Comentário. Syriza deve ganhar eleições gregas

Confirmando as sondagens, o Syriza deve ganhar as eleições de domingo, evitando o cenário de um governo minoritário. No mercado cambial, há indicações em pré-mercado de que o EUR/USD está a cair ligeiramente, num comportamento díspar das quedas violentas registadas depois do referendo de 5 de julho. Embora o abrandamento económico da China e o […]

Confirmando as sondagens, o Syriza deve ganhar as eleições de domingo, evitando o cenário de um governo minoritário.

No mercado cambial, há indicações em pré-mercado de que o EUR/USD está a cair ligeiramente, num comportamento díspar das quedas violentas registadas depois do referendo de 5 de julho.

Embora o abrandamento económico da China e o próximo passo da Reserva Federal tenham absorvido todas as atenções dos investidores no último mês, as eleições gregas de hoje comportavam o risco de não existir um vencedor claro, o que aumentaria a instabilidade dentro do governo e poderia dificultar a implementação das reformas tão necessárias para reconstruir o país. Com os resultados até agora conhecidos, este fator de risco político parece ter sido afastado.

Todavia, com os gregos a reelegerem o partido de Tsipras e a reforçarem a sua legitimidade política, há a ameaça de que o Syriza incremente a sua retórica anti-austeridade nas próximas semanas, o que teria uma leitura negativa para os índices acionistas europeus, sobretudo para o índice grego ASE, que subiu cerca de 23% desde os mínimos registados a 24 de Agosto.

Para as ações portuguesas e as Obrigações do Tesouro, o impacto específico das eleições gregas deverá ser diminuto, uma vez que o mercado continua a não penalizar Portugal devido ao comportamento mais ou menos errático da Grécia. Como prova disso, a agência S&P melhorou o rating soberano poucos dias antes das eleições na Grécia e apenas duas semanas antes das eleições legislativas em Portugal. Se a S&P receasse um eventual contágio negativo da Grécia a Portugal, teria provavelmente aguardado os desenvolvimentos políticos antes de concretizar o upgrade ao rating soberano.

Qualquer variação registada amanhã deverá dever-se mais à influência dos índices europeus do que a associações específicas a Portugal. De facto, a correlação positiva entre a Grécia e Portugal, que atingiu níveis extremos em 2012, parece fazer parte do passado, o que revela bem o caminho positivo que a perceção externa de Portugal trilhou.

Steven Santos, gestor do BiG

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