Comentário. O efeito da subida da taxa nos EUA

Ao fim de nove anos a taxa de juro sobe pela primeira vez nos EUA. Apesar de ter sido uma decisão esperada, subida de 25 pontos base na taxa diretora da FED, os impactos nos principais ativos não se fizeram esperar.


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Essa volatilidade não resultou contudo apenas da variação do valor fixado, mas também do discurso da chair-woman do Banco Central mais poderoso do Mundo. Aqui as surpresas apareceram. Yellen mostrou-se menos dovish do que o mercado esperava, demonstrando alguma confiança na evolução da economia no próximo ano, sem contudo mostrar preocupação relativamente à evolução da inflação. Palavras que fizeram o dólar americano valorizar frente às principais divisas mundiais. Contudo, a compra em massa da divisa americana poderá sofrer nos próximos dias uma inversão, fruto da proximidade do final do ano.

Muitos investidores começam a largar as suas posições, realizando assim mais-valias, adiando para 2016 novas entradas vendedoras. Assim, confiança, mas novos movimentos fortes de queda apenas devem surgir com o EURUSD a tocar nos 1,10 e USDJPY nos 121.

O efeito da alteração de política monetária também se faz sentir deste lado do Atlântico. Praticamente todas as praças do Velho Continente estão a negociar no verde, animadas pelo apetite pelo risco. Duas razões fundamentam este movimento. Por um lado, começamos a assistir a fluxos de capitais a migrarem dos Estados Unidos para a Europa, consequência da divergência de políticas monetárias. Por outro, os sectores mais dependentes da fraqueza do euro, industrial, automóvel, entre outros, começam a registar ganhos na perspetiva do aumento da respetiva competitividade. É ainda importante frisar a intenção da FED em manter os atuais níveis de compra de obrigações, isto é, continuar a injetar liquidez no mercado, resultando na habitual procura por ativos de risco.

O petróleo continua a dar sinais de fraqueza. Ontem, mais uma vez, os inventários da matéria-prima nos Estados Unidos revelaram uma diminuição da procura. Se a isso somarmos as perspetivas de valorização do dólar, não é difícil antever quedas acentuadas no preço do ouro-negro. É provável que ainda antes da recuperação vaticinada pela OPEP, o preço do ativo toque nos 30 USD por barril. Contudo, apesar dos efeitos benéficos no orçamento de estado e importações, não podemos esquecer as consequências indiretas negativas, a médio-prazo, para a nossa economia, muito dependente das exportações e investimento de países muito dependentes da produção desta matéria-prima.

Ações

Oracle – a subida da taxa de juro norte-americana e consequente valorização do dólar teve um impacto negativo nos resultados trimestrais desta empresa, apesar das operações relacionadas com a colud (armazenamento de dados, software, plataformas, entre outros, online) estarem muito consolidadas e a crescer. Com uma desvalorização recente motivada por fatores externos, esta ação apresenta bom potencial para entradas compradoras uma vez que a sua tecnologia principal deverá ser adotada globalmente nos próximos anos.

Gamesa – o grupo de energético espanhol obteve um contrato para a construção de um parque eólico de 100 megawatts na Índia, assinado com a Tata Power. A Gamesa tem vindo a consolidar-se nos últimos anos como uma das principais produtoras de energia renovável e deverá crescer ainda mais nos próximos anos dada a transição em curso de consumo de recursos fósseis para a produção de recursos sustentáveis que permitam uma fonte de energia limpa e amiga do ambiente.

Sessão Europeia

As principais praças europeias despertaram esta manhã em alta com variações muito significativas. Depois do dia de ontem, onde a FED anunciou um aumento das taxas de juro nos EUA, vimos os mercados europeus a reagir de acordo com o esperado, dando força à tendência altista que foi travado há semanas atrás. Apesar do discurso de Yellen ter sido um pouco conservador, vimos os mercados a valorizar reagindo positivamente a essas declarações. Este poderá ser assim o impulso que faltava para que os mercados regressem às valorizações.

O PSI20 segue em tendência com os restantes índices europeus, sendo das bolsas que melhor estão a reagir face a este aumento das taxas de juro nos EUA. Com estes resultados, vemos assim o dólar a valorizar e as empresas europeias a aumentar a sua competitividade em relação às empresas americanas. Todas as cotadas do índice português encontram-se em terreno positivo, com especial destaque para Banif que mais uma vez teve um excelente desempenho depois da queda apresentada, bem como, os títulos da Pharol, Altri, Semapa, Sonae e Teixeira Duarte com excelentes valorizações.

Sessão Asiática

As bolsas da Ásia subiram nesta madrugada de quinta-feira, os investidores acreditavam que as taxas de juro iam de facto aumentar e optaram por esta caminhada histórica confiando assim na maior economia do mundo. Por outro lado, a valorização do dólar tem levado os preços do petróleo cada vez mais para a linha de água, o que começa a ser absurdo para os exportadores desta matéria-prima.

O Nikkei não foi exceção e subiu 1,6%, alcançando os 19353.56 pontos, voltando assim no caminho certo para testar a sua resistência dos 20000 pontos. Estes 1,6% representam o seu nível mais alto de fecho desde o dia 8 de Dezembro. Quanto ao Topix, com a exceção dos seus 33 sub-índices, também subiu e subiu 1,24%, uma marca interessante que o leva aos 1219,60 pontos.

Nas restantes praças asiáticas o bom desempenho também se verificou, na China, o Shanghai Composite e o CSI300 subiram 1,81% e 1,91% respetivamente, na Coreia do Sul, o Kospi apesar de não ter sido nada de significativo, conseguiu fechar no verde a subir 0,28% e na Austrália, o S&P subiu 1,46%.

Análise técnica e fundamental

FOREX

EURUSD H1 – A iniciar a já esperada queda

Depois do já esperado aumento da taxa de juro dos EUA, mesmo com uma conferência não tão hawkish como o mercado esperava, acabamos por ver mesmo assim o USD a ser alvo de fortes compras, tomando agora, o EURUSD, o caminho baixista que já seria esperado. A ideia passa então por permanecer com a aposta na continuação baixista, estando curto no mercado com stop nos 1.0925 e take profit nos 1.0752

USDCHF

Liftoff nas taxas favorece o dólar, mas o discurso dovish e as projeções “dot plot ” revistas em baixa, limitaram as oscilações e criação de tendências fortes. O facto de o aumento estar descontado resultou num liftoff tímido mas que provou aos célticos de que seria possível inverter o ciclo de facilitismo sem que o mercado entrasse em colapso.

Por Pedro Ricardo Santos,
gestor da XTB Portugal 

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Lagarde avisa que taxas de juro vão continuar a subir

Dados da inflação na zona euro em novembro vão ser conhecidos esta semana. BCE reúne-se em meados de dezembro.

Wall Street começa semana em terreno negativo

O Dow Jones começou o dia em Wall Street a perder 0,23% para 34.269,38 pontos, o S&P 500 a ceder 0,59% para 4.002,33 pontos e o tecnológico Nasdaq a recuar 0,38% para 11.183,44 pontos.