Compra de dívida portuguesa pelo BCE cai para 461 milhões em janeiro

Janeiro foi o primeiro mês do novo modelo do programa, que caminha para o fim. O valor mensal da compra de ativos da zona euro foi reduzido para 30 mil milhões, metade do montante de aquisições mensais até dezembro.

Axel Schmidt/Reuters

A compra de obrigações portuguesas pelo Banco Central Europeu (BCE) caiu a fundo em janeiro, uma tendência já esperada tendo em conta que a instituição liderada por Mario Draghi reduziu para metade o valor do programa no início do mês. Em janeiro, o BCE comprou 461 milhões de euros em obrigações portuguesas.

O valor conhecido esta segunda-feira, compara com os 516 milhões de euros em obrigações nacionais, adquiridos em dezembro.

O programa foi lançado em março de 2015 para estimular a inflação e o crescimento económico na zona euro e, desde então, o BCE comprou 31.524 milhões de euros de dívida portuguesa, ajudando a reduzir as yields das obrigações no mercado secundário a descer para perto dos 2%.

Janeiro foi o primeiro mês do novo modelo do programa, que caminha para o fim. No início de 2018, o valor mensal da compra de ativos da zona euro foi reduzido para 30 mil milhões (metade do montante de aquisições mensais até ao final de 2017).

O programa está planeado, neste momento, até setembro de 2018. No entanto, na última reunião de política monetária, Mario Draghi reafirmou que o BCE continua pronto a prolongar os estímulos monetários, caso considere necessário, e que, mesmo depois destes acabarem, as taxas de juro poderão continuar em mínimos históricos.

A inflação continua a falhar a meta da instituição (próxima, mas abaixo de 2%) e a “recente volatilidade na taxa de câmbio representa uma fonte de incerteza, que é necessário monitorizar devido às possíveis implicações para o outlook de estabilidade dos preços a médio prazo”, disse o presidente do BCE.

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Draghi manteve, na conferência de imprensa desta quinta-feira, um discurso cauteloso quanto ao programa de compra de ativos e à continuação das taxas de juro de referência em mínimos históricos. A inversão da política monetária vai acontecer, mas pode demorar.
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