Confrontos não param entre a Arménia e o Azerbaijão

As capitais Yerevan e Baku acusam-se mutuamente de disparar morteiros e artilharia, um dia depois de se registarem dezenas de mortas no pior confronto desde 2020.

Nagorno-Karabakh

Novos confrontos eclodiram entre as tropas do Azerbaijão e da Arménia ao longo desta quarta-feira, diz o Ministério da Defesa da Arménia, um dia depois de os combates terem resultado em quase cem soldados mortos, os mais graves entre os dois vizinhos desde 2020.

O Azerbaijão usou artilharia, nomeadamente morteiros no ataque da manhã, disse o Ministério, tornando evidente que as medidas que a Rússia afirmou ir implementar na terça-feira não tiveram, pelo menos para já, qualquer efeito.

“A situação na fronteira arménio-azerbaijana permanece tensa”, acrescentou a Arménia, reafirmando a sua posição anterior: foi o Azerbaijão que lançou uma agressão ao território arménio soberano.

Por sua vez, o Azerbaijão acusou a Arménia, que abriga uma base militar russa, de disparar morteiros e artilharia contra as suas unidades militares. “As nossas posições estão a ser periodicamente atacadas”, disse o Ministério da Defesa do Azerbaijão, “e as nossas unidades estão a tomar as respostas necessárias”.

A retórica tradicional repete-se dos dois lados, o que implica que a paz e a cooperação – que estavam previstas no acordo de novembro de 2020 – não são para já.

A Rússia, que é a principal influência no Cáucaso e um aliado da Arménia por via da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO), disse que negociou um acordo de cessar-fogo e chamou ambos os lados para manter conversações.

Moscovo supervisionou um acordo de cessar-fogo em novembro de 2020 para encerrar a guerra em Nagorno-Karabakh e enviou quase dois mil efetivos como força de paz. Mas, na altura, a Rússia prescindiu do contributo da Turquia para negociar o acordo, o que não foi uma decisão que tivesse agradado ao presidente Recep Erdogan.

O conflito de 2020, que matou mais de 6.500 pessoas em pouco mais de seis semanas, viu o Azerbaijão reconquistar faixas de território dentro e em redor de Nagorno-Karabakh que eram controladas por forças étnicas arménias apoiadas por Yerevan.

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