Como devem os investidores reagir em tempo de crise?

A pergunta é pertinente, quer sejamos gestores de fundos, responsáveis por milhões de terceiros, ou investidores individuais dedicados às nossas próprias economias.

A resposta curta é “com calma e racionalidade” e, tal como a pergunta, parece ser pertinente tanto para particulares como para profissionais, já que uma boa maioria se tem deixado levar pelo sentimento e, desde o Covid-19 alterou nossas vidas, pôs de lado a racionalidade e seguiu o “rebanho”, num movimento que se repete crise após crise e que ganha maior intensidade quanto maior é a incerteza.

Há já vários anos que a ciência comportamental questionou a racionalidade dos agentes dos mercados e esta crise vem de novo comprovar que a dificuldade em gerir a incerteza e em lidar com riscos não mensuráveis, assim como a influência dos pensamentos e ações dos outros ou os condicionamentos gerados pelo medo são alguns dos comportamentos a que não estão isentos os investidores.

O que não sabemos

Não sabemos por quanto tempo esta crise gerada pelo Covid-19 vai durar nem quais serão os seus reais impactos sobre a economia mundial, que já se encontrava em crescimento anémico.

As perspetivas de uma recessão, seja ela mais ou menos grave, passaram já a integrar previsões, até porque a política de isolamento social que se mostra essencial na contenção da epidemia continua a ter grande impacto na economia.

Quando estas medidas de isolamento puderem ser levantadas, é expetável algum alívio, mas é muito difícil saber quando isto acontecerá, pelo que durante esta fase, os investidores poderão procurar refúgio em ativos que dão maior proteção em períodos de recessão, como as obrigações governamentais, moedas (algumas) e ouro.

O que sabemos

Sabemos que as autoridades têm estado a atuar robusta e ativamente, como demonstra o corte da taxa diretora pela Fed e a ações concertada de diversos bancos centrais, BCE incluído, para estabilizar os mercados. Se pela recente experiência, sabemos é difícil determinar qual a dose certa de remédios financeiros para reavivar a economia, o estímulo que advém destas medidas deverá ajudar a dar suporte à atividade das empresas e ao mercado assim que a epidemia o permita.

Sabemos ainda que o índice VIX – Índice de Volatilidade, também conhecido como o índice do medo – tem registado subidas consecutivas e ronda máximos registados na crise de 2008, em que ultrapassou os 80 pontos. Se é certo que os padrões históricos podem não vir a repetir-se, este indicador tem refletido que, tipicamente, a subida do VIX é seguida por um aumento do retorno das ações: em média, o S&P 500 devolveu 25% de retorno nos 12 meses após o VIX ter subido acima dos 33 pontos.

Sabemos também que os bons investimentos pressupõem decisões tomadas de cabeça fria. Qualquer que seja a fonte de incerteza, é indispensável manter processos robustos de apoio à decisão, baseados na análise dinâmica dos acontecimentos, que apoiem a identificação desapaixonada das oportunidades que se mantêm independentemente da situação. Da mesma forma, os bons investimentos implicam uma estratégia longo prazo que, se bem estruturada, permitirá guiar-nos para além dos tempos de incerteza.

Por isso, vale a pena repetir: a resposta essencial à questão inicial é que os investidores mantenham a calma e a racionalidade, dois conselhos preciosos que, neste tempo que vivemos, são essenciais não apenas aos investidores.

 

Este conteúdo patrocinado foi produzido em colaboração com Schroders.

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