Comentário: O dia do mês mais importante para os mercados

O dia mais importante do mês para os mercados é esta sexta-feira. Dia de NFP, dia em que os mercados irão fundamentar expectativas relativas ao timing do aumento das taxas de juros, nos EUA. O facto dos principais membros da FED terem atribuído maior importância aos fatores endógenos da economia americana reveste o indicador divulgado […]

O dia mais importante do mês para os mercados é esta sexta-feira.

Dia de NFP, dia em que os mercados irão fundamentar expectativas relativas ao timing do aumento das taxas de juros, nos EUA.

O facto dos principais membros da FED terem atribuído maior importância aos fatores endógenos da economia americana reveste o indicador divulgado esta sexta-feira de especial relevância. O valor será divulgado às 13h30, hora portuguesa.

A expectativa ronda os 180 mil novos postos de trabalho criados, o mesmo número do ADP de quarta-feira. Trata-se de um aumento face ao mês anterior. Considerando a taxa de desemprego cada vez mais próxima do seu nível natural, torna-se cada vez mais difícil observarmos NFP como os de Novembro de 2014 (353 mil).

Assim, somando a redução dos inventários observados nos últimos indicadores, não será estranho que o emprego criado no mês anterior se fixe em valores muito próximos dos de Setembro (142 mil).

As bolsas do Velho Continente abriram a perder, refletindo ainda a quebra das encomendas às fábricas da Alemanha, onde o caso dieselgate tem responsabilidades, e a quebra da produção industrial anunciada esta manhã.

A economia motriz da zona euro atravessa uma das fases mais críticas dos últimos anos, com os reflexos do abrandamento a chegar aos vários indicadores. Este facto deve constituir motivo de preocupação para os restantes países da zona monetária única, na medida em que o arrefecimento do gigante poderá ter impacto nas economias com as quais mantém estreitas relações comerciais.

Uma das exceções esta manhã era o PSI20, que negociava à boleia da Jerónimo Martins. A retalhista apresentou ontem os seus resultados relativos ao trimestre anterior. O EBITDA e o resultado líquido foram superiores às melhores expectativas para a empresa. Tanto o mercado português, como o polaco apresentaram melhorias nas vendas demonstrando a capacidade de crescimento da marca em cada uma das economias. A Acão sobe hoje impulsionada pelo anúncio de dividendos prometidos ainda para este ano.

Ações

Standard Chartered Plc: agência de rating Fitch baixou o ranking do banco londrino de A+ para AA-, justificando a alteração com a perspetiva negativa dos resultados projetados e qualidade dos seus ativos. Apesar dos esforços da nova gestão de topo para ultrapassar estes desafios, através do financiamento em 5.1 biliões de dólares, despedimento de milhares de colaboradores e desinvestimento em ativos de risco, as ações estão a desvalorizar cerca de 35%, face ao princípio do ano.

Sessão Europeia

As principais praças europeias acordaram mistas neste último dia da semana, sem grandes variações percentuais. Numa semana repleta de novos dados económicos e declarações que poderiam indicar novos rumos nos mercados, fica em memória a manutenção da taxa de juro no Reino Unido e as declarações do presidente Draghi que em nada adiantou quanto a um possível alargamento do QE. Todos estes adiamentos têm provocado este atraso e incerteza nos mercados, o que a juntar-se à saída ainda hoje dos dados do NFP dos EUA, os investidores aguardem para negociar, o que de forma, provoca esta sessão mista nos mercados europeus.

O PSI20 está a surpreender os mercados, sendo dos poucos índices a valorizar no dia de hoje. Apesar da instabilidade política interna e incertezas a nível mundial, o índice português segue a negociar em terreno positivo. Em destaque e a ajudar a esta valorização, estão os resultados empresariais positivos que saíram no dia de ontem.

O sector bancário finalmente a reagir positivamente depois das quedas das últimas sessões, sendo que apenas o BCP apresenta uma desvalorização muito ligeira. Pelo lado positivo temos também as cotadas da Jerónimo Martins, Semapa, Sonae e Mota Engil. Em sentido contrário e pela negativa estão os títulos da Pharol, Ren e NOS.

Na Alemanha, a produção industrial do mês de Setembro saiu abaixo do esperado ( -1,1% vs exp. 0,5%).

No Reino Unido, a produção manufatureira do mês de Setembro revelou-se acima das expectativas (0,8% vs exp. 0,4%).

Sessão Asiática

Durante a madrugada desta sexta-feira, as ações japonesas voltaram a subir, completando assim um terceiro dia de ganhos. O iene mais fraco ajudou também o sentimento enquanto os investidores aguardam cuidadosamente os dados do emprego dos EUA previstos para as 13h30 do dia de hoje.

O Nikkei subiu 0,8% para os 19,265.60. Na semana, o índice ficou positivo em cerca de 1% e conclui assim a sua terceira subida semanal consecutiva. O Topix também subiu 0,6% alcançando os 1,563.59.

Já as ações asiáticas caíram no dia de hoje. Os investidores esperam também pelos dados do emprego americanos e com isto tentam perceber se há ou não a pressão da FED aumentar as taxas de juro ainda este ano.

O Shanghai Composite alcançou assim uma semana muito positiva ao estender os seus ganhos de quase 2%, colocando-se no caminho certo para um salto de 6,2% na semana. O CSI não ficou atrás e fechou a ganhar 2,36%.

Análise técnica e fundamental 

FOREX

GBPUSD H1 – Banco de Inglaterra leva mercado a enfraquecer a libra

Embora ontem, na decisão de taxa de juro do Banco de Inglaterra, não tenhamos assistido a nenhuma alteração, o BoE a reviu em baixa as suas expectativas de inflação para 2017, o que levou o mercado a expectar uma manutenção das taxas a 0,5% por bastante mais tempo. Isto, obviamente, levou a um enfraquecimento da libra e com a recente valorização do dólar, o GBPUSD caiu de forma impulsiva, podendo manter hoje essa mesma tendência. A ideia é então shortar com stop nos 1,52 e take profit nos 1,51.

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MATÉRIAS-PRIMAS

SOYOIL D1

A forte correlação inversa entre o dólar e matérias-primas como o óleo de soja é evidente. Maus dados, hoje, podem colocar um aumento de taxa em 2015 fora de questão. Assim, o risco de uma correção no dólar é uma realidade. Bons dados também não garantem um aumento. Movimentos mais impulsivos podem acontecer no caso de termos dados muito negativos. Com várias matérias-primas em zona de break out, destaco o óleo de soja, que parece retomar a tendência descendente em direção ao mínimo de 2014, assim pode hoje quebrar o suporte do triângulo de médio prazo e despoletar movimentos interessantes.

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Por Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal

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Wall Street negocia misto no início da sessão

“A revelação de que as empresas norte-americanas registaram o nível de contratação mais baixo em quase dois anos e a um ritmo bastante inferior ao previsto até poderia fazer acreditar que uma maior fraqueza no mercado laboral poderia levar a Fed a ser mais paciente com a subida de taxas de juro. No entanto, o efeito não se fez sentir nos mercados, que aguardam por um discurso de Jerome Powell, pelas 18h30h de Lisboa, o que pode justificar a passividade”, explica Ramiro Loureiro, analista de mercados do Millennium investment banking.

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O IGCP, segundo dados da Bloomberg, citados pela Lusa, recomprou 250 milhões de euros nas obrigações com maturidade em outubro de 2023 e 1,15 mil milhões de euros nos títulos com maturidade em fevereiro de 2024.