Uma conspiração portuguesa em Londres

A promoção de tudo o que é português é o grande objetivo do clube Portuguese Conspiracy: Há bacalhau mas também cinema e música.

Um casal português, incentivado pelos elogios dos amigos ingleses à gastronomia nacional, decidiu lançar um clube em Londres: batizado de Portuguese Conspiracy – Conspiração Portuguesa, promove, desde 2013, produtos portugueses, concertos, festivais, cinema e wine parties, entre outras actividades, contando neste momento com uma loja online.

“A ideia surge de uma necessidade de comunicar e partilhar o nosso património e tradições gastronómicas em Londres, e do desejo de enquadrar estas mesmas tradições e particularidades num contexto mais abrangente, de certa forma mais jovem e informal, onde a gastronomia, o vinho, a música, o cinema e as artes visuais se conjugam, e contribuem para configurar uma visão alargada da cultura contemporânea Portuguesa”, explicam Rita Maia e José Cardoso, dois dos fundadores.

A palavra portuguese nem sempre fez parte da ideia original. “Inicialmente tratava-se da The Codfish Conspiracy – A Conspiração do Bacalhau – dada a ubiquidade e curiosa persistência do dito na dieta dos portugueses.

Felizmente, decidimos simplificar e tornar o conceito mais abrangente.” Desde a fundação até ao momento já passaram pelos eventos mais de três mil pessoas.

A festa de lançamento foi feita com pompa e circunstância. Destinada a dezenas de amigos, a refeição, composta por uma entrada, dois pratos principais e duas sobremesas, foi acompanhada por vinhos escolhidos especialmente para o efeito e, ainda, por música jazz, também assegurada por um português. A escolha do bacalhau com natas, por exemplo, teve em consideração o facto de não ter espinhas, mas também porque costuma ser apreciado por amigos estrangeiros.

“Era o prato preferido de toda a gente que comia lá em casa, por isso não houve dúvidas. E reparámos que, para pessoas que não são portuguesas, era um prato relativamente fácil de entender — as pessoas percebiam e gostavam”, recordam.

Da ementa fizeram, ainda, parte o queijo da serra, a alheira ou o pão-de-ló de Alfeizeirão, o requeijão e o doce de abóbora, ingredientes comprados e transportados por amigos.

A mudança para a capital britânica foi uma consequência dos planos de Rita e José. “Sempre gostámos de Londres, e tínhamos curiosidade em experimentar viver cá”, dizem. A Rita veio fazer um estágio na National Portrait Gallery como parte de uma pós graduação em Events Management. O José queria explorar uma carreia em design. Acabaram por seguir outros caminhos.

Os maiores desafios prenderam-se com a comunicação coerente de todas as atividades, dado que o mundo do cinema, da música, dos vinhos e do design são muitas vezes vistos como realidades distintas e independentes. No entanto, as dificuldades foram muito menores do que o esperado. E explicam: “Londres em particular, e o sistema britânico em geral, é bastante amigável para quem deseja experimentar, nomeadamente no aspeto legal, bem como na carga e obrigações fiscais e contabilísticas.”

A partir do exterior, Rita e José olham para Portugal com admiração. “Lisboa e Porto têm beneficiado de um crescimento enorme do turismo, e isso tem contribuído positivamente para maior visibilidade do país e da cultura. A par desta evolução positiva, este últimos cinco anos de austeridade acabam (na nossa opinião) por deteriorar e constringir de forma decisiva as possibilidades de desenvolvimento, da criação de perspetivas estáveis de trabalho (e rendimentos), aspetos que em última análise fazem com que em Portugal só se consiga planear a curto prazo”.

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