Confiança em queda nas principais economias europeias agrava risco de recessão

Alemanha, França e Itália reportam quedas maiores do que o esperado na confiança das famílias e sector privado, espelhando a preocupação dos agentes económicos com a subida de preços na zona euro e dando cada vez mais força à possibilidade de uma recessão real no final deste ano e início de 2023.

Três das principais economias da zona euro registaram novas quebras de confiança esta quarta-feira, com a perspetiva de novas subidas de preços a deteriorar as expectativas económicas das famílias europeias. Alemanha, França e Itália reportaram decréscimos em diferentes indicadores de confiança, dando mais força a um cenário de recessão real na Europa no último trimestre deste ano e início do próximo.

O índice de confiança dos consumidores compilado pela GfK mostra o quarto mês seguido de mínimos históricos na Alemanha, recuando novamente para -42,5, o que é um resultado ainda mais negativo do que o esperado, ou seja, -39,0, e do que o registado no mês anterior, quando o indicador ficou nos -36,8.

As expectativas dos consumidores alemães quanto ao seu rendimento disponível atingiram o ponto mais baixo desde 1991, quando este indicador foi criado, e refletem o esmagamento do poder de compra das famílias, à medida que a inflação continua a subir.

A Pantheon Macro destaca o efeito esperado do mecanismo de mitigação da subida dos preços da eletricidade, que entra em vigor em outubro e, ao distribuir os aumentos dos consumidores industriais pelo resto do mercado, não deverá permitir abrandamentos nas contas da energia das famílias da maior economia europeia nos próximos meses. Afigura-se, portanto, improvável uma melhoria deste índice nos próximos meses.

Em França, o índice da INSEE relativo a setembro mostra que a confiança das famílias voltou a recuar naquele mês, depois de uma ligeira estabilização durante o verão, tendo caído de 82 em agosto para 79 no mês que agora termina. A expectativa dos mercados cifrava-se em 80.

Os medos com o aumento do desemprego cresceram, ao passo que as expectativas da inflação voltaram a subir, levando, por arrasto, a poupança planeada pelas famílias a aumentar, de forma a proteger contra quebras de rendimento. Uma nota positiva, refere a Pantheon, é a queda ligeira e menor do que o esperado nas perspetivas de consumo, o que poderá significar uma quebra mais contida na procura interna e, consequentemente, permitir ao país evitar uma recessão ainda este ano.

Já em Itália, o índice ISTAT divulgado esta quarta-feira também mostra uma queda assinalável e maior do que o projetado. Depois de ter ficado em 98,3 em agosto, o indicador referente às famílias caiu para 94,8 em setembro, abaixo dos 95,1 esperados pelos analistas, enquanto o índice calculado para os produtores industriais abrandou de 104,0 em agosto para 101,3 em setembro, quando a expectativa era de 102,1.

Considerando todo o sector privado, a confiança também recuou de 109,2 para 105,2, com os serviços e o retalho a levarem o maior tombo. A Pantheon reconhece a possibilidade de ligeira melhoria destes indicadores face ao que pode ser a nova linha política italiana, mas esta não deverá ser suficiente para afastar o país de uma recessão na qual parece estar já a entrar, “embora um pouco mais moderada do que na Alemanha”, remata o think-tank.

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