Construção ataca críticas e diz-se pronta para dar resposta ao País

Presidente da AICCOPN critica as declarações da presidente da CCDR Centro, que levantou dúvidas sobre a capacidade das empresas nacionais darