Conferência internacional “Having a Voice” coloca periferias no centro das políticas culturais

“Ter uma Voz” traz pensadores nacionais e internacionais para debater o que é hoje a periferia, como reivindicar novas formas de centralidade, como construir sociedades inclusivas na diversidade, entre outros temas. Quatro dias para desenhar um futuro participativo, em Lisboa e na Moita.

De 16 a 19 de novembro, Lisboa e Moita recebem pensadores nacionais e internacionais para debater as questões mais relevantes ao nível da participação no campo cultural, com especial enfoque no contexto das periferias. Quatro dias marcados por conferências e workshops, sempre em diálogo com a comunidade artística e cultural.

Having a Voice – Ter uma voz” quer ser o epicentro do debate com torno da Cultura como ferramenta para uma sociedade mais justa, inclusiva e capaz de reconhecer a importância da multiculturalidade, da diversidade de raízes culturais. Uma diversidade que também está plasmada no leque de convidados presentes no evento, entre os quias Attaher Maïga, gestor cultural e Secretário-Geral da Fundação Festival sur le Niger, Márcia Tiburi, filósofa, escritora e ativista, o geógrafo Álvaro Domingues, Luca Ricci diretor artístico do Kilowatt Festival e coordenador do Be SpectACTive!, Gerty Dambury, escritora e ativista que participou na primeira Coordenação das Mulheres Negras durante os anos 70, o investigador de políticas culturais Emmanuel Négrier, e Luisella Carnelli, investigadora da Fondazione Fitzcarraldo.

O evento reúne gestores culturais, artistas e investigadores, do Sul e do Leste da Europa, mas também do Sul e do Norte globais, e das múltiplas periferias existentes no seu seio. Objetivo? Discutir as complexidades do “ser periférico” e procurar mecanismos que deem voz a essa diversidade cultural e como esta pode vir a estar presente e fazer-se ouvir no desenho das políticas culturais.

A filósofa brasileira Marcia Tiburi é quem abre os quatro dias de debate, no âmbito do tema “Thinking change/enacting change: culture’s role in tackling social transformation”, sobre os desafios da participação cultural na construção de uma transformação social. No painel “Reclaiming the center in culture: south-north relations in the arts”, Gerty Dambury e Attaher Maïga vão focar-se nas diferenças em ser artista, curador ou programador no Sul ou Norte, e também até que ponto a descolonização das artes pode ser uma oportunidade para repensar os modelos de criação e difusão artísticos.

O programa prossegue com “Artistic Practices and Political Participation”, no qual Hugo Cruz irá analisar a importância das práticas artísticas comunitárias em territórios urbanos e rurais, abordando também a importância das práticas artísticas participativas e comunitárias na atualidade. No âmbito das sessões “Peripheries: real and imagined”, haverá quatro debates em torno do conceito “periferia” e como poderá a cultura ultrapassar esta condição periférica, reivindicando novas formas de centralidade.

Having a Voice” é uma iniciativa de dois projetos europeus distintos – “Stronger Peripheries: A Southern Coalition” e “BeSpeCTAtive!”, nos quais a Artemrede é o representante português. Todos os eventos são de entrada livre, basta fazer o registo previamente ou na chegada ao local. As atividades decorrem de 16 a 19 de  novembro no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, na Biblioteca de Marvila e no Fórum Cultural José Manuel de Figueiredo, na Moita.

Consulte aqui toda a informação sobre os speakers, moderadores e evento.

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