Como sempre. E de 28 de julho a 13 de agosto, vai cumprir essa missão.

Pegando na imagem da ternura dos 40, no caso do Citemor, que nesta edição celebra 44 anos, sublinhe-se a persistência e a obstinação. Sempre com ternura, claro. Pelos projetos em que se envolve. Pelas ideias que acarinha e que nutre ano após ano. Pelo companheirismo que vai cultivando com todos os que passam pelo triângulo que o acolhe: Montemor-o-Velho, Coimbra e Figueira da Foz.

Território singular que se conjuga no plural dada a diversidade de propostas a que vem habituando o público. E a edição em que “dobra” o quatro não é exceção, pelo que a programação procura, acima de tudo, estimular “relações entre o teatro, a dança, o cinema, a música, as artes visuais e a literatura”. Uma verdadeira contaminação, no bom sentido que a palavra também pode ter, quando lhe aplicamos a metáfora.

Por essa razão, uma primeira palavra para as estreias absolutas, com as interrogações sobre o corpo transversais aos três espetáculos. O festival arranca esta quinta-feira, 28, em Coimbra, com “A Sagração da Primavera – Memórias Ternas de um Afecto Queer”, de Dinis Machado, onde os corpos dos seis performers “questionam ideias dominantes da liberdade como um território sem regras”. No dia seguinte, 29, também em Coimbra, Sónia Batista irá pôr em causa os conceitos de beleza e fealdade, no espetáculo intitulado “WOW”.

A 5 de agosto, a coreógrafa e bailarina Diana Niepce – cuja queda de um trapézio a deixou tetraplégica, em 2014 – regressa a uma batalha que visa repensar a sua identidade artística. Em “O Outro Lado da Dança” vai, assim, apresentar ao público um “mapeamento da representação dos invisíveis da história da dança”.

De Espanha, chegarão “Noche Cañon”, uma antestreia pela mão de Sofía Asencio, “Serrucho” e ainda “Interior Noche”, além dos autores Mariana Barrassi e Pablo Caruana, para o lançamento do livro “Cuaderno de Montemor” – que será apresentado no dia 30, na Alcáçova, e que pretende dar a conhecer o território de Montemor-o-Velho e do Baixo Mondego através de texto e fotografias.

No mesmo dia, 30 de julho, mas também a 4, 6 e 11 a 13 de agosto, na Junta de Freguesia de Montemor-o-Velho, Ilaria di Carlo conduz-nos pela épica descida da protagonista por um labirinto infinito de escadas. A história de “The Divine Way” é livremente inspirada na “Divina Comédia” de Dante.

A 12 de agosto, o Paço de Tentúgal, Montemor-o-Velho, acolhe “Paixão Segundo João”, de Pedro Lacerda, uma peça de Antonio Tarantino que narra as peripécias de um doente mental pelos infindáveis labirintos de uma instituição, para obter um certificado que ateste a sua condição (mental).

Como refere a direção artística, na programação “é sempre fundamental uma leitura do território, tanto a nível geográfico quanto artístico e temporal e isso reflete-se na escolha dos artistas e dos espetáculos, que reafirma relações, reformula pontos de vista e posicionamentos artísticos, e sublinha a importância do património efémero erguido”.

Uma particularidade: no Citemor, o preço do bilhete é definido pelo espectador. Consulte aqui a programação completa.

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