Comentário. Reunião do BCE. O evento mais relevante

A taxa de juro aumentará nos EUA? O que vai o BCE comunicar esta semana? Pedro Ricardo Santos antecipa uns dias de animados nos mercados bolsistas.

 Dados do PMI chinês foram conhecidos está madrugada. Apesar da contração observada e esperada, os mercados asiáticos encerraram a sessão em claro movimento altista, evidenciando o facto de qualquer apontamento negativo na segunda economia mundial estar já descontado no preço dos principais activos de risco.

Este facto, aliado às fortes expectativas que mais facilitismo resulte da reunião de quinta-feira do BCE, deve favorecer os movimentos positivos nas principais praças europeias. A dúvida tantas vezes levantada é se este evento não está já completamente descontado no preço dos ativos. A resposta é em parte afirmativa, contudo o cada vez maior consenso entre agentes de mercado favorece ainda mais a volatilidade.

De resto, isso mesmo se aplica ao evento mais aguardado do ano, a subida da taxa de juro nos EUA. Apesar do dólar e activos de risco já preverem esse movimento, dados da economia que o fundamentam criam, por exemplo, acentuadas valorizações na greenback.

Em termos específicos, a praça portuguesa continua a ser marcada pelas fortes desvalorizações da Pharol. A empresa segunda-feira os resultados relativos aos primeiros nove meses do ano com registo de vincados prejuízos. A cotada brasileira, detida em 27,5% pela Pharol, está a ser afectada pela recessão na economia brasileira que continua a dar sinais de profunda contracção.

Ao mesmo tempo, os investidores parecem acreditar nos rumores ontem divulgados de que o Banif terá novo interesse até final do ano. A penny stock portuguesa segue a valorizar mais de 4%.

Ações

Alstom (ALO.FR) – o grupo de engenharia francês obteve mais um contrato de transporte ferroviário na Índia, num projecto que regista uma facturação total de 3,7 mil milhões de euros. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, está a investir consideravelmente neste setor pois a rede de transportes da Índia está desactualizada e sobrecarregada em termos de capacidade.

Sonae Indústria – estabeleceu uma parceria com a chilena Arauco, possibilitando a criação de uma joint venture orientada para as operações na Europa e África do Sul, que permitirá acelerar a reestruturação em curso na SI.

Sessão Europeia

– As principais praças europeias abriram em alta, no entanto, sem grandes variações significativas. Segunda-feira os mercados abriram a valorizar mas a sessão europeia encerrou mista devido à expectativa em relação à reunião do BCE. Este será o evento mais relevante da semana, que determinará o futuro da economia europeia, e daí os investidores encontrarem-se mais tímidos, apesar de os índices estarem com uma tendência altista devido à valorização do dólar.

– O PSI20 abriu em linha com os mercados europeus, sendo o índice que mais valoriza até ao momento. O índice português segue mesmo imparável com todos os activos em terreno positivo, à excepção de três títulos que não apresentam qualquer variação sendo estes o Banif, Semapa e Teixeira Duarte. O sector bancário segue em alta com as valorizações de BCP e BPI. Impresa, Pharol, CTT e Ren são as outras cotadas com excelentes performances.

 Sessão Asiática

Durante a madrugada de terça-feira, as ações japonesas recuperaram e atingiram a marca de 20 mil pontos, pela primeira vez em mais de três meses, no entanto, ainda não fez o breakout com a força que os investidores tanto esperam.

Na sessão, Nikkei subiu 1,3% e terminar o dia nos 20.012,40 pontos. Foi a primeira vez desde 20 de agosto que o índice de referência fechou acima de 20.000 pontos.

O Topix  subiu 1,4% para 1.601,95 pontos com quase todos os seus 33 sub-índices em território positivo no final da sessão.

Na China, o Shanghai Composite e o CSI300 subiram 0,32% e 0,71% respectivamente com os investidores agarrados a alguns sinais preliminares de estabilização do país mas sempre conscientes da fragilidade desta economia.

Nas restantes praças asiáticas, o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 1,83% e na Austrália, o S&P com uma performance de 1,93% deixando assim toda a Ásia-Pacífico no verde.

Análise técnica e fundamental

FOREX

GBPCHF – Bearish shark setup

O GBPCHF está a consolidar nos 61,8 da retracção em D1, este nível coincide com a activação de um setup baixista “Shark” e ainda com os 61,8 projecção do primeiro movimento altista desta recuperação, assim como o teste do limite superior da cunha descendente e o nível onde o activo negociava quando abdicou do CAP contra o euro. Esta zona apresenta ainda divergências em D1. Parece um nível interessante para colocar uma ordem de venda, com stop acima da resistência pelo perfil de rentabilidade vs risco nesta zona.

Por Pedro Ricardo Santos,
gestor da XTB Portugal 

Recomendadas

Reserva Federal volta a ‘dar a mão’ a Wall Street

Tal como sucedeu na semana passada, a Fed teve de insistir na diminuição do ritmo da subida das taxas de juro para alavancar um dia que acabou por ser positivo. O mercado está a precisar da atenção do banco central.

Reserva Fedrela diz que aumento das taxas de juro pode desacelerar em dezembro

O presidente da Reserva-Feral norte-americana, Jerome Powell, considerou esta quarta-feira, ser provável que o aumento das taxas de juro possa desacelerar já em dezembro. Mas os valores vão permanecer altos.

Energia dá impulso à Bolsa de Lisboa. Europa fecha no verde em dia marcado pela inflação

O mercado esperava que a inflação do IPC na zona do euro desacelerasse de 10,6% em Outubro para 10,4% em Novembro (variação anual). A leitura real mostrou uma desaceleração para 10,0% num ano. Os juros soberanos sobem. As ações também.