Consórcio do Greater Sunrise deve fazer estudo independente sobre opções, diz presidente timorense

“As partes do consórcio, porque aí os Governos não podem intervir, devem comissionar um estudo independente técnico, financeiro, comercial e económico sobre as duas opções, do gasoduto para Darwin ou do gasoduto para Timor-Leste”, disse José Ramos-Horta, em entrevista à Lusa.

O Presidente de Timor-Leste defendeu hoje a realização de um estudo independente, comissionado pelas empresas do consórcio do Greater Sunrise, para avaliar de forma definitiva as questões técnicas, económicas e financeiras do desenvolvimento do projeto.

“As partes do consórcio, porque aí os Governos não podem intervir, devem comissionar um estudo independente técnico, financeiro, comercial e económico sobre as duas opções, do gasoduto para Darwin ou do gasoduto para Timor-Leste”, disse José Ramos-Horta, em entrevista à Lusa.

“Um estudo independente, reconhecido por todos, que prove por A+B que a opção para Timor-Leste primeiro é viável do ponto de vista técnico, com todas as garantias de segurança e um estudo sobre os custos da opção de trazer o gasoduto para a Austrália”, sublinhou, mostrando-se convicto de que é possível “encontrar uma solução” para o atual impasse.

José Ramos-Horta falava à Lusa numa entrevista de balanço no final da visita de Estado à Austrália, e antes do regresso a Díli, onde esta semana se deverá dirigir ao Parlamento, na abertura da sessão legislativa.

Independentemente da solução que venha a ser implementada, Ramos-Horta considerou que o Governo timorense deve mostrar “inteligência apurada e ativismo sério” para resolver “problemas que obstaculizam investimentos” no país.

“Continua a haver problemas graves de demora na aprovação, e até de hostilidade relativamente a investidores estrangeiros, nomeadamente no sector da justiça. Se tudo isto for resolvido e muito rapidamente, Timor-leste tem o potencial enorme para trazer investidores de A a Z que querem aproveitar o facto de Timor-Leste aderir à ASEAN [Associação de Nações do Sudeste Asiático], um mercado de 700 milhões, quatro triliões de dólares de PIB [produto interno bruto] em 2023”, referiu.

Entre as medidas, e a par de criar um ambiente mais favorável às empresas e aos investidores estrangeiros, Ramos-Horta defendeu transformar o aeroporto da segunda cidade do país, Baucau, num “hub regional de carga, num grande armazém de reexportação de carga aérea” e até de manutenção de aviões.

O chefe de Estado timorense sugeriu ainda “fazer de todo o Timor-Leste uma zona de comércio livre”, ‘tax free’ e com uma política de ‘open skies’, em que qualquer companhia área pode voar para o país, “tendo que para isso se modernizar as infraestruturas”.

“Tudo isto pode evitar que Timor-Leste fique demasiado dependente do petróleo e do gás”, afirmou.

A questão do projeto de desenvolvimento do Greater Sunrise acabou por ser um dos aspetos dominantes da visita de Ramos-Horta, tanto nos diálogos com as autoridades australianas, como no que toca à atenção mediática.

O chefe de Estado timorense disse ser crucial que esse “estudo aprofundado” seja feito por “alguém independente” e que depois “dois lados aceitem o resultado, com qualquer opção que seja seguida a ser assente nessa avaliação”.

Timor-Leste detém 56,6% do Greater Sunrise, localizado a 150 quilómetros (km) a sudeste do país e a 450 km a noroeste de Darwin, em parceria com Woodside (34,44%) e a Osaka Gas (10%).

Ramos-Horta lembrou que os líderes políticos e a ampla maioria da cidadania defendem o gasoduto para Timor-Leste, tanto pelos benefícios diretos, como pelos indiretos, permitindo “acionar toda uma série de possíveis indústrias e criar a tal tão almejada diversificação da economia”.

O Presidente timorense insistiu, durante toda a visita, nas “ramificações vantajosas de levar o gás para Timor-Leste”, o que permitirá “dinamizar enormemente a economia timorense, tornando Timor-Leste um pequeno ‘hub’ da energia na região”.

Na prática, disse, representaria dar a Timor-Leste os impactos de que Darwin tem beneficiado nas últimas décadas por ter aqui as unidades de processamento do gás natural liquefeito (GNL), incluindo proveniente de poços em águas timorenses no mar de Timor.

Ramos-Horta insistiu na melhoria da ação do Governo no que toca ao setor empresarial privado, referindo que se mantêm obstáculos que desencorajam investidores, como o projeto da empresa de Singapura Pelican Paradise que demorou mais de dez anos para ser aprovado.

Além de Camberra, Ramos-Horta deslocou-se ainda a Sydney, terminando a visita em Darwin onde se reuniu, entre outros, com responsáveis do Governo local que, na prática, é concorrente de Timor-Leste no projeto do Greater Sunrise.

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