Combustível sustentável na aviação, opção cara ou futuro do setor

O combustível sustentável para aviação ainda tem um peso reduzido no setor, justificado pelo seu elevado custo, mas poderá ser uma opção verde para as companhias aéreas na Europa, estando Portugal a preparar já uma parceria entre a TAP e a Galp.

O combustível sustentável para aviação ainda tem um peso reduzido no setor, justificado pelo seu elevado custo, mas poderá ser uma opção verde para as companhias aéreas na Europa, estando Portugal a preparar já uma parceria entre a TAP e a Galp.

Este biocombustível, ‘sustainable aviation fuel’ (SAF, na sigla em inglês), tem propriedades semelhantes às alternativas mais convencionais, contudo a sua pegada no meio ambiente é menos significativa, perante a redução das emissões de gases com efeito de estufa.

Na sua base podem estar “plantas ou mesmo óleo de cozinha”, segundo Stéphan Thion, ‘head of sustainable aviations fuel’ da Total Energies, uma das principais produtoras de SAF, depois da Neste e da norte-americana TotalEnergies.

Companhias como a Air France ou a Lufthansa já utilizam este combustível, mas o SAF continua a ter uma expressão reduzida, sobretudo, devido ao seu preço, que, no mínimo, pode ascender a cerca do dobro do valor dos combustíveis tradicionais.

Ainda assim, esta opção verde está na mira das principais companhias aéreas mundiais e para Portugal também será uma opção.

Conforme adiantou à Lusa fonte oficial da TAP, a transportadora portuguesa e a Galp “estão a preparar o anúncio de uma parceria para voos que vão utilizar SAF”, não sendo ainda conhecidos mais detalhes.

A sustentabilidade nas opções de mobilidade e, em particular, na aviação tem sido um dos principais temas debatidos no seminário ‘Conecting Europe Days’, cujas sessões formais terminam hoje em Lyon, França.

Este evento, organizado por Bruxelas, em cooperação com a presidência francesa do Conselho da União Europeia, reuniu comissários e outros representantes de alto nível da Comissão Europeia, ministros, deputados do parlamento europeu e francês, bem como representantes da indústria e especialistas.

O Pacto Ecológico Europeu prevê uma redução de 90% nas emissões de gases com efeito de estufa dos transportes até 2050.

Já a Estratégia de Mobilidade Sustentável da Comissão Europeia apresenta um conjunto de ações para alcançar a transição climática no setor dos transportes, como o desenvolvimento de novas tecnologias na aviação, tornando os voos mais eficientes, substituindo, gradualmente, as emissões de dióxido de carbono (CO2) por alternativas mais sustentáveis.

A Comissária Europeia dos Transportes defendeu, ao longo do seminário, que o setor da aviação está comprometido e vai cumprir as metas de descarbonização até 2050.

“A descarbonização no setor [da aviação] está em progresso. O setor está comprometido em atingir a neutralidade carbónica e, é claro, vai cumprir as metas até 2050”, afirmou Adina Vălean.

Por outro lado, lembrou que só é possível manter a conectividade “a um preço acessível”, se o setor continuar a ser competitivo, sendo para tal necessário a adoção de mudanças.

Num encontro com os jornalistas, a responsável pela área da sustentabilidade da Air France – KLM, Fátima da Gloria, apontou que o setor está comprometido “em fazer o que está certo em matéria de sustentabilidade”, por isso, também quer estar seguro de que estas opções menos tradicionais, não podem levantar outro tipo de problemas, como a desflorestação.

Contudo, questionada sobre a possibilidade da aplicação de taxas poder dissuadir as companhias de optar por opções que geram maior poluição, a responsável pela sustentabilidade na Air France – KLM considerou que estas “são uma medida genérica, que não contribui para a descarbonização”.

No que diz respeito ao SAF, Fátima da Gloria disse esperar que, à medida que a produção sobe, este combustível possa ter um preço semelhante aos restantes, o que defendeu ser um “fator importante”.

Para já, esta é uma opção muito cara, chegando a ultrapassar em “oito ou 10 vezes” o preço do combustível tradicional.

“Temos que assegurar que a indústria da aviação continua competitiva porque temos muita concorrência na Europa. As empresas estão a investir e a fazer as coisas avançar. Nós queremos fazer deste um processo transparente para que os consumidores vejam quais os valores que estão envolvidos”, vincou.

Por sua vez, o ‘VP Zero Emission Aircraft’ da Airbus, Glenn Llewellyn, destacou que a utilização de SAF “é um passo importante, do ponto de vista tecnológico” para reduzir as emissões, acrescentando que a empresa vai aumentar, nos próximos anos, a aposta neste combustível.

“A Tesla apresenta carros elétricos e nós vamos fazer algo semelhante com as aeronaves. A transição energética é também um desafio económico”, assinalou.

O ‘aviation president’ da Total Energies, Joël Navaron, que também foi um dos oradores convidados nos ‘Conecting Europe Days’, pediu mais incentivos à produção, o que defendeu ser “um primeiro passo”, lembrando que o preço só diminui à medida que o volume de combustível também avança.

“O melhor combustível é aquele que não arde […]. Os legisladores, as companhias e todo o setor têm que trabalhar em conjunto para encontrar a direção certa”, concluiu.

De acordo com dados de Bruxelas, a produção e o uso de combustíveis sustentáveis na aviação (SAF), em 2020, representou menos de 0,05% do total no setor.

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