Commerzbank passa de prejuízos para lucros de 768 milhões no semestre

O Commerzbank aumentou as provisões para empréstimos improdutivos para 570 milhões de euros, mais 142,5% do que há um ano, devido aos efeitos da guerra na Ucrânia.

O Commerzbank, parcialmente nacionalizado, obteve um lucro líquido atribuível de 768 milhões de euros no primeiro semestre, sustentado pela subida das taxas de juro, contra um prejuízo de 394 milhões de euros há um ano, provocado por custos de reestruturação.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, o alemão Commerzbank informa que as receitas totais subiram no primeiro semestre para 5.216 milhões de euros (+19,8% que no mesmo período de 2021).

“Nos primeiros seis meses, atingimos receitas acima das nossas expectativas e mais do que duplicámos o nosso resultado operacional”, disse o presidente executivo do banco alemão, Manfred Knof.

Em particular, as receitas líquidas de juros melhoraram para 2.879 milhões de euros (+18,6%) e as receitas de comissões aumentaram para 1.868 milhões de euros (+3,6%).

No segundo trimestre, o aumento das receitas de juros foi muito mais elevado, de 26%, devido à subida acentuada das taxas de juro na Polónia e ao aumento das taxas de juro de longo prazo na Alemanha.

O Commerzbank aumentou as provisões para empréstimos improdutivos para 570 milhões de euros, mais 142,5% do que há um ano, devido aos efeitos da guerra na Ucrânia.

Desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, o Commerzbank reduziu as exposições à Rússia em 45%, para 1.020 milhões de euros em meados de julho.

O banco reduziu as despesas operacionais para 2.865 milhões de euros (-9,7%) e os custos de reestruturação para 39 milhões de euros (976 milhões de euros há um ano devido aos 10.000 postos de trabalho que vai cortar).

Como resultado, alcançou um lucro operacional de 1.289 milhões de euros, mais do dobro do valor do ano passado (570 milhões de euros).

O Commerzbank tem um rácio de capital próprio comum de qualidade superior para ativos ponderados pelo risco (CET 1) de 13,7% (contra 13,4% um ano antes) e um rácio de eficiência de 64,3% (81,5%).

A responsável financeira, Bettina Orlopp, prevê um lucro líquido de mais de 1.000 milhões de euros em 2022.

“Com a nossa confortável base de capital e as nossas provisões para riscos conservadoras, estamos bem equipados para os desafios futuros”, acrescentou Orlopp.

No final de junho o banco já tinha cortado 7.700 postos de trabalho a tempo inteiro e espera ter conseguido uma grande parte da redução total de 10.000 postos de trabalho até ao final do ano.

O Commerzbank está também a reduzir o número de agências bancárias e a criar centros de aconselhamento com três projetos-piloto e outros centros que deverão começar a funcionar em meados de setembro para aconselhar cerca de oito milhões de clientes, incluindo PMEs, até ao final do ano.

Estas previsões dependerão da ausência de uma grave escassez de gás e da inexistência de mais provisões para a carteira de empréstimos em francos suíços do banco polaco mBank.

O Commerzbank espera lucros mais elevados este ano apesar dos efeitos pontuais negativos no terceiro trimestre, entre 210 e 290 milhões de euros do mBank, devido a uma nova lei na Polónia que permite a renúncia ao pagamento de hipotecas.

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