Comentário. Tomada de mais-valias domina

A tomada de mais valias é hoje o sentimento dominante no mercado. Correções técnicas às fortes subidas nos índices são observadas no final da semana.

A tomada de mais valias é esta sexta-feira o sentimento dominante no mercado. Correcões técnicas às fortes subidas nos índices são observadas no final da semana, com os investidores a evitarem deixar posições abertas durante o fim-de-semana, recordando os fortes gap de abertura da passada segunda-feira. Os drivers do mercado continuam a ser a expectativa de subida dos juros, por parte da FED e os respectivos impactos nos índices, matérias-primas e yields. Já ontem, foi possível observar uma forte correcção do dólar, num movimento meramente técnico de tomada de mais valias.

A sessão europeia não foge à regra. Se na abertura existiam algumas praças a negociar acima da linha de água, aquelas que agora permanecem nesse registo são uma excepção. A queda das matérias-primas penaliza os sectores mais sensíveis às suas variações. A banca europeia não foge ao sentimento de aversão ao risco, com praticamente todas as cotadas do sector a sofrerem fortes correcções, a acompanhar a subida generalizada das yields soberanas.

Na praça nacional o destaque vai para a Galp. A italiana Eni encerrou as relações que mantinha ainda com a petrolífera nacional. As participações, que detinha desde 2005, foram hoje terminadas com a venda de 4% das acções da cotada portuguesa, mostrando que o negócio português não faz parte do plano estratégico da companhia. O preço da operação, inferior ao fecho de ontem, está a causar uma forte pressão vendedora do título.

Do lado oposto, a Jerónimo Martins tenta contrariar as notícias vindas da Polónia, relativas ao anúncio do agravamento fiscal naquela economia, com a promessa de um dividendo relativamente aliciante. A incerteza política dominante em Portugal tem levado muitas empresas a pagar dividendos ainda em 2015. Dividend yield superior a 5%, como promete a retalhista, acaba por tornar atractivo o título permitindo assim compensar as quedas de que tem sido alvo.

Acções

Pfizer– o grupo biofarmacêutico vai enfrentar um processo em Washington relacionado com a transição da sua sede para Dublin, local onde a carga fiscal é muito menor.  De acordo com o governo norte-americano, tal transição implicaria uma perda de biliões de dólares em imposto, o risco de cortar milhares de empregos e diminuir o nível de conhecimento científico nos EUA. A realizar-se, este será o maior negócio do ramo farmacêutico até à data, sabendo que a Pfizer propôs adquirir a Allergan por 380 dólares a acção, um mark-up excelente em relação à sua cotação actual de 301.7 dólares/acção.

EDP Renováveis – celebrou um contrato de venda de energia com a Amazon  no Ohio, EUA. A construção deste parque eólico está prevista para 2016 e terá uma capacidade de 100 megawatts. Tecnicamente, a acção está suportada na zona dos 6.32 euros e poderá avançar até níveis do princípio de Novembro, nos 6.53 euros.

Sessão Europeia

As principais praças europeias abriram em alta com valorizações ligeiras, depois de uma reacção negativa no início da tarde de ontem. Essa reacção deve-se à descoberta de que afinal a maioria que apoiava um aumento das taxas de juro em Dezembro não é real, tendo-se descoberto que alguns membros poderão não estar inclinados para esse aumento. De imediato, vimos uma reacção negativa no dólar americano e nos índices em geral. Hoje, os índices mostram alguns sinais de recuperação, podendo regressar ao movimento altista e aos valores anteriormente registados.

O PSI20 segue em sentido contrário as outros índices bolsistas, sendo o único a apresentar uma desvalorização. Depois de excelentes performances, o índice português caiu, esperando novas notícias para reagir em alta. O sector bancário segue com variações muito ligeiras, não estando para já a ser afectado, contudo aguardam-se novos discursos da FED e BCE para definir uma tendência. Pela positiva estão as cotadas da Pharol, CTT e Jerónimo Martins. Em destaque pela negativa e a ajudar o índice português a ter esta fraca performance estão os títulos da Galp, Impresa, Semapa e EDP.

Sessão Asiática

Durante a madrugada de sexta-feira, as acções japonesas tiveram um dia de negociação muito agitado, mas acabaram por ampliar os ganhos para o seu quarto dia e com os investidores dispostos a entrar com o pé direito num fim de semana prolongado de três dias.

O Nikkei subiu 0,1% para 19,879.81 pontos. Na semana, somou um total de 1,4%, registando desta forma, a quinta semana consecutiva de ganhos. Os mercados no Japão serão fechados devido a um feriado nacional na segunda-feira.

O Topix ganhou 0,2% atingindo assim os 1,603.18 pontos, com apenas 1,8 biliões de acções a serem transaccionadas, o que representa um nível mais baixo do que a média de volume diário dos últimos 90 dias de 2,3 biliões de acções.

Nas restantes praças asiáticas, os índices estiveram pouco expressivos, na China, o Shanghai Composite e o CSI300 fecharam nos 0,37% positivos e 0,02% negativos respectivamente. Na Coreia do Sul, o Kospi ficou intacto, sendo que não se movimentou nem um ponto base e na Austrália, o S&P subiu ligeiramente para os 5256,15 com uma subida de 0,26%.

Por Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal 

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