Congresso AEP. “É preciso ter cuidado com a reindustrialização”, disse Portas

O ex-ministro Paulo Portas interveio no congresso para explicar que a Europa está particularmente exposta às metástases da guerra. Nesse quadro, é preciso escolher bem o que pode ser considerado estratégico.

Paulo Portas no Jornal das Oito da TVI

“Não há um sistema internacional de gestão de crises” – o que fica bem claro que “olho para o Conselho de Segurança, que parece uma fotografia a preto e branco. Está ‘out dated’”, disse o ex-ministro Paulo Portas na sua intervenção de fundo no Congresso Portugal Empresarial, a decorrer na Exponor, no Porto, ao longo da tarde.

O cenário geopolítico em mudança, tema da sua intervenção, interessa desde logo às empresas, mas também como palco de uma qualquer transformação que a pandemia e a guerra na Ucrânia tornam obrigatório. Com uma evidência prévia: “a Irlanda vai ter no final do ano 127% do PIB que tinha em 2019, quando há economias que estão com problemas para chegar aos 100%”, disse.

De qualquer modo, “apesar da assimetria da crise”, “os países que têm energia e produção alimentar” são – como acontece em quase todas as guerras – aqueles que suportam melhor as metástases dessas crises. Ora, recordou, a Europa está, neste quadro, particularmente exposta.

Até porque a produção está deslocalizada para a Ásia. Industrialize-se, dizem os empresários. “Sim, mas com calma. Por alguma razão os capitais europeus preferem investir nos Estados Unidos e na Ásia. Porquê? Talvez seja um bocadinho excessiva a propensão para a regulação”, afirmou. “É que a estabilidade europeia paga-se”.

Neste quadro, talvez seja necessário pensar outra vez a reindustrialização, até porque por vezes encontram-se sectores estratégicos que verdadeiramente não o são. “Ter mercados abertos é a melhor forma de ultrapassar uma crise. Mas fragmentar a globalização é um risco enorme. Em vez de fazer negócios com os meus clientes, faço negócios com os meus amigos. E isso significa perder negócio. Não temos, em Portugal, grande vantagem em que a economia mundial fique dividida” em dos blocos políticos, os Estados Unidos e a China”, afirmou.

Ou, dito de outra forma: não há nenhuma evidência de que Portugal possa ganhar com as reservas que os Estados Unidos têm face à China.

Por outro lado, disse, “não há paz sem defesa. Espero que tenha desaparecido de vez” essa estratégia europeia, numa altura em que o eixo de gravidade europeu está a deslocar-se para leste. “E nesse quadro, a Polónia é muito importante, afirmou.

Finalmente, Paulo Portas chamou a atenção para a subida das taxas de juro. “No final do ano, nos Estados Unidos, a taxa de juro deverá estar nos 3,75%. E a Europa não deverá ficar muito atrás”. Se houver uma recessão nos Estados Unidos, ela será breve” e as suas repercussões na Europa serão muito mais prolongadas.

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