Commonwealth multiplica homenagens a Isabel II

Recordar a rainha britânica desaparecida tomou a forma de flores, de projeções, de salvas de tiro e de tantas outras manifestações de pesar, sempre sob as bandeiras a meia haste. Especialmente nas antigas colónias, em cujo conjunto o sol nunca se punha.

Com as bandeiras a meia haste e dias de luto oficial, a Commonwealth está especialmente comovida pela morte da rainha Isabel II de Inglaterra e as manifestações de pesar têm assumir das mais diversas formas. Algumas oficiais – como as salvas de tiro ou as 96 badaladas que se ouviram numa igreja de Camberra, a capital da Austrália – outras nem tanto, mas que têm todas o mesmo fim: prestar tributo a uma personalidade que, sendo política, transcendeu os limites muito estreitos dessa condição.

Como seria de esperar, todos os 56 países membros da Commonwealth – dos quais 15 reconhecem o monarca britânico como seu chefe de Estado – foram especialmente cuidados em preparar uma série de homenagens oficial para os próximos dias. No imediato, os seus chefes de governo prestaram declarações onde os elogios foram a nota comum.

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Stugeon, disse que “a morte da rainha Isabel II é um momento profundamente triste para o reino Unido, para a Commonwealth e para o mundo. A sua vida foi de uma dedicação e serviço extraordinários”. O país, que tem no seu interior fortes tenções independentistas, decidiu esquecê-las neste momento de dor.

Também a Austrália pode ser um ‘desalinhado’ no médio prazo, dado que o debate sobre as virtudes da república em detrimento da monarquia está em cima da mesa – e é possível que um novo referendo esteja a caminho. Mesmo assim, o primeiro-ministro, Anthony Albanese, bastante mais à esquerda que os conservadores que tradicionalmente ocupam o governo, disse que “a rainha Elizabeth II é a única monarca reinante que a maioria de nós conhece e a única a visitar a Austrália. Ao longo de sete décadas notáveis, Sua Majestade foi uma constante tranquilizadora no meio das mudanças rápidas. Através do barulho e da turbulência dos anos, ela encarnou uma decência atemporal e uma calma duradoura”.

Também da Índia – cuja independência em 1947 terá sido um dos momentos mais traumáticos da história contemporânea do Reino Unido – vieram palavras de gratidão. “Tive encontros memoráveis co Sua Majestade a rainha Isabel II durante as minhas viagens ao reino Unido em 2015 e 2018 e nunca vou esquecer o calor e a simpatia do seu acolhimento”, disse o primeiro-ministro Narandra Modi. Que recordou ainda que, numa dessas visitas, a rainha lhe mostrou o lenço que Mahatma Gandhi, o líder da independência, lhe ofereceu no dia do seu casamento com Filipe Mountbatten, ex-príncipe da Grécia e da Dinamarca.

Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, disse por seu turno que Isabel II “era uma presença constante nas nossas vidas e o seu serviço aos canadianos ficará para sempre como uma parte muito importante da história do Canadá”.

Também da Nova Zelândia vieram palavras de agradecimento, da parte da primeira-ministra Jacinda Ardern. “Sei que o povo da Nova Zelândia tinha uma profunda simpatia pela rainha Isabel II e oferece as suas condolências a toda a família real”, disse.

“Gostaríamos de transmitir a solidariedade do nosso povo, que tanto respeitava e acarinhava Sua Majestade por tudo quanto fez pelo reforço das relações de amizade, solidariedade e cooperação”. As palavras são de Filipe Nyusi, presidente de Moçambique, país que pediu (e foi aceite) a sua integração na Commonwealth em 1995. Juntamente com o Ruanda (que entrou em 2009), Moçambique é uma das duas únicas nações da Commonwealth que não são antigas colónias do Reino Unido. Movimento contrário fizeram a Birmânia (atual Mianmar, em 1948), o Zimbábue (2003) e a Gâmbia (2013).

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