Como se diz ‘festa’ em italiano?

A 15ª Festa do Cinema Italiano arranca no dia 1 de abril em Lisboa e anima mais 12 cidades ao longo de um mês. À boleia dos filmes, leva consigo fotografia, gastronomia e muita música. Pasolini também reservou lugar.

Afirma Pereira

Se é verdade que o tiro de partida é dado em Lisboa, também é verdade que a Festa não se fica pela capital. Ao longo do mês de abril, a 15ª Festa do Cinema Italiano estende-se a Cascais, Porto, Setúbal, Coimbra, Viseu, Penafiel, Alverca e Beja. Em maio, vai animar as Caldas da Rainha, Almada e Lagos, cidade que se junta à Festa pela primeira vez.

Apresentada a geografia da 15ª edição deste certame que presta homenagem à 7ª Arte italiana, entre os mais recentes filmes aos premiados em prestigiados festivais internacionais, o programa deste ano inaugura em simultâneo no Porto e em Lisboa com “Ennio”, de Giuseppe Tornatore. O documentário foi exibido no último Festival de Veneza e entrelaça uma longa entrevista feita pelo realizador ao compositor e maestro Ennio Morricone, vencedor de dois Óscares, com depoimentos de figuras do universo do cinema e da música, como Marco Bellochio, Tarantino e Bruce Springsteen, entre muitos outros.

No dia 6 abril é exibido um filme que também passou por Veneza e que arrecadou o Prémio Especial do Júri na 78.ª edição do festival, “Das Profundeza”s (“Il Buco”, no original), que conta a história de um grupo de jovens do Grupo Espeleológico Piemontês que, na década de 60, descobriu um dos lugares mais profundos da Terra, o Abismo do Bifurto. A sessão conta com a presença e apresentação do realizador Michelangelo Frammartin, às 21h00 no Cinema São Jorge, em Lisboa.

Ainda na secção “Panorama”, destaque para “Marx pode esperar” (“Marx può aspettare”), de Marco Bellocchio, documentário realizado em 2021 que pode ser visto como uma síntese do cinema de Bellocchio e, ao mesmo tempo, uma revelação profundamente íntima da personalidade do realizador e da trágica história do seu irmão gémeo.

Oportunidade também para ver ou rever um filme de 1990, “Afirma Pereira”,  adaptação ao cinema do romance homónimo de António Tabucchi e que apresenta Marcello Mastroianni numa das suas últimas grandes interpretações. A história passa-se em Lisboa, palco secundário dos conflitos políticos da Segunda Guerra Mundial, e retrata a resistência contra o totalitarismo e a censura. O salazarismo está bem presente e a progressiva tomada de consciência de um homem dos anos 1930 contra a ditadura que se vai erguendo também. A realização é do italiano Roberto Faenza.

A Festa do Cinema Italiano em Lisboa encerra no dia 10 de abril e o filme escolhido para o efeito intitula-se “Il Bambino Nascosto”. Baseia-se e adapta um romance da autoria do próprio realizador, Roberto Andò, e narra a história da amizade entre um professor de piano napolitano e um jovem membro da Camorra em fuga. Foi o filme escolhido para fechar o Festival de Cinema de Veneza em 2021.

Na secção “Il Corto” estarão em exibição oito curta-metragens produzidas e realizadas em 2021 e 2022. Do documentário biográfico, com “La Napoli di mio padre” de Alessia Bottone, ao drama de “L’ultimo spegne la luce” de Tommaso Santambrogio, passando pelo retrato-homenagem a Ofelia Borgheresi, com a assinatura de Pierfrancesco Bigazzi, o objetivo é sempre divulgar o vibrante e amplo contexto cinematográfico italiano.

A 15ª Festa do Cinema Italiano, como referido, não se faz apenas de cinema, apesar de ser essa a sua génese. A celebração do centenário de Pier Paolo Pasolini é uma efeméride que também integra a Festa e que se desdobra em dois momentos: uma retrospetiva da sua obra cinematográfica e uma exposição de fotografia.

A retrospetiva “Pasolini Revisitado”, organizada em parceria com a  Cinemateca Portuguesa, reúne 30 filmes, divididos em três capítulos: Trilogia da Vida, Pasolini Argumentista/Produtor/Ator, e O Legado de Pasolini. O objetivo desta mostra é não só dar a conhecer a sua obra cinematográfica numa perspetiva que ainda não foi abordada em Portugal, como também mostrar a influência que Pasolini teve, e continua a ter, em várias obras, autores e realizadores.

A exposição “La lunga strada di sabbia” (A longa estrada de areia), do fotógrafo italiano Paolo di Paolo, com textos e escritos de Pasolini, está patente na Sociedade Nacional de Belas Artes, e resulta de uma colaboração com o Instituto Italiano de Cultura, em Lisboa.

A gastronomia marca mais uma vez presença na Festa nos três Cine-Jantares que terão lugar nos dias 4, 5 e 6 de abril. A comédia all’Italiana “Pato com Laranja”, protagonizada por Monica Vitti e pelo ator, realizador, apresentador e também chefe de cozinha Ugo Tognazzi vai acompanhar os encontros à mesa, cujo local é secreto. Após a reserva, será revelado ao conviva. Reservas pelo email reservas@festadocinemaitaliano.com; 32 euros/pessoa (inclui jantar com 2 pratos, bebidas e sessão do filme)

Dia 2 de abril haverá um encontro entre dois atores na Cinemateca Portuguesa, Ninetto Davoli e Isabel Ruth. Davoli é indissociável da obra de Pier Paolo Pasolini, com quem fez oito filmes, e Isabel Ruth teve uma pequena participação no filme “Rei Édipo” – juntos irão falar sobre o homem e a obra. No mesmo dia, a partir das 21h00, a Voz do Operário recebe a Festa Italo Disco, que será a estreia lisboeta de Nat&Tasha, artista não binária conhecida pelas suas atuações Drag King e Drag Queen, que atua com a banda Lovely & the Gang. No dia 6 de abril, o Teatro A Barraca vai receber a “Noite de Karaoke”, um convite para visitar – cantando e dançando – a música italiana de diferentes épocas. A entrada é livre.

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