Como o BdP ganhou o braço-de-ferro com Salgado pela liderança do BES

A resistência do Banco de Portugal à proposta feita pelo ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, para que o seu sucessor fosse Amílcar Morais Pires levou a um “autêntico braço-de-ferro” entre as partes, afirmou o governador, Carlos Costa. “Houve da parte do Dr. Ricardo Salgado uma lógica de facto consumado. Chamei-lhe a atenção que [o Grupo […]

A resistência do Banco de Portugal à proposta feita pelo ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, para que o seu sucessor fosse Amílcar Morais Pires levou a um “autêntico braço-de-ferro” entre as partes, afirmou o governador, Carlos Costa.

“Houve da parte do Dr. Ricardo Salgado uma lógica de facto consumado. Chamei-lhe a atenção que [o Grupo Espírito Santo (GES)] não tinha a maioria do capital, pelo que não podia dar como consumada uma nomeação sem ter uma maioria acionista para tal”, revelou o líder do Banco de Portugal (BdP).

Em causa estava a sucessão de Salgado à frente dos destinos do Banco Espírito Santo (BES), tendo sido anunciado que o então administrador financeiro, Morais Pires, considerado o braço direito de Salgado, assumiria o cargo.

“Ele não estava em condições de nomear unilateralmente Morais Pires. Daí, não podíamos dar início a um processo de verificação de idoneidade”, sublinhou Carlos Costa, perante as questões que lhe foram colocadas sobre a matéria pelos deputados durante a primeira sessão da comissão de inquérito parlamentar ao caso BES.

“Nessa semana houve um autêntico braço-de-ferro” entre o BdP e Ricardo Salgado, ilustrou o governador.

A vontade do supervisor acabou por levar a melhor e Vítor Bento, que liderava a SIBS (gestora da rede Multibanco), foi o nome que reuniu o consenso dos principais acionistas (GES e Crédit Agricole) para assumir a função.

Entretanto, Bento e os restantes elementos da sua equipa viriam a renunciar aos cargos, levando à nomeação de Eduardo Stock da Cunha para a presidência do agora Novo Banco.

A audição de Carlos Costa marca o arranque dos trabalhos da comissão de inquérito à gestão do BES e do GES.

A comissão terá um prazo de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado, e tem por intuito “apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos, as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades”.

Será também avaliado, por exemplo, o funcionamento do sistema financeiro e o “processo e as condições de aplicação da medida de resolução do BdP” para o BES e a “eventual utilização, direta ou indireta, imediata ou a prazo, de dinheiros públicos”.

OJE/Lusa

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