Condutores apanhados com álcool registam este ano “aumento expressivo”

O relatório de Segurança Rodoviária informa ainda que houve mais de 18.000 acidentes rodoviários e 253 mortos até julho

O número de condutores apanhados com álcool registou “um aumento expressivo” até julho deste ano em relação ao mesmo período de 2021, tendo as infrações subido cerca de 60% e as detenções quase 77%, revelou hoje a Segurança Rodoviária.

“A condução sob efeito de álcool evidenciou um aumento muito expressivo (+59,3%), mas em grande medida como consequência da queda acentuada do ano anterior”, refere o relatório da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) de sinistralidade a 24 horas e fiscalização rodoviária de julho.

Segundo a ANSR, entre janeiro e julho foram multados 18.054 condutores por condução sob efeito de álcool, enquanto no mesmo período de 2021 foram registadas 11.330 infrações.

A condução sob efeito de álcool é a única infração a registar um aumento nos primeiros sete meses do ano.

A ANSR destaca também que os condutores detidos por excesso de álcool aumentaram 76,4% entre janeiro e julho, totalizando durante esse período as 10.421 detenções, contra as 5.908 do mesmo período de 2021.

No âmbito da criminalidade rodoviária, medida em número total de detenções, mais de metade dos condutores detidos (55%) foi devido à condução sob o efeito do álcool, seguindo-se 33,5% por falta de habilitação legal para conduzir.

No entanto, as detenções por falta de habilitação legal para conduzir reduziram este ano 3,2%.

No total, a criminalidade rodoviária aumentou 36,6% em comparação com igual período de 2021, atingindo 18.935 condutores.

O relatório dá conta que, até julho, foram fiscalizados 72,4 milhões de veículos, quer presencialmente, quer através de meios de fiscalização automática, tendo-se verificado um aumento de 11,5% em relação ao período homólogo de 2021, com a GNR e a PSP a registarem decréscimos de 6,7% e 6,2% respetivamente.

O documento salienta o crescimento de 13,8% no sistema de radares de controlo de velocidades SINCRO gerido pela ANSR.

Entre os 72,4 milhões de veículos fiscalizados nos primeiros setes meses de 2022, foram detetadas 611,2 mil infrações, o que representa um decréscimo de 3,9% face ao ano anterior, indica a Segurança Rodoviária, destacando que o sistema de radares da responsabilidade da ANSR registou um aumento 25,4% no número de infrações, num total de 236.171 autos.

Mais de metade das infrações (61%) correspondem ao excesso de velocidade, tendo as autoridades registado 375.269 autos até julho, menos 3.569 multas do que no mesmo período de 2021.

“Comparando com o período homólogo do ano transato, verificou-se diminuição em quase todas as tipologias de infração, sendo de realçar -20,5% pela não utilização de sistemas de retenção para crianças, -19,8% pela utilização do telemóvel e -13,0% por ausência de inspeção periódica obrigatória. Contudo, a condução sob efeito de álcool evidenciou um aumento muito expressivo (+59,3%)”, refere ainda o relatório da ANSR.

 

Mais de 18.000 acidentes rodoviários e 253 mortos até julho

Os mais de 18.000 acidentes rodoviários registados até julho deste ano provocaram 253 mortos, menos 14,5% face a 2019, mas mais 31,1% em relação ao mesmo período de 2021, revelou hoje a Segurança Rodoviária.

O relatório da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) relativo a julho precisa que nos primeiros sete meses do ano ocorreram em Portugal 18.889 acidentes de viação, que resultaram em 253 mortos, 1.398 feridos graves e 22.021 feridos ligeiros.

“Em relação a 2019, ano de referência para monitorização da meta fixada pela Comissão Europeia e por Portugal, de redução do número de mortos para 2030, registaram-se menos 1.917 acidentes (-9,2%), menos 43 vítimas mortais (-14,5%), mais quatro feridos graves (+0,3%) e menos 3.083 feridos leves (-12,3%)”, indica o relatório de sinistralidade a 24 horas e fiscalização rodoviária de julho de 2022.

