Aposta na cloud é um investimento na eficiência? Especialistas respondem

O grande volume de dados que as empresas recebem e são obrigadas a monitorizar tem sido o motor do crescente investimento nas soluções de armazenamento na nuvem. A flexibilidade é apontada pelos agentes de mercado como uma das grandes vantagens.

1. Assiste-se a uma evolução generalizada do negócio da nuvem nas multinacionais de TI. Porquê?

2. Para que tipo de organizações faz sentido fazer essa passagem?

 

 

António Miguel Ferreira, Regional Managing Director da Claranet para a Península Ibérica e América Latina

 

IMPORTÂNCIA DE DISTINGUIR MODELOS

1. e 2. O mercado tem solicitado soluções de serviços e produtos em nuvem e as multinacionais ou empresas nacionais de Tecnologias da Informação (TI) têm-se adaptado a essa procura. Há, no entanto, dois tipos de fornecedores de TI: os que já advogam o modelo de serviços cloud há 10 anos e os que “saltaram para o barco” mais recentemente, cuja experiência é muito mais limitada. E é preciso saber distinguir os verdadeiros modelos de serviços cloud, dos modelos mais tradicionais que apenas se maquilharam e, utilizando o nome, de cloud pouco têm.

Pode existir um travão cultural. A maior parte das empresas não sabe ou não quer calcular o custo real e o custo de oportunidade de continuar a gerir as TI de forma mais tradicional. Faz sentido para todas as organizações passar para a nuvem.

 

 

Jorge Reto, Diretor da Google Cloud em Portugal

 

Solução para rapidez

1. É uma necessidade e uma exigência do mercado. Com a economia cada vez mais digitalizada as empresas olham, cada vez mais, para a cloud como uma solução que lhes pode permitir ser mais rápidas, mais ágeis e mais competitivas. O momento atual é realmente apaixonante, a aposta em tecnologias na nuvem com soluções de Big Data, inteligência artificial, produtividade, para aplicações está a acelerar esta transição. Por exemplo, nos Estados Unidos, 20% da carga de trabalho das empresas já está na nuvem e nós Google Cloud queremos ser o parceiro de inovação das empresas portuguesas, e estamos bem posicionados para isso. A Google nasceu na nuvem, desenvolveu, ao longo de 20 anos, tecnologias que utiliza diariamente nas suas operações e nos produtos e que tornaram a empresa num exemplo de inovação. Na prática, com a Google Cloud estamos a colocar a infraestrutura e tecnologias da Google ao serviço das empresas e dos seus projetos para inovarem. A única coisa que se têm de preocupar é com o seu negócio e projetos e não tanta na infraestutura que o suporta e onde apenas pagam o que utiliza.

 

 

Carlos Vidinha, Principal da Capgemini Portugal

 

EVOLUÇÃO IRREVERSÍVEL

1. Em maio de 2003 a Harvard Business Review publicou um artigo de Nicholas Carr intitulado “IT Doesn’t Matter” em que o autor estabelecia um paralelismo visionário entre a comoditização ocorrida no passado em serviços como a energia elétrica ou os caminhos de ferro e a evolução por ele antecipada para os serviços de TI. Esta visão tem vindo a ser progressivamente concretizada, nomeadamente graças à evolução tecnológica ocorrida desde então nas tecnologias de informação e comunicação que permite o acesso a grandes volumes de dados nos mais variados formatos a velocidades em constante aceleração a partir de virtualmente qualquer lugar no planeta, bem como a constante oferta de recursos de computação tais como armazenamento, memória e processamento, cada vez mais potentes a custos cada vez mais baixos, que potenciou a aparecimento de novos modelos de negócio, nomeadamente a oferta de serviços baseados no paradigma cloud, com uma proposta de valor multidimensional (i.e. custo, flexibilidade, escalabilidade, resiliência, segurança). Este fenómeno constitui uma vaga de evolução irreversível para a indústria de TI, suportada quer pela contínua evolução da oferta para patamares crescentes de maturidade, quer pela crescente procura por parte de organizações e indivíduos em todos os setores de mercado e geografias a este tipo de modelo de negócio.

