Como uma música lançada por Kate Bush há 37 anos foi ouvida 57 milhões de vezes no espaço de uma semana

No espaço de duas semanas, a cantora britânica arrecadou 400 mil euros nos EUA com as vendas e audições de uma música lançada em 1985. Novo sucesso da cantora conhecida por ser reclusiva tem sido inesperado.

A escolha de músicas clássicas para as séries de televisão tem levado artistas com carreiras de décadas a novas audiências. É o caso de “Red Right Hand” música com quase 30 anos de Nick Cave and the Bad Seeds que surge no genérico de “Peaky Blinders”; de “Out of Time Man” dos franceses Mano Negra, liderados por Manu Chao, lançada em 1991 e que integrou a série Breaking Bad; de “Efige Efige” do artista grego Stelios Kazantzidis que surgia na série “The Wire”.

Agora foi a vez de Kate Bush, artista britânica com uma carreira de várias décadas, com a música “Running up that hill”, que faz parte da quarta temporada da série de ficção científica “Stranger Things” da Netflix. A música pertence ao quinto album de estúdio da artista “Hounds of Love”.

A música atingiu esta semana a primeira posição no top de singles do Reino Unido. “Running up that hill” foi mesmo a música mais ouvida em todo o mundo nos serviços de streaming na semana passada. No Spotify, atingiu a primeira posição no Reino Unido e nos EUA com 57 milhões de audições no espaço de uma semana, segundo dados do britânico “New Musical Express”.

Além do Reino Unido, a música está na primeira posição na Austrália, Nova Zelândia e Suíça. Nos Estados Unidos, ocupa a quarta posição no top nacional, e a primeira no top da Billboard, tornando a música no maior exito musical de Kate Bush nos EUA de sempre.

Em termos financeiros, a sua editora norte-americana (a Warner Music Group tem a licença nos EUA através da editora da artista Noble & Brite) teve receitas de 415 mil dólares (quase 400 mil euros) nas duas semanas seguintes ao episódio do “Stranger Things” com a música de Kate Bush. Este valor contrasta com as receitas de 248 mil dólares (236 mil euros) que o catálogo da artista gerou nas primeiras 21 semanas deste ano. No total, o catálogo de Bush já gerou 661 mil dólares (630 mil euros) este ano, segundo contas da “Billboard” que inclui nas suas contas vendas de álbuns, descarregamento de músicas, audições de músicas e de álbuns.

Em Portugal, a música encontra-se na 13 posição do top 50 diário do Spotify com mais de 30 mil audições. No top mundial diário desta plataforma, a música está na quinta posição com mais de 6,4 milhões de audições.

Entre os seus singles, encontram-se “Wuthering Heights”, “Babooshka”, “Cloudbusting”, “This Woman’s Work” ou “Don’t Give Up” com Peter Gabriel.

“Estou surpreendida pelo afeto e apoio que a música está a receber, está tudo a acontecer muito depressa. Tenho de admitir que me sinto tocada por tudo isto. Muito obrigado por tornarem a música no número um de uma forma tão inesperada”, disse a artista citada pelo “NME”.

Tendo lançado novo material por apenas duas vezes nos últimos 28 anos, “Bush permanece altamente popular: em 2014, quando anunciou os primeiros espetáculos ao vivo em 35 anos, todas as 22 datas esgotaram em apenas 15 minutos”, recorda o “The Guardian”.

A fama de Kate Bush junto de outros artistas é lendária, como no caso de Elton John que recorda o que aconteceu no seu casamento: “a sala estava cheia de estrelas, mas todos os músicos que lá estavam só diziam, ´tens de me apresentar à Kate Bush'”, recorda o crítico Alexis Petridis no jornal britânico.

A cantora de 63 anos lançou o seu primeiro single em 1978 com 19 anos. Ao longo da sua carreira, 25 dos seus singles entraram no top 40 do Reino Unido: Babooshka (nº5 em 1980), Hounds of Love (nº18 em 1986), Rubberband Girl (nº12 em 1993), The Red Shoes (nº21 em 1994), e King of the Mountain (nº4 em 2005), recorda o “Conversation”.

“Um segredo da carreira artística de Bush é que ela nunca temeu o ridículo e tentou coisas que outros músicos nunca tentariam nem se aproximariam”, escreveu a “New Yorker” sobre a artista em 2018.

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