A ANSR avança que, em comparação com período homólogo de 2021, ano em que ainda se verificaram quebras na circulação rodoviária devido à pandemia de covid-19, nos primeiros sete meses de 2022 registaram-se mais 3.257 acidentes (+20,8%), mais 60 vítimas mortais (+31,1%), mais 237 feridos graves (+20,4%) e mais 3.946 feridos leves (+21,8%).

O documento salienta que, relativamente a 2021, este ano tem vindo a registar-se um aumento da circulação rodoviária, com “o correspondente acréscimo no risco de acidente, como se pode concluir do aumento de 12% no consumo de combustível rodoviário até julho, de acordo com dados da Direção-Geral de Energia e Geologia, e do crescimento de 30% no tráfego das autoestradas registado no primeiro semestre”.

A ANSR destaca o aumento este ano de quase 21% de acidentes com motas em relação ao mesmo período de 2021, tendo ocorrido 5.492 desastres com estes veículos de duas rodas, que provocaram 72 mortos (mais 38,5%), 425 feridos ligeiros (mais 16,8%) e 5.134 (mais 20,0%).

No entanto, os automóveis ligeiros foram os veículos mais envolvidos em acidentes entre janeiro e julho, representando 71,4% do total, um aumento de 22,8% relativamente ao período homólogo de 2021.

Segundo o relatório, a colisão foi a natureza de acidente mais frequente (53,0% dos acidentes), com 38,2% das vítimas mortais e 43,0% dos feridos graves, enquanto os despistes, que representaram 34,3% do total dos destrates, corresponderam à principal natureza de acidente na origem das vítimas mortais (49,4%).

Entre janeiro e julho, os atropelamentos aumentaram cerca de 32% em relação ao mesmo período do ano passado, tendo-se registado 2.313 que resultaram num crescimento de 24% das vítimas mortais (31) e de 1,8% nos feridos graves (168).

A ANSR indica que, até julho deste ano, a sinistralidade dentro das localidades correspondeu a 79,2% dos acidentes, mas foi fora das localidades que os desastres mais aumentaram (35%), bem como as vítimas mortais (101,5%) e os feridos graves (38%).

De acordo com o mesmo documento, os arruamentos foram as vias com mais acidentes este ano, tendo os desastres registado neste tipo de via um crescimento de 20,5%, as vítimas mortais aumentado 11,8% e os feridos graves subido 22,4%, enquanto nas estradas nacionais verificaram-se aumentos de 43,6% e 30,1% nas vítimas mortais e feridos graves, respetivamente.

Por sua vez, precisa o relatório, nas autoestradas, com 5,2% do total de acidentes, os aumentos de vítimas mortais (+66,7%) e de feridos graves (+19,2%) foram significativos.

“O índice de gravidade (vítimas mortais por 100 acidentes) acentuou-se especialmente nos itinerários principais (+72,2%) e itinerários complementares (+60,9%), sendo ainda de salientar o agravamento nas autoestradas (+27,1%), por contraste com menos 7,3% nos arruamentos. Considerando a evolução da sinistralidade mais grave em termos alargados salientam-se os agravamentos mais significativos nos itinerários principais e itinerários complementares”, frisa a ANSR.

O relatório dá igualmente conta que, entre janeiro e julho, se verificou um aumento no número de acidentes em todos os distritos, mais acentuadamente na Guarda (+34,6%) e em Portalegre (+33,3%).

“No que diz respeito ao número de vítimas mortais, os aumentos ocorreram em 15 distritos, com os maiores contributos numéricos em Leiria (+11), Coimbra e Beja (+8 em cada). Os feridos graves aumentaram em 15 dos 18 distritos do Continente, nomeadamente no Porto (+61) e em Setúbal (+43)”, segundo o documento.

A ANSR refere também que a maioria das vítimas mortais, 66,7% do total, eram condutores, enquanto passageiros e peões corresponderam a 20,1% e 13,3%, respetivamente, registando-se aumentos nas vítimas mortais em todas as categorias de utentes, sobretudo nos passageiros, cujas mortes subiram 108,3% face ao mesmo período de 2021.

O relatório indica ainda que, entre janeiro e julho, 53,8% do número de vítimas mortais registou-se na rede rodoviária sob a responsabilidade da Infraestruturas de Portugal (44,2%), Brisa (5,6%) e os Municípios de Loures e Palmela (ambos com 2,0%).

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