Como pode um MBA impulsionar a sua carreira?

Com o objetivo de dar a conhecer o impacto que um MBA pode ter na sua progressão de carreira, falámos com a Presidente do Grupo Novartis Portugal, Cristina Campos, também alumna do The Lisbon MBA.

Cristina, porque decidiu fazer um MBA? Sentiu que era o timing certo? É correto afirmar que existe um timing perfeito para fazer um MBA?

Na altura em que escolhi a minha licenciatura em Ciências Farmacêuticas tinha também uma grande vontade de fazer uma formação em Gestão, pois queria aprofundar conhecimentos nessa área.

Acabei por fazer a minha carreira direcionada para áreas de gestão (marketing, vendas, estratégia), mas efetivamente adquiri os conhecimentos nas próprias empresas onde desenvolvi a minha carreira. Fui ficando cada vez com mais vontade de obter competências mais robustas em ambiente académico. Um programa de MBA pareceu-me, na altura, uma excelente opção. Em relação ao timing… por vezes, dizemos que o timing nunca é o certo… para termos filhos, para casar, para fazermos um MBA. E, de facto, há momentos em que é mais importante não pensarmos muito e seguirmos a nossa paixão e a nossa intuição. E, quando acharmos que estamos preparados, avançarmos.

No meu caso, já tinha tido três filhos, já tinha alguma experiência profissional, estava a trabalhar há 10 anos e era o momento para repensar a minha carreira. Precisava e queria procurar novas competências, alargar a minha network, conhecer pessoas diferentes e ligar-me a outros setores. Senti que era o timing ideal.

Surgiram alguns desafios no início ou durante o MBA?

Foram vários os desafios: o facto de já ter três filhos e ter sido mãe há pouco tempo. Ou seja, ter de conciliar os estudos com a vida pessoal. Tive de fazer algumas escolhas. Optei por fazer um ano sabático: desta forma podia fazer o MBA com dedicação full time. Poderia ter escolhido a opção part time mas achei que ia ser demasiado exigente conciliar a minha profissão, a minha família e ainda um MBA.

Posso dizer que este foi um dos maiores desafios: conjugar as várias vertentes da minha vida e depois, obviamente, a escolha de ter feito uma licença sabática para repensar a carreira. Coloquei-me fora da minha zona de conforto, prescindi de uma carreira que na altura já era bastante aliciante e na qual eu me sentia a crescer. Com coragem e ousadia, coloquei-me à prova num contexto diferente.

E nunca existiram receios?

Acabou por ser uma decisão ponderada porque fiz os exames de admissão ao MBA quando fui mãe pela primeira vez. Aproveitei também a minha licença de maternidade para estudar, para fazer os exames de admissão e acabei por ficar com os certificados na gaveta, à espera do momento certo.

Tinha no meu subconsciente que, em algum momento, eu teria de fazer o meu MBA. Era um sonho que tinha desde a licenciatura e não podia deixar a oportunidade passar muito mais tempo. E, assim, perante a constatação da proximidade do fim da validade dos resultados dos exames, decidi avançar com a candidatura. Tomamos muitas decisões por dia e reflito bastante nas minhas decisões com maior impacto seja no negócio ou nas pessoas. E quando decido algo, sigo em frente! Gosto de avançar com uma atitude construtiva e focar-me naquilo que são as oportunidades que cada decisão traz, sobretudo na aprendizagem, e não de me lamentar sobre as consequências de cada decisão.

Um MBA é visto como um produto de excelência mas será que cumpre com a elevada reputação?

Eu acho que supera. Só fazendo um MBA é que sentimos realmente o valor do mesmo. Na minha opinião o que tiramos do MBA depende de nós, como o que tiramos da vida.

Se estivermos de mente aberta, curiosos e atentos a cada oportunidade que a vida nos dá acho que tiramos mais valor da mesma. A reputação que pode vir, por exemplo, pela posição no ranking do Financial Times (onde o The Lisbon MBA está no top 100 a nível mundial) é muito importante, mas o mais relevante é o valor que retiramos para cada um de nós. O benefício que retiramos em relação ao investimento, não só o financeiro, mas também do nosso tempo, é enorme.

Acho que mais do que a reputação nos jornais, nas revistas e nos rankings é o retorno para nós próprios e para tudo o que depois podemos dar a quem vem a seguir. Cabe-nos a nós deixar um rasto e inspirar outros.

Este é sem dúvida um grande investimento. Diria que o retorno desse investimento se mede no aumento salarial mas também nas oportunidades de mudança a nível profissional?

Há com certeza um retorno quantitativo e, sem dúvida, pode traduzir-se num aumento salarial e em mais oportunidades de carreira. Mas é também um retorno qualitativo — um retorno de conhecimentos, de competências, de enriquecimento enquanto profissionais, enquanto pessoas. Esse valor é incalculável.

Neste momento, sou Presidente do Board Alumni Club do The Lisbon MBA e juntei-me a este propósito porque acredito verdadeiramente que o MBA não se deve esgotar no ano (ou nos anos) que dedicamos a ele, mas sim pode e deve perdurar em toda a nossa vida. Teremos uma mais valia se nos mantivermos ligados à comunidade de alumni e à academia, não só pela network (que é de facto riquíssima), mas também pela ligação a universidades que são de topo — e neste caso são duas, a Católica-Lisbon e a Nova SBE.

Além da instituição do The Lisbon MBA, temos como base a Católica-Lisbon, a Nova SBE e o MIT Sloan. No meu caso, fiz o MBA há 12 anos mas já fiz posteriormente formações em ambas as escolas porque, acredito que, estamos sempre a aprender e a desaprender e que o contacto com o mundo académico nos desafia e nos mantém atualizados. Os tempos que estamos agora a viver são um bom exemplo disso.

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