Comentário. Banif, a penny stock portuguesa

O Banif, que em capitalização bolsista soma aproximadamente 55 milhões de euros, comporta-se ao estilo das penny stocks americanas.

Só esta quinta-feira a desvalorização diária do Banif chegou aos 30%. O preço por acção fixa-se agora nos 0,001 euros, isto é, 10% de um cêntimo. Quando mais baixo o valor do ativo, maior a variação relativa causada pela mexida mínima nominal do título. Quando mais se arrasta o processo de aprovação do plano de reestruturação do banco por parte da Comissão Europeia, mais valor perde a empresa do setor bancário. Os investidores aproveitam assim para ganhar com as diferenças diárias do preço, podendo desta forma realizar ganhos diários superiores a dois dígitos.

Em contra-ciclo, segue o resto da banca. BCP e BPI ganham depois da Fitch ter anunciado que espera melhorias no sector, durante o próximo ano, suportadas pela queda nos custos de financiamento, redução dos custos de estrutura e melhoria na qualidade dos créditos. São dados que, ao serem confirmados, permitirão a melhoria nos rácios de solvabilidade das instituições portuguesas, revestindo-se assim de maior capacidade de enfrentarem desafios causados pelos impactos negativos da economia.

Hoje ainda foram conhecidos os dados relativos às exportações portuguesas, demonstrando a dependência das empresas portuguesas de mercados que atravessam dificuldades financeiras. Dos dados conhecidos sabemos que mais de 70% das empresas que exportam para Angola tem mais de 50% da facturação dependente desse país. Metade das empresas dependem exclusivamente dessa economia. Situação semelhante é observada no que diz respeito à economia brasileira. As quedas do preço do petróleo têm fragilizado estas economias, começando a reflectir-se no número das importações realizadas.

A respeito do preço do petróleo, a OPEP anunciou um novo aumento da quantidade de barris/dia durante o mês de Novembro, máximos dos últimos três anos. A luta pelas quotas de mercado tem levado muitos países do médio oriente a elevarem as quantidades produzidas diariamente. Até que se observe uma verdadeira redução do output, é provável continuarmos a assistir a uma queda nos preços do ouro-negro, com prejuízo para os activos de risco das principais praças mundiais.

Por Pedro Ricardo Santos,
gestor da XTB Portugal 

Recomendadas

Reserva Federal volta a ‘dar a mão’ a Wall Street

Tal como sucedeu na semana passada, a Fed teve de insistir na diminuição do ritmo da subida das taxas de juro para alavancar um dia que acabou por ser positivo. O mercado está a precisar da atenção do banco central.

Reserva Fedrela diz que aumento das taxas de juro pode desacelerar em dezembro

O presidente da Reserva-Feral norte-americana, Jerome Powell, considerou esta quarta-feira, ser provável que o aumento das taxas de juro possa desacelerar já em dezembro. Mas os valores vão permanecer altos.

Energia dá impulso à Bolsa de Lisboa. Europa fecha no verde em dia marcado pela inflação

O mercado esperava que a inflação do IPC na zona do euro desacelerasse de 10,6% em Outubro para 10,4% em Novembro (variação anual). A leitura real mostrou uma desaceleração para 10,0% num ano. Os juros soberanos sobem. As ações também.