 

 

Filipe Costa, Diretor de Negócio de Cloud da SAP

 

IDENTIFICAR O DESAFIO A RESPONDER

1. e 2. Há cerca de dois anos e meio que se assiste a uma franca evolução das soluções de cloud, em larga medida pela rapidez com que as empresas obtêm valor destes investimentos, assim como pelos níveis de eficiência e transparência que são gerados para as organizações. Podemos, portanto, afirmar que o negócio da cloud é uma necessidade e também uma exigência do mercado. Em Portugal, mais de 5.600 organizações são utilizadoras das soluções da SAP, o que significa que a dimensão destas, bem como os desafios que nos colocam, é extremamente diversificado. Acima da dimensão e do perfil da organização, importa perceber as soluções que procuram para responder a um desafio concreto. E, ainda, reforçando esta ideia, saliento que mesmo para uma pequena empresa faz todo o sentido avaliar soluções na cloud, que lhe permita evoluir sem limitações e com maior rapidez. Além disso, temos verificado que as organizações mais dinâmicas na passagem para a cloud têm sido aquelas que estão muito atentas ao relacionamento e interação que desenvolvem com os seus clientes, seja de negócio B2C ou B2B (marketing, service, sales, commerce). E também as que procuram modernizar a sua área de gestão de capital humano, através da avaliação de desempenho, gestão de carreira, e-learning, etc., assim como aquelas que pretendem melhorar os seus processos de gestão de contratos da área de compras e aprovisionamento.

Inevitavelmente, para a maioria dos novos clientes, também o ERP na cloud deixou de ser a segunda opção, sendo agora a primeira escolha.

 

 

Miguel Alava, Diretor-geral da Amazon Web Services para a Europa do Sul

 

Custo é tema inicial

1. Em todo o mundo, e mais especificamente em Portugal, a nuvem tornou-se um facilitador de negócio e o novo normal, uma vez que empresas de todas as dimensões estão agora a implementar, por defeito, novas aplicações na nuvem, e procuram migrar o mais rapidamente possível o máximo das suas aplicações existentes. A AWS tem milhões de clientes ativos todos os meses, dos quais muitos em Portugal, de todos os segmentos de negócio e de todas as dimensões possíveis, desde startups como a Uniplaces, PME até grandes empresas, como a EDP.

A nuvem da AWS permite que as empresas se concentrem no que realmente diferencia as suas organizações – como analisar petabytes de dados, disponibilizar conteúdo de vídeo, construir aplicações móveis fantásticas ou até explorar Marte – deixando o “trabalho pesado” da estrutura tecnológica subjacente para a AWS. Seja para armazenamento de dados regulados para empresas de serviços financeiros como a FINRA e a Intuit, simulações de testes clínicos com a Bristol Myers-Squibb, análise de Big Data do mercado financeiro para a SEC, streaming de filmes e séries para o Netflix ou suporte operacional para as missões do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, são cada vez mais as implementações bem-sucedidas de clientes na AWS. Todos os segmentos de negócio imagináveis estão a utilizar a AWS de uma forma muito significativa. Quase sempre, a conversa inicial é sobre o custo.

A maioria das empresas gosta de transformar as despesas de capital em despesas variáveis. A maior parte das empresas gosta de ter uma despesa variável mais reduzida na nuvem do que aquela que teria por sua própria conta e apreciam a elasticidade e a capacidade de adaptação consoante as flutuações das suas necessidades. No entanto, a principal razão para os clientes optarem por migrar para a nuvem AWS é a agilidade e velocidade que obtêm na nuvem.

 

 

João Borrego, Solutions Engineer Senior Manager da Oracle Portugal

 

Escolha óbvia para startups e pme

1. e 2. A velocidade a que a tecnologia evolui e a importância que tem na criação de novas linhas e modelos de negócio fazem com que as multinacionais de TI tenham que disponibilizar inovação rapidamente. A forma mais sustentável para as empresas se manterem competitivas e consumirem essa inovação é aceder diretamente à fonte, ou seja, às clouds dos providers de TI. Podemos, por isso, dizer que a exigência e a competitividade do mercado fez com que as multinacionais de TI tenham investido muito do seu orçamento de pesquisa e desenvolvimento (R&D) em ter ofertas inovadoras, seguras, elásticas e flexíveis, tornando o negócio de cloud essencial para o seu futuro e dos seus clientes. Todas as organizações devem equacionar e considerar a mudança para a nuvem. Claro que existem algumas óbvias, como é o caso das startups ou PME, que não têm legado tecnológico, não querem ter o custo de aquisição da infraestrutura de TI à cabeça e querem ter a flexibilidade dos custos e das tecnologias que só a nuvem lhes consegue dar. Mas dentro das organizações mais tradicionais ou de maior dimensão também existe uma grande apetência para a adoção da cloud. Normalmente, começam por departamentos mais pequenos ou projetos de inovação ou até por desafios lançados aos colaboradores, testam ideias, testam modelos.

Esse tipo de iniciativas é uma espécie de ensaio e de motor, que lhes permite depois sentirem-se confortáveis para adotarem o modelo em nuvem para os seus sistemas “core”. Neste caso, em sistemas críticos, a análise é mais detalhada e sofisticada e a escolha do fornecedor deverá ter em conta os investimentos tecnológicos já efetuados, os níveis de serviço disponibilizados a robustez e a maturidade tecnológica de players como a Oracle, que está no mercado português há 30 anos e que atua há 42 anos a nível mundial.

