‘Coletes Amarelos’: Governo em ”estado de alerta” para as manifestações de sexta-feira

Um membro do Governo admitiu a sua preocupação com a possibilidade dos protestos virem a ter uma adesão significativa, nomeadamente na sequência da revolta dos “coletes amarelos” em França. ”Vamos Parar Portugal em Forma de Protesto” está agendada para dia 21 de dezembro e vai decorrer em vários pontos como Lisboa, Porto, Faro, Beja, Loures Alverca e Viseu.

Caroline Blumberg / EPA

O Governo está “muito preocupado” e em “estado de alerta” com a manifestação marcada para esta sexta-feira, sob o lema “Vamos Parar Portugal”, escreve o ”Público”, esta terça feira. A organização do protesto está a convocar os cidadãos, através das redes sociais, para virem para as ruas em vários pontos do país e avançarem com reivindicações ao estilo do movimento dos “coletes amarelos” de França.

Ou seja, o facto de o presidente francês ter cedido a algumas das reivindicações feitas pelos manifestantes, nomeadamente o aumento de 100 euros no salário mínimo, pode eventualmente levar os portugueses a achar que face às manifestações o governo poderá ceder à pressão da rua.

O Executivo também teme que a manifestação seja infiltrada por movimentos extremistas e até por criminosos comuns e que estes, tal como aconteceu em França, provoquem desacatos, destruição de propriedade e até pilhagens, escreve o jornal do grupo Sonae.

As preocupações dos governantes são partilhadas com as forças policiais que revelaram nos últimos dias informações sobre as medidas de segurança adotadas para o dia das manifestações, que a Polícia de Segurança Pública (PSP) acredita serem “de grande dimensão”.

As manifestações a decorrer no próximo dia 21 de dezembro, em vários pontos de país, serão monitorizadas pela PSP e será adotado um dispositivo de segurança adequado a cada uma das ações que venham a decorrer de forma a que o direito de manifestação seja exercido de forma livre e segura. A PSP apela para que ”todos os cidadãos que decidam exercer o seu direito de manifestação, que o façam de forma pacífica e em respeito pela Lei.”

Coletes Amarelos: PSP apela a manifestação ”pacífica e em respeito pela Lei”

Os apelos às manifestações começaram a ser feitos nas redes sociais, especialmente no Facebook, há cerca de três semanas, por cidadãos anónimos que apenas assumiam ser da zona Oeste do país. A primeira divulgação do evento ”Vamos Parar Portugal como Forma de Protesto”, com uma adesão de 40 mil utilizadores, terá sido apagado na rede social Facebook por ordem desconhecida. Porém, nos últimos dias as páginas de divulgação dos protestos têm-se multiplicado, e o número de pessoas a fazer convocações de manifestantes para outras cidades, vilas do país e até estradas tem aumentado.

No apelo inicial ao protesto, os promotores pedem manifestações sem violência, “de forma humana e civilizada” e com “respeito, sem xenofobia e racismo”. “Somos um dos países que recebe menos e paga mais imposto etc, etc e ficamos caladinhos como sempre. Temos países a receber o dobro de nós, assim que existe algo que não agrade, reclamam, exigem, protestam até serem ouvidos. E nós portugueses? Chega, vamos dizer basta ao aumento de combustíveis, portagens e tudo o resto que está mal”, diz a convocatória inicial.

“Percebam uma coisa, isto não é nenhuma manifestação. Isso já se fazem 200 por ano e nada. Isto é um bloqueio! Protesto! Revolta do povo unido até o povo ser ouvido! Não somos nenhum partido político, nem algo do género. Apenas somos o povo português, que quer um país mais justo”, acrescenta.

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Coletes Amarelos: PSP apela a manifestação ”pacífica e em respeito pela Lei”

No seguimento da manifestação ”Vamos Parar Portugal Como Forma de Prostesto” a PSP divulgou um comunicado em que apela que ”todos os cidadãos que decidam exercer o seu direito de manifestação, que o façam de forma pacífica e em respeito pela Lei.”
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