Comentário: Pharol perde 3% fruto de resultados da Oi

Em dia de alguma indefinição nos mercados financeiros, o principal evento foi atribuído ao discurso de Mario Draghi, nomeadamente à frase de que a evolução da inflação na zona euro revela “somewhat weakend”. A debilidade de que fala o presidente do BCE é entendida como um claro sinal à possibilidade de aumento do programa de […]

Em dia de alguma indefinição nos mercados financeiros, o principal evento foi atribuído ao discurso de Mario Draghi, nomeadamente à frase de que a evolução da inflação na zona euro revela “somewhat weakend”. A debilidade de que fala o presidente do BCE é entendida como um claro sinal à possibilidade de aumento do programa de estímulos monetários, seguido pelo banco central. Resta saber se o presidente do BCE tem a coragem necessária para enfrentar uma Alemanha que começa a revelar preocupação com os riscos de uma política monetária expansionista, durante muito tempo.

O evento, que não é evento, foi o cancelamento do discurso de Yellen. Aguardavam-se palavras que permitissem formular expectativas sobre o timing para o aumento da taxa de juro nos Estados Unidos. A mudança de planos na agenda do dia trouxe alguma força vendedora ao dólar.

Na praça nacional, o destaque do dia vai para a Pharol. O título perde mais de 3% empurrado pelos resultados negativos da participada brasileira. A Oi apresentou um prejuízo de 197 milhões de euros, nos primeiros nove meses do ano, sobretudo devido à descontinuidade do negócio da PT Portugal. Estes números revelam também a necessidade de fusão com a gigante TIM a fim de manter as ambições para os mercados do sul da América.

O dia foi ainda marcado por nova queda da petrolífera nacional, os preços do petróleo continuam a ditar a evolução do preço da Galp. A aproximação aos 40 dólares por barril faz tremer os investidores mais expostos à empresa. O relatório da OPEC divulgado, ao início da tarde, revela que o nível de oferta actualmente é o mais elevado dos últimos 10 anos. A este respeito, não parece existir, para já, uma tentativa de reversão da situação por parte do maior cartel do sector. A Arábia Saudita mantém os poços na capacidade normal, na tentativa de ganhar mercado em detrimento dos países com maiores custos de produção. O Iraque, o segundo maior produtor, continua a aumentar a quantidade que diariamente é produzida. Há minutos foram divulgados os inventários da matéria-prima nos Estados Unidos. O valor registado ultrapassou as melhores previsões, passando mesmo o número que havia sido observado na semana passada. Indubitavelmente, este cocktail de dados continuará a pressionar o preço do ouro-negro para baixo.

Por Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal 

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