Comentário XTB. Market update de 26 de outubro

Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal, analisa o andamento dos mercados esta segunda-feira. A semana anterior terminou com dois importantes eventos que alimentaram o apetite pelo risco dos investidores mundiais. Na quinta-feira, Mario Draghi mostrou-se disponível para ainda este ano rever as condições do actual programa de facilitismo monetário. No dia seguinte, foi a […]

Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal, analisa o andamento dos mercados esta segunda-feira.

A semana anterior terminou com dois importantes eventos que alimentaram o apetite pelo risco dos investidores mundiais. Na quinta-feira, Mario Draghi mostrou-se disponível para ainda este ano rever as condições do actual programa de facilitismo monetário. No dia seguinte, foi a vez do Banco Popular da China aumentar os incentivos para o crédito na segunda maior economia, numa tentativa de relançar a procura interna. Estes dados foram suficientes até para animar as bolsas americanas, que ultrapassam uma época de apresentação de resultados mista.

Na Europa, a confiança dos empresários alemães foi hoje posta à prova com a divulgação do IFO. O índice acima das expectativas, porém abaixo do valor conhecido no mês anterior. Esta redução traduz os receios dos empresários relativos ao contágio que a desaceleração chinesa pode causar na Europa, em geral e na Alemanha, em particular. Por outro lado, a questão da VW e os seus efeitos é ainda muito recente. A dimensão das consequências nas contas da empresa não está ainda verdadeiramente quantificado, assim como o impacto nas empresas indirectamente dependentes desta indústria que contribuiu, de forma global, em 10% para o PIB da maior economia da Alemanha.

Em Portugal, o PSI20 está a negociar à boleia da Polónia. Os resultados preliminares das eleições internas apontam como vencedores os conservadores de direita. Estes, em campanha eleitoral apresentaram como medidas o aumento de impostos para a banca e o setor da distribuição, industrias alvo de forte investimento estrangeiro. Neste campo, BCP e Jerónimo Martins acabarão por ser penalizados. Hoje, estes dois títulos são dos que mais perdem na praça nacional. A pior performance é atribuída ao Banif, que volta a somar perdas avultadas, seguindo a tendência do sector, tocando num novo mínimo. Os efeitos positivos do discurso do Presidente do BCE são agora ultrapassados pelos fatores fundamentais de cada instituição. A esse nível, o Banif aguarda ainda a aprovação do seu plano de reestruturação por parte da Comissão Europeia.

Em sentido oposto segue a Mota-Engil, a beneficiar da posição privilegiada para entrar no mercado liberalizado de produção de electricidade, no México, através de centrais hídricas. O potencial que este mercado apresenta, depois de 50 anos de monopólio estatal, é visto com bons olhos por partes dos investidores que reflectem assim o seu entusiasmo na evolução do preço da cotada, que desde sexta-feira valoriza mais de 10%.
Também a Galp apresentou dados positivos relativos ao terceiro trimestre do ano. O aumento da produção de petróleo com origem do Brasil, bem como as quantidades refinadas permitiram o aumento dos lucros, face ao período homólogo, superior às melhores expectativas dos analistas. A redução do preço do petróleo do último trimestre foi até compensado pelo incremento do output da companhia petrolífera. A empresa começa a posicionar-se para apresentar o último trimestre favorável para as contas devido, essencialmente, à recuperação dos preços do barril de petróleo nos mercados.

As principais praças europeias revelaram-se neste primeiro dia da semana mistos com variações muito ligeiras em muitos dos índices europeus, tendo mais tarde todas as bolsas convergido para terreno negativo. Depois de uma semana onde as valorizações acentuadas se verificaram aquando das declarações de Draghi, hoje o mercado parece estar a fazer uma ligeira correcção, aguardando com expectativa novos desenlaces para definir de novo a tendência altista que se verifica desde o início do mês de Outubro.

Na Alemanha, o índice que mede as expectativas de negócio no mês de outubro saiu do acima esperado (103.8 vs exp. 102.4).

Nesta madrugada de segunda-feira, o Nikkei do Japão abriu em alta, abriu com força suficiente para atingir os níveis de à dois meses atrás depois dos dados da China virem aumentar o apetite pelo risco dos investidores. A Hitachi e a Panasonic subiram com expectativas de lucro fortes e ajudando o índice a entrar na zona verde neste início de semana.

  • O Nikkei subiu 0,7% para 18,947.12 pontos, o nível mais alto de fecho desde o dia 28 de Agosto.
  • O Topix também alcançou a casa dos 0,7% nos 1,558.99 pontos.

Ações

Toyota –  A produtora automóvel Toyota  reconquistou a primeira posição a nível de vendas globais, depois de o escândalo da Volskswagen ter afetado o ranking. A empresa japonesa irá aproveitar esta oportunidade para lançar a versão mais recente do Prius, o modelo híbrido e para o efeito vai contratar cerca de 1400 colaboradores nas fábricas do Japão para começar a vender ainda antes do fim deste ano. A estratégia da empresa passa também por tirar partido da quebra de vendas sentida pela VW a nível global e apresenta boas perspectivas de o conseguir.
MATÉRIAS-PRIMAS

O café continua a ser dos ativos com maior potencial de queda, tendo agora deixado para trás dois suportes importantes, o dos 128 e 119 dólares. Mesmo com a valorização do dólar no fim da semana passada, vimos o activo manter a sua tendência baixista, mostrando assim ainda mais a força de queda do café. A estratégia agora passará por entrar novamente curtos até ao próximo suporte dos 113 dólares.

Depois da consolidação existente na Platina, vemos agora a tentativa de novo mínimo ser feito. A resistência dos 1015 dólares aguentou o preço bastante bem, denunciando essa subida como sendo uma correcção. A ideia agora é permanecer no processo de queda, com stop acima dos 1015 dólares, por exemplo nos 1030 dólares e 2 take profits, um mais acessível nos 950 dólares e outro mais ambicioso nos 900 dólares.

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