Comentário. À boleia das minutas

Os mercados financeiros negoceiam esta quinta-feira à boleia das minutas quarta-feira divulgadas pela FOMC.

Os mercados financeiros negoceiam esta quinta-feira à boleia das minutas quarta-feira divulgadas pela FOMC. Apesar do maior consenso em torno de um aumento da taxa de juro em dezembro, o documento refere ser necessário observar os dados da economia, até que a decisão seja tomada. Neste âmbito, o próximo NFP assume particular importância por ser dos indicadores mais relevantes, até meados do próximo mês.

Apesar desta convicção, os índices acionistas seguem a negociar no positivo, uma vez que os aumentos esperados para o próximo ano, não ultrapassam o ponto percentual, não afetando, portanto, as decisões de consumo e investimento. Há até sectores beneficiados por este incremento, particularmente o bancário, que vê assim as suas margens aumentarem.

Não obstante, o dólar segue a perder terreno em movimento corretivo. A tomada de mais-valias dos investidores tem levado à venda da moeda, provocando uma subida ligeira do par cambial EURUSDAs fortes quedas de ontem impulsionadas essencialmente pelas declarações de Lockhart, governador do Banco de Atlanta, levaram o ativo a registar novos mínimos relativos.

A praça portuguesa negoceia em alta, à boleia das praças do Velho Continente. A retalhista Jerónimo Martins continua a ser pressionada com as notícias que vêm da Polónia. O novo governo conservador, que saiu vitorioso das últimas eleições, já tinha prometido taxar o sector da distribuição. Este aumento da carga fiscal esmaga as margens da empresa com naturais reflexos nos resultados consolidados do grupo.

O sector bancário continua a beneficiar das quedas generalizadas das yields da dívida portuguesa a 10 anos. Desde o fecho de ontem, a taxa de juro já caiu cerca de 10 pontos base, estando cada vez mais próxima dos níveis anteriores às eleições legislativas. A banca portuguesa exposta a dívida soberana acaba por ganhar com este movimento que é justificado pelo patrocínio do BCE que, mensalmente, continua a comprar dívida no mercado secundário.

Ações

Mota-Engil: num comunicado relativo aos resultados trimestrais, o grupo obteve cerca de 3.47 milhões de euros em lucro, um valor muito abaixo dos  18.9 milhões de euros estimados.

Cimpor – apresentou resultados negativos face ao ano anterior, com uma variação do EBITDA de -14.2%, enquanto o resultado líquido, relativamente às operações até Setembro, se fixou num prejuízo de 42.7 milhões de euros.

Jerónimo Martins: as vantagens fiscais de ter a sede na Polónia vão deixar de ser tão atrativas para o grupo de retalho, uma vez que o governo polaco anunciou a introdução de impostos progressivos sobre as cadeias de supermercados.

Sessão Europeia

As principais praças europeias abriram mais uma vez a valorizar, provando o registo positivo que já verificamos desde o início da semana, apesar da queda na segunda-feira provocada pelos ataques terroristas. No dia de ontem, as fortes valorizações foram impulsionadas pela divulgação das minutas da última reunião da FED, que mostraram que a maioria dos membros apoia a subida das taxas de juro, já em Dezembro. Hoje, essas notícias continuam a apoiar as valorizações desta sessão, sendo de esperar que os índices continuem este movimento altista.

O PSI20 segue em tendência com as outras bolsas europeias, sendo das praças que mais tem valorizado esta semana. Para além das recentes notícias que têm provocado esta boa reação dos índices, uma possível resolução da instabilidade política interna têm assim ajudado o índice português a obter estes resultados bastante positivos. O sector bancário, mais uma vez, demonstra uma boa performance, apenas com Banif a variar ligeiramente. As melhores variações a pertencer à Altri, EDP Renováveis, NOS e Galp. Em sentido contrário e pela negativa temos as cotadas Jerónimo Martins, Mota Engil e Pharol.

Sessão Asiática

As ações japonesas subiram nesta madrugada de quinta-feira, com um dólar cada vez mais forte contra o iene, que vem dar continuidade ao apetite pelo risco dos investidores. Quanto ao Banco do Japão, manteve seu ritmo atual na compra de ativos.

O Nikkei subiu 1,1% para terminar o dia nos 19,859.81 pontos, um novo máximo dos últimos três meses.

Na reunião de hoje, durante a noite, o Banco do Japão manteve o seu ritmo atual de estímulo monetário, sinalizando a esperança para a recuperação económica, apesar das preocupações sobre as despesas de capital nacional e temores persistentes sobre uma desaceleração económica global.

O Topix subiu 0,9% para terminar o dia nos 1,600.38 pontos com quase todos os seus 33 sub-índices em território positivo.

Nas restantes praças asiáticas, a China fechou no verde, com os seus dois índices de referência em território positivo. O Shanghai Composite e o CSI 300 fecharam nos 1,36% e 1,60% respetivamente. Na Coreia do Sul, o Kospi também subiu 1,39% e na Austrália o S&P com uma subida de 2,13%, deixou assim a Ásia-Pacífico com um registo muito positivo para o dia de hoje.

Análise técnica e fundamental

FOREX – EURUSD H1 – A apontar para os mínimos do ano

As minutas da FED de ontem praticamente confirmaram que o conforto para existir um aumento da taxa de juro, em Dezembro, é total. Assim, o dólar desvalorizou ligeiramente mas, prontamente, recuperou a tendência real e valorização. O EURUSD testou a zona dos 1,0720 reagindo já em baixa e apontando mesmo para os mínimos do ano. A ideia é então estar curto, com stop acima do máximo de hoje, 1,0720 e take profit nos mínimos de ontem, nos 1,0620.

MATÉRIAS-PRIMAS – COPPER

Nestas últimas semanas, têm estado em evidência as fortes quedas verificadas em várias matérias-primas. Sendo que, uma das que mais tem impressionado é claramente o cobre, que recentemente quebrou em baixa o importante suporte dos 5.188 dólares. Em termos fundamentais, o facto de termos um dólar cada vez mais valorizado e ainda uma economia chinesa, maior consumidora deste ativo, a apresentar sérios abrandamentos, constituem as principais razões para conseguirmos identificar uma tendência tão forte de queda. No que diz respeito a targets, o objetivo agora será testar os mínimos de 2008, por volta dos 2.806 dólares.

Por Pedro Ricardo Santos, 
Gestor da XTB Portugal

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