Comentário. Dia da decisão da Fed

Hoje é o dia mais esperado dos últimos meses, com 50% dos economistas inquiridos pela Bloomberg a esperarem uma subida das taxas de juro. De forma mais pessimista, os futuros da Fed funds rate descontam uma probabilidade de subida das taxas de apenas 23%, não havendo alteração face às expectativas implícitas de ontem. Além da decisão sobre […]

Hoje é o dia mais esperado dos últimos meses, com 50% dos economistas inquiridos pela Bloomberg a esperarem uma subida das taxas de juro. De forma mais pessimista, os futuros da Fed funds rate descontam uma probabilidade de subida das taxas de apenas 23%, não havendo alteração face às expectativas implícitas de ontem. Além da decisão sobre as taxas, o mercado estará expectante para conhecer as perspetivas futuras (guidance), as projeções económicas e o número de membros em discordância.

Os indicadores macroeconómicos dos EUA têm sido bastante mistos nos últimos meses, aproximando-se do pleno emprego no mercado laboral e havendo um mercado imobiliário estável mas com a inflação ainda abaixo do objetivo de 2% e as vendas a retalho a serem pouco entusiastas. Além disso, os recentes dados sobre a produção industrial e a manufatura são relativamente fracos.

Caso a Fed opte por subir hoje as taxas, o ativo mais favorecido deverá ser o dólar americano. Neste cenário, os ativos mais prejudicados seriam o ouro, os mercados obrigacionistas e os índices acionistas, sobretudo no segmento emergente. Outros perdedores deverão ser as matérias-primas relacionadas com o crescimento económico e cotadas em dólares americanos, como o crude, o cobre ou o zinco.

Caso a Fed opte por não subir as taxas de juro, o ativo mais favorecido deverá ser os índices acionistas, com os investidores a verem uma oportunidade para comprar mais ações a três meses de distância da próxima reunião da FOMC.

No anúncio desta manhã, o SNB reiterou que o franco suíço está ainda substancialmente forte, embora reconheça que o franco suíço se desvalorizou. O banco central suíço vai continuar ativo se necessário e baixou as perspetivas para a inflação no consumidor em 2015 de -1% para -1,2%.

Um sismo de magnitude 8,3 no Chile, que desencadeou um aviso de tsunami e a evacuação da costa do Chile, impulsionou os futuros do cobre. A empresa estatal CODELCO suspendeu a produção na mina Andina e a Antogafasta (ANTO), empresa cotada em Londres, suspendeu os trabalhos em duas minas, levando a ação a cair 0,50%.

Nos mercados acionistas europeus, o sector financeiro apresenta o melhor desempenho, com o Deutsche Bank e o Banco Popular a valorizarem, após as suas ações terem sido alvo de upgrade por diferentes casas de investimento internacional. Nota para a Altice, que valoriza 5,51% num dia em que confirmou a compra da norte-americana Cablevision por USD 34,90 por ação, para poder expandir-se nos EUA.

PSI 20 iniciou sessão a desvalorizar marginalmente, apesar das valorizações dos seus congéneres europeus. A diferença no desempenho justifica-se pela ponderação relevante da Jerónimo Martins no PSI 20, uma vez que abriu a cair 1,71%. A Mota-Engil sobe em contraciclo com a sua congénere Teixeira Duarte, num dia em que o administrador António Mota volta a sinalizar confiança na empresa ao aumentar a sua participação pessoal para 2,67%. Destaque para a Pharol, que dispara 3,18% após a Oi (principal ativo da empresa) terminar a sessão de ontem a subir quase 10%. No PSI Geral, a Corticeira Amorim cai 3,19% após concluir com sucesso a venda de ações próprias através de um processo de accelerated bookbuilding.

Steven Santos, gestor do Banco BiG

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