Como é que as campanhas de Rio e Santana estão a comunicar com os militantes do PSD?

Criaram páginas nas redes sociais e atualizam-nas diariamente, mas não deixam de andar no terreno. “Nada substitui o contacto direto e o diálogo olhos nos olhos”, realça o diretor da campanha de Rio.

Além de estar presente em várias redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram e YouTube), a campanha de Rui Rio acaba de lançar uma aplicação para dispositivos móveis que “moderniza e aproxima a forma de comunicar com os militantes”. Como é que está a correr essa iniciativa? “A aplicação móvel está de acordo com as atuais exigências tecnológicas e permite aos militantes e simpatizantes conhecerem de forma rápida e direta as principais ideias da candidatura, notícias, apoios, e também deixar testemunhos. Destaco a zona dedicada exclusivamente aos militantes, onde estes podem saber qual a sua situação relativamente ao pagamento de quotas. Está a correr muito bem. O número de subscritores tem vindo a aumentar de forma exponencial”, responde Salvador Malheiro, diretor da campanha de Rio.

Tendo em conta o universo reduzido de votantes (apenas os militantes do PSD com as quotas pagas), considera que essa é a melhor forma de comunicação política nesta campanha para as eleições diretas? Em detrimento, por exemplo, de cartazes nas ruas? “As redes sociais são hoje muito importantes para contactar diretamente o público que pretendemos. Verificamos que os nossos militantes e simpatizantes estão atentos e interagem bastante com a candidatura através desses meios. Trata-se de uma campanha interna, pelo que não faria sentido colocar cartazes ou ‘outdoors’ nas ruas”, afirma Malheiro.

Embora não tenha uma aplicação para dispositivos móveis, a campanha de Pedro Santana Lopes também está presente nas mesmas redes sociais. “Há dois valores que guiam a personalidade de Pedro Santana Lopes: proximidade e envolvimento. E é na forma genuína como demonstra estes valores que toda a nossa atividade política se tem desenvolvido e se desenvolverá. Logo, é natural que a presença nas redes sociais ganhe uma dimensão quase natural, pois é cada vez mais na comunicação digital que os valores de proximidade e de envolvimento se vão alcançando, tendo em conta, muitas vezes, a impossibilidade de corresponder às várias solicitações que temos tido”, salienta João Montenegro, diretor da campanha de Santana Lopes.

“Mas esta atividade política tem sido complementada pela proximidade e envolvimento no terreno. Temos estado em todo o país, próximos dos militantes. Portanto, eu diria que as nossas iniciativas têm sido complementares e não é, nesta fase, a ausência ou presença de cartazes na rua que tornará a nossa mensagem mais eficaz. É de realçar as milhares de mensagens que temos recebido através destes meios”, acrescenta Montenegro.

Apesar de todos esses meios tecnológicos e mediáticos, a campanha de Santana Lopes tem andado “na estrada”, contactando diretamente com militantes e não-militantes do PSD. Essa continua a ser a componente essencial das campanhas políticas, por mais que se desenvolva a comunicação e presença nas redes sociais e outros meios tecnológicos e mediáticos? “Estar com as pessoas é o essencial da atividade política desenvolvida por Pedro Santana Lopes. Seja através do contacto no terreno, seja através de uma comunicação personalizada, pela via digital”, sublinha Montenegro.

“Nós temos uma agenda preenchida e diária com presença por todo o país, mas não abdicamos dos meios tecnológicos para poder chegar a todos. Quem não perceber que a sociedade está em plena transformação de hábitos, de anseios, de necessidades e de forma de comunicar nunca conseguirá apresentar um projeto de futuro que permita às pessoas alcançar melhores condições de vida. Esta candidatura tem uma enorme vantagem. O candidato gosta, genuinamente, de estar com as pessoas. Mais, sabe estar com as pessoas, ouvi-las e sobretudo motivá-las”, enaltece.

Por seu lado, o diretor da campanha de Rio diz que “nada substitui o contacto direto e o diálogo olhos nos olhos. O contacto e o debate com os militantes é, sem dúvida, o mais importante para o esclarecimento das ideias. Já recorremos praticamente todos os distritos e a adesão tem sido surpreendente, com salas sempre cheias, com o regresso de muitas caras novas à participação política. Tal como Rui Rio tem afirmado, a participação que se tem verificado demonstra que o partido está vivo, dinâmico e interessado em regressar à militância ativa, de norte a sul do país”.

Mas Rio tem uma relação difícil com os meios de comunicação social, desde os tempos em que foi autarca do Porto. A missão do diretor de campanha torna-se mais complicada por causa disso? “Não sentimos que exista uma relação particularmente difícil com a generalidade da comunicação social. Rui Rio tem caraterísticas muito próprias que a candidatura respeita e que o distinguem da generalidade dos políticos. É uma relação de respeito, de seriedade e transparência, pouco virada para os ‘sound bites’ ou para o espetáculo. Mas quem o conhece verdadeiramente sabe que ele coloca sempre os interesses das pessoas e do país em primeiro lugar. O diretor de campanha tem a sua tarefa muita facilitada tendo em conta a qualidade do candidato e sobretudo a sua aceitação junto da militância de base”, assegura Malheiro.

Em contraste com o seu adversário, Santana Lopes mantém desde há muitos anos uma presença regular nos meios de comunicação social. Isso será um trunfo eleitoral? A minha missão, enquanto diretor de campanha, é facilitada pela enorme qualidade e conhecimento do nosso candidato. Ao contrário de Rui Rio, nós não consideramos que a comunicação social seja responsável pela degradação da democracia. Julgo que, infelizmente, e uma vez mais, essas palavras não têm em conta a grande transformação social que decorreu no país e no mundo e à qual a comunicação social não é alheia. Assim como não consideramos que a comunicação privilegie esta ou aquela personalidade. Ou seja, não consideramos que a comunicação social tenha estados de alma”, garante Montenegro.

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