Como a China empobrecida evoluiu para uma potência económica

Esta terça-feira, a China completa 40 anos do início do Gaige Kaifang, ou Reforma e Abertura, processo de reformas empreendido sob a liderança de Deng Xiaoping a partir de 1978 para combater o maoismo. Essas mudanças lançaram as bases para a reviravolta do país.

Há exatamente quarenta anos, durante uma reunião de políticos do Partido Comunista em Pequim, Deng Xiaoping – Chefe da República Popular da China entre 1978 e 1990 – iniciou o processo de transformar a China numa economia focada somente no comércio.

Este momento mudou o curso económico do mundo e criou o que tem sido chamado a maior criação de riqueza da história. Milhões de agricultores tornaram-se operários e empresários, construindo uma fábrica de produção que tirou mais de 700 milhões de pessoas da pobreza.

No entanto, nem tudo foram bons resultados: no processo, criaram-se problemas que assombram o país hoje – poluição devastadora, dívidas enormes e, por fim, um choque com os poderes económicos do Ocidente.

Esta terça-feira, a China completa 40 anos do início do Gaige Kaifang, ou Reforma e Abertura, processo de reformas empreendido pelo país sob a liderança de Deng Xiaoping a partir de 1978 para combater o maoismo  – uma corrente do comunismo. Estas mudanças, que se anteciparam à Glasnost e à Perestroika de Mikhail Gorbachev na União Soviética, lançaram as bases para a reviravolta do país, que passou de uma economia empobrecida e tornou-se na segunda potência mundial em tempo recorde.

Segundo os dados da ”Bloomberg”, em 1978 mais de 80% da população viva em pobreza extrema, com menos de 1,90 dólares por dia. Atualmente, os números apontam para apenas 2% a viver nessas condições. A renda per capita anual cresceu, entre 1978 e 2017, de 171 yuans para 25.974 yuans (3.32475 euros). O custo da mão de obra subiu, e a remuneração média, por hora, na China supera em cinco vezes a indiana.

Há 40 anos, 82% da população vivia na zona rural, mas devido à urbanização e industrialização frenética conseguiram atrair mais de 500 milhões de chineses às cidades e, hoje, quase 60% do 1,4 mil milhões de habitantes vivem em centros urbanos e modernos.

E não acaba aqui: as estimativas aponta para 400 milhões de chineses com acesso inédito a padrões de consumo comparáveis aos de sociedades ocidentais.

Os avanços na China, no entanto, geraram desequilíbrios como degradação ambiental, níveis alarmantes de endividamento, envelhecimento da população e dilatação de desigualdades. Lidera atualmente um regime autoritário, dominado por um partido há cerca de 60 anos que aposta na tecnologia como instrumento de domínio social.

O chefe de Estado chinês fará um discurso esta terça-feira sobre o aniversário, no qual poderá anunciar algumas medidas de aprofundamento do Gaige Kaifang; ou de conciliação na guerra comercial, como são interpretadas em alguns setores.

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