Como a tecnologia pode ajudar na descarbonização

A crescente intensificação das alterações climáticas está a afetar, de forma profunda, países em todo o mundo e a comunidade científica alerta que estamos a ficar sem tempo para limitar o aquecimento global a 1,5°C desde o período pré-industrial.

 

O ano passado foi um dos  mais difíceis para o planeta: registaram-se as temperaturas mais elevadas desde o século XIX, com os dados do CopernicusNASANOAA Berkeley Earth a demonstrar que este terá sido entre o quinto ou sexto ano mais quente de sempre. As alterações climáticas refletem, por isso, o facto de estarmos já perante uma crise ambiental, mas também social e económica e precisamos de agir já para descarbonizar o nosso planeta.

Na Microsoft, estamos investidos com o compromisso de nos tornarmos carbono negativos, positivos em consumo de água, a atingir o zero desperdício, até 2030, e em remover, até 2050, todo o carbono emitido pela Microsoft desde a sua fundação. Um compromisso ambicioso mas necessário – já não basta reduzir, o planeta precisa da remoção de carbono da atmosfera.

A urgência de escalar o mercado de remoção de carbono só aumentou substancialmente no ano passado. Um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em agosto de 2021, reforçou a necessidade de começarmos já a remover do meio ambiente cerca de 10 gigatoneladas de dióxido de carbono por ano, processo que deve estar alinhado obviamente com a redução das emissões.

Na Microsoft, assumimos um papel duplo – por um lado, enquanto gigante tecnológica fazemos um caminho de transformação de toda a nossa operação e, por outro, atuamos também como facilitador, criando soluções que capacitam outras empresas para fazer o mesmo caminho. Lançámos, no início deste mês o nosso Relatório Anual de Sustentabilidade e o segundo white paper focado na remoção de carbono, no qual fazemos um balanço os progressos nesta jornada para um futuro mais sustentável.

Alguns dos nossos principais avanços incluem a criação de quatro datacenters com certificação “Zero Waste” – novas certificações para os datacenters de San Antonio, Texas e Quincy (Washington) e certificações renovadas para as nossas localizações em Boydton, Virgínia e Dublin (Irlanda); o lançamento da Microsoft Cloud for Sustainability, uma solução que permite centralizar os dados num formato comum para medir, reduzir e reportar emissões, oferecendo às organizações uma visão precisa, abrangente e cada vez mais em tempo real da sua pegada carbónica ao longo de toda a cadeia de valor; a redução da pegada de carbono de produtos como o Surface Pro 8, um dos Surface Pros com maior eficiência energética e o investimento de 100 milhões de dólares no “Breakthrough Energy Catalyst“, de forma a acelerar o desenvolvimento de soluções climáticas que permitam atingir o objetivo “Net-Zero” (emissões líquidas zero).

A Sustentabilidade deve, assim, estar no centro dos negócios das empresas e a tecnologia terá que servir como enabler para melhorarmos os resultados das operações, produtos e colaboração com organizações, clientes e decisores políticos. Na Microsoft, por exemplo, lançámos, em 2012, um “imposto” interno para responsabilizar, financeiramente, as nossas unidades de negócio na redução das emissões de carbono. Os fundos deste “imposto” – 15 dólares por tonelada métrica de emissões – ajudam-nos, por um lado, a evangelizar as nossas equipas para a diminuição das emissões e, por outro, com o valor arrecadado financiamos projetos de inovação como o “AI for Earth“, no qual disponibilizamos a tecnologia para resolver desafios ambientais globais com foco no clima, agricultura, água e conservação da biodiversidade. Outro exemplo de utilização da tecnologia nesta área é a ferramenta EC3 – Embodied Carbon in Construction Calculator – da Building Transparency, que permite o benchmarking, avaliação e redução das emissões de carbono a partir das cadeias de abastecimento e materiais de construção.

O investimento nos dados é, também, fundamental para o sucesso das métricas de Sustentabilidade. Na Microsoft, utilizamos a tecnologia para monitorizar os relatórios de recolha de resíduos, por exemplo, através de ferramentas como o Power BI para visualizar a cadeia do lixo eletrónico e Power Apps para recolha de dados em tempo real.  Mas o impacto maior é o que conseguimos com os nossos clientes e parceiros, onde estamos envolvidos em inúmeros projetos no campo dos resíduos, como blockchain para a circularidade, IoT para diminuir o desperdício da comida, melhoria da circularidade através de inteligência artificial para recolher plásticos nos rios e mares, e muitos outros.

A nível local, além da implementação destas iniciativas internacionais, trabalhamos as metas de Sustentabilidade de forma próxima com os nossos clientes, parceiros, fornecedores e colaboradores. Exemplo disso foi a criação, no ano passado, da Aliança de Parceiros Microsoft em Portugal, com o objetivo de garantir o acesso às competências e ferramentas para a criação de ambientes diversificados, priorização da sustentabilidade nas decisões de negócios e desenvolvimento de tecnologias responsáveis e éticas.

Vemos também os nossos colaboradores como motores fundamentais desta jornada. Além de grupos informais internos que geram awareness, partilham conhecimento e nos ajudam a manter o foco nos nossos compromissos, procuramos fazê-lo através de um verdadeiro sentido de comunidade. Exemplo disso foi a criação, antes da pandemia, em março de 2020, de uma horta urbana no terraço do nosso escritório, no Parque das Nações, em Lisboa. Começámos o piloto com 15 voluntários e, atualmente, são já 105 colaboradores associados a esta iniciativa, tendo sido necessário duplicar o tamanho da horta, com os produtos que produzimos a serem doados a instituições locais nas proximidades.

Há várias aprendizagens a retirar deste segundo ano de análise face aos nossos compromissos de redução e remoção de carbono. A primeira está relacionada com a falta de definições e padrões comuns no mercado: todas as organizações deveriam partilhar critérios e a trabalhar em conjunto, apoiando a criação de padrões voluntários fortes e reforçar o papel de supervisão independente da qualidade da remoção de carbono. A segunda deriva do fornecimento limitado e elevado custo das soluções de remoção de alta durabilidade, que afeta a compra das mesmas em escala – os compromissos de procura plurianual, investimento direto e políticas de apoio são, assim, essenciais para reduzir os custos. A terceira aprendizagem está relacionada com a importância do benchmark sobre os riscos e oportunidades dos projetos de remoção baseados na natureza, da defesa de padrões mais elevados e da transparência sobre os resultados dos projetos.

Na Microsoft, continuaremos concentrados na redução e remoção de carbono, defendendo a criação de padrões para ajudar a garantir remoções de alta qualidade, a inovar contratualmente para mitigar os riscos enquanto compradores e a investir para ajudar a reduzir custos, especialmente em tecnologias de média e alta durabilidade.

À medida que olhamos para 2030, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pelas Nações Unidas, e traçamos um caminho para enfrentar a crise climática (incluindo o carbono) reconhecemos a necessidade da colaboração de todos – clientes, parceiros, consumidores e decisores políticos – para o desenvolvimento e implementação de práticas e soluções mais sustentáveis.

O futuro reserva-nos certamente novos desafios, neste que é um caminho inacabado. Ao colocarmos a tecnologia no centro da Sustentabilidade e vice-versa , podemos criar um futuro mais sustentável que permita a todas as pessoas e comunidades alcançarem mais (e melhor).

 

 

 

Andrea Rubei

Diretor Executivo de Marketing e Operações da Microsoft Portugal

 

 

Este conteúdo patrocinado foi produzido em colaboração com a Microsoft.

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