Confiança 2.0

Uma vaga iminente de transformação digital emerge agora no mundo das finanças.

A vida das pessoas e das empresas tem vindo a digitalizar-se, como se vê na proliferação de telemóveis, relógios, robôs e outros dispositivos inteligentes, e em eventos como o Web Summit, com milhares de participantes à procura de descobrir, financiar ou utilizar a próxima grande aplicação tecnológica, que revolucione ou invente mais um mercado.

Como sempre na inovação tecnológica, o caminho não é linear, faz-se de altos e baixos, de expetativas goradas e de alentos renascidos, sendo muitas vezes difícil, no momento, ver bem a floresta, tal a proeminência e disparidade das suas árvores.

Alguns casos do passado recente, já distantes o suficiente para permitir retrospetiva, denotam um padrão: a disrupção frequentemente não provém de tecnologia inovadora per si, antes da aplicação de ideias já maduras a problemas posteriores ou em contextos que se tornaram mais propícios, por exemplo pela conjugação de outras tecnologias.

Foi o caso do mercado de smartphones, que já existia muito antes do lançamento do iPhone, mas só explodiu com a crescente conetividade e variedade de aplicações que este trouxe. Foi também o caso da explosão da capacidade de análise de quantidades massivas de dados – big data – potenciada pelo grande caudal de informação gerado pelos dispositivos pessoais e, cada vez mais, por outros objetos ligados entre si, na chamada Internet das Coisas.

Uma vaga iminente desta transformação digital emerge agora no mundo das finanças, começando pela invenção da Blockchain, tecnologia que cancela a noção de a moeda ser um exclusivo dos estados soberanos, tornando-se a sua emissão independente de uma entidade central, como no caso do Bitcoin, ou a depender de uma que não necessariamente um banco central, antes por exemplo uma empresa ou produto que busca financiamento, como no caso do Filecoin e outras moedas digitais («crypto-currencies») lançadas ou anunciadas para «Initial Coin Offerings.»

O alcance da Blockchain será muito mais vasto, uma vez que o conceito chave subjacente é o da confiança. Permite o registo e disseminação de informação fidedigna de qualquer natureza, não apenas a respeitante a moeda digital, podendo compreender factos gerais, bem como contratos entre entidades. Desde o registo de propriedade ou de origem até às demonstrações financeiras de uma empresa ou organização, passando pela identidade digital, vem aí um mundo em que muitos papéis tradicionais de produtor, guardião ou dono da informação vão mudar dramaticamente.

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