 

 

Rogério Canhoto, Chief Business Officer da PHC Software

 

Recursos técnicos especializados

1. e 2. Hoje sabe-se que a cloud é um “must” para a competitividade da gestão das empresas num contexto cada vez mais digital. Por um lado, os mitos iniciais sobre a segurança, investimento e fiabilidade destas soluções encontram-se ultrapassados. Sabe-se que um software na nuvem requer um menor investimento inicial de compra de licenças e de instalações com os modelos de subscrição, que os dados estão mais seguros num data center do que num servidor in-house e que na cloud o software encontra-se sempre atualizado. Por outro, a tecnologia tem evoluído muito nos últimos dez anos, tanto no próprio software como na infraestrutura a partir da qual acedemos ao mesmo, com destaque para o aumento da velocidade de Internet móvel e da utilização massificada de tablets e smartphones. Isto permite que a cloud tenha as condições ideais para ser uma solução de gestão para as empresas. Menor custo de investimento, maior segurança e as condições para um acesso em qualquer momento que seja necessário.

Aproveitando também a virtude de existirem recursos técnicos altamente especializados para tratar da cloud e que dispensam o custo de ter in-house algo caro de adquirir e manter. A ‘cloud’ é importante para todas as organizações, especialmente para que se foquem no seu core business e não tenham de gastar recursos com a constante evolução tecnológica. Esta tendência ganha ainda mais relevância para as micro e pequenas empresas que têm a possibilidades de investimento mais reduzidas, mas que têm as mesmas necessidades de gestão de qualquer outra empresa. Estes são negócios em que tipicamente o software é incrivelmente determinante para o seu crescimento e aumento de rentabilidade, pois têm menos recursos e necessitam de os otimizar.

Com soluções em que o custo de entrada é apenas o de uma subscrição mensal, que pode começar com menos de cinco euros, a cloud traz novas oportunidades para micro e pequenos negócios que até agora estavam apenas disponíveis para as grandes empresas.

 

 

Carlos Vieira, Country Manager da WatchGuard para Portugal e Espanha

 

Preparação prévia

É um facto: as empresas estão cada vez mais a migrar serviços de servidores locais para a nuvem. Servidores de email, servidores Web, sistemas de gestão de relacionamento com o cliente (CRM) e armazenamento de ficheiros estão a migrar para serviços de nuvem pública a um ritmo impressionante. Mas com tantos dados confidenciais a passar para a nuvem, a segurança é essencial e não pode em circunstância alguma ser negligenciada. As organizações de todos os tamanhos estão a ser pressionadas a usar aplicações na nuvem num cenário de ameaças cada vez mais sofisticadas e em rápida evolução. Não está em causa esta migração – ela tem mesmo que acontecer, sob pena de sacrificar a inovação e a transformação digital das empresas. O que eu digo é que não pode ser feita a qualquer custo, sem preparação prévia e sem a devida avaliação dos riscos e das adequadas soluções e fornecedores de segurança, que consigam garantir um nível de proteção e uma forte especialização na cloud. Sem está prévia análise, muitas empresas, na precipitação de adotar a cloud, podem estar a expor e a comprometer o seu negócio e a sua reputação.

 

 

Marco Costa, Diretor-geral da Talkdesk para a EMEA

 

Escalabilidade e flexibilidade

1. e 2. Migrar o produto ou o negócio para a cloud traz maior flexibilidade às empresas e permite alinhar melhor o investimento com o crescimento. Ao contrário dos sistemas on-premises, instalados nos servidores físicos das empresas, que acarretam elevados custos de manutenção e obrigam a vários ciclos de atualização, a cloud mantém uma atualização constante, assegurando uma inovação permanente. Além disso, assiste-se a uma oferta crescente de novas soluções pensadas especificamente para o âmbito empresarial que têm vindo a impulsionar esta transição. É, acima de tudo, uma necessidade de negócio. O mercado em si não exige uma transição para a cloud.

Contudo, para que uma empresa se mantenha competitiva, face aos ciclos de inovação cada vez mais curtos que o constante desenvolvimento tecnológico permite, e continue a crescer, tem de apresentar uma flexibilidade que só um serviço na cloud possibilita. Hoje em dia, a velocidade da transformação dos mercados exige que as empresas se adaptem e inovem muito mais rapidamente para se manterem competitivas. A cloud permite apoiar essa transformação, devido à sua escalabilidade e flexibilidade, apresentando-se, por isso, como a melhor solução para todos os setores, de um modo transversal.

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