Compromisso em Lisboa – precisa-se (de recuperar)…

A atividade política na capital tem sido, ao longo dos anos, um espelho da situação política do país em virtude dos seus protagonistas, da sua visibilidade e da tendência de transpor o ambiente político nacional para o contexto dos órgãos do município.


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A atividade política na capital tem sido, ao longo dos anos, um espelho da situação política do país em virtude dos seus protagonistas, da sua visibilidade e da tendência de transpor o ambiente político nacional para o contexto dos órgãos do município.

O abandono da presidência da câmara do Dr. António Costa obrigou à sua substituição pelo Dr. Fernando Medina – até então vice-presidente. A Câmara Municipal de Lisboa vive, desde essa altura, alguma instabilidade na sua organização interna fruto das alterações de pelouros e de outras substituições de vereadores. Fernando Medina encontra-se numa fase de tentativa de afirmação na cidade mas também no seio da própria Câmara. Tal é compreensível à luz da forma como alcançou a presidência, mas também em razão da derrota do seu antecessor nas eleições legislativas (de quem foi um dos principais apoiantes desde o confronto interno com Seguro).

A governação da cidade de Lisboa envolve decisões estratégicas, algumas de longo prazo. Tais decisões têm impacto na vida dos lisboetas, mas também em quem trabalha ou visita a cidade. Algumas destas decisões, além do mais, condicionam o desenvolvimento da cidade e a sua governação muito para além dos ciclos eleitorais. As decisões mais estratégicas para a cidade ou que influenciam o seu desenvolvimento no longo prazo devem merecer o envolvimento político tão alargado quanto possível, de modo a que se alcance um compromisso que vá para além das maiorias políticas conjunturais. Ou seja, decisões estratégicas devem traduzir-se em medidas estáveis que vão para além dos ciclos políticos.

No passado recente, a prática de vários presidentes de Câmara tem sido a de procura de compromisso com os partidos da oposição em matérias mais sensíveis ou mais relevantes para a cidade. Fernando Medina parece querer quebrar com este princípio. A sua prática recente tem sido de intransigência e de indisponibilidade para o compromisso mesmo quando confrontado com a disponibilidade da oposição para construir consensos em decisões importantes para a cidade.

Recentemente, questões relevantes para Lisboa foram alvo de decisões isoladas do presidente da câmara sem querer envolver os demais partidos na respetiva concretização. A decisão de instalação da Feira Popular ou a criação de novas taxas e revisão do quadro de fiscalidade no município que anteriormente foram estabelecidas com um compromisso com os partidos da oposição são exemplos da atitude intransigente do atual presidente. Por outro lado, avizinham-se algumas outras decisões importantes no município que também beneficiariam da criação de um ambiente de compromisso dos vários partidos.

Os portugueses, e também os lisboetas, entendem cada vez menos as divergências político-partidárias estéreis. Antes esperam um sentido de responsabilidade e de compromisso nas decisões que influenciam as suas vidas. Esperam serenidade, estabilidade e previsibilidade. Esperam protagonistas políticos capazes de assumir compromissos e em partilhar as decisões, menos focados na sua própria afirmação.

Por António Prôa,
Vereador na Câmara Municipal de Lisboa

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