Computação cognitiva, o futuro hoje

De uma forma geral, podemos afirmar que o principal objetivo dos sistemas de computação cognitiva será “aprenderem” a interagir “naturalmente” com as pessoas, por forma a “estenderem” as suas capacidades (das pessoas) e, assim, resolverem questões/problemas que estas poderiam resolver por si. Ora esta definição, ainda que simplificada, levanta diversas questões que ultrapassam os domínios […]

De uma forma geral, podemos afirmar que o principal objetivo dos sistemas de computação cognitiva será “aprenderem” a interagir “naturalmente” com as pessoas, por forma a “estenderem” as suas capacidades (das pessoas) e, assim, resolverem questões/problemas que estas poderiam resolver por si. Ora esta definição, ainda que simplificada, levanta diversas questões que ultrapassam os domínios estritamente tecnológicos.
Na verdade, estamos a entrar num campo onde os sistemas por eles próprios “aprendem” a interagir “naturalmente” com os seus utilizadores, recorrendo a técnicas de interpretação da fala e até dos gestos. Um passo que será certamente um acontecimento decisivo para a nossa indústria e para a própria humanidade em si. Isto porque estamos a quebrar uma barreira que aproxima cada vez mais os sistemas das pessoas, ultrapassando dogmas tradicionais e colocando a questão noutro patamar. Uma nova realidade anteriormente quase somente reservada à ficção científica. Ou seja, a autonomia cognitiva dos sistemas.
Recentemente, Bill Gates demonstrou a sua preocupação com a inteligência artificial num contexto diferente, numa visão tradicional da inteligência artificial, e que coloca o utilizador fora da equação, substituindo-o. Partilhando da sua preocupação, gostava todavia que ficasse claro que tenho uma visão progressista da tecnologia. E que esta envolve, e apenas assim faz sentido, o propósito de nos servir, de colocar o sistema numa relação de colaboração que permita o apoio à tomada de decisão. Implica a ajuda a tomar melhores decisões com base nos melhores dados disponíveis. Esse é pois o meu entendimento.
A complexidade de questões, onde urgem respostas, em campos tão diferentes como a saúde, a economia, a demografia, a vida nas cidades. A quantidade de informação, de dados não estruturados, é de tal ordem, de tal grandeza, que apenas com o recurso a estes avançados sistemas poderemos em tempo útil encontrar respostas avisadas. Soluções essas que mais rapidamente nos permitam resolver problemas complexos.
Estamos a desmistificar, a tornar mais simples o acesso a fontes de informação. Um exemplo prático do uso desta tecnologia pode-se situar, por exemplo, na compra de uma casa. Nos sistemas ditos tradicionais este processo de compra iniciar-se-ia com uma procura num qualquer portal, sendo o utilizador levado a escolher entre hipóteses e sendo-lhe apresentado um conjunto de escolhas intermináveis com base em critérios básicos e não interrelacionáveis. Ora, recorrendo a um sistema de base cognitiva, o processo é diferente. Em primeiro lugar, porque começa com uma interrogação ao sistema: “Qual é a melhor casa para mim?”.
E aqui reside a diferença fundamental, ou seja, a colaboração, a interação natural com o sistema. Inicia-se num diálogo onde o utilizador interroga o sistema, e com base nas suas perguntas o sistema tem não só a capacidade de responder, mas de conciliar variáveis de uma forma dinâmica. Compatibilizando, então, nas respostas, fatores básicos, como o preço ou a localização, com outros fatores mais complexos, como a taxa de criminalidade, a disponibilidade de serviços de transportes e de escolas, ou os gostos pessoais. Enfim, um sem número de oportunidades, e não só possibilidades, apenas viáveis pelo diálogo e pela exploração em conjunto de informação. No fundo, na colaboração entre as partes.
Ora este exemplo, por simples que seja, demonstra o caminho: a troca das meras possibilidades oferecidas pelos sistemas tradicionais pelas oportunidades dos sistemas cognitivos. Sejam bem-vindos ao Futuro Hoje!

Jorge Manuel Delgado
CEO COMPTA

Recomendadas

Compreender a arquitetura e as suas possibilidades

O arquiteto David Chipperfield, prémio Pritzker 2023, considera que “a maioria dos arquitetos que trabalha nos ateliês está largamente divorciado da academia, como se ideias, críticas e investigação histórica fossem irrelevantes”.

A crise que ajuda

Subir taxas para combater uma inflação que não tem génese eminentemente monetária parece ser desproporcional e socialmente injusto.

Os resultados da TAP e o legado de Christine Widener

Provavelmente a Justiça acabará por dar razão à CEO da TAP, mas nessa altura já os atuais decisores políticos andarão noutros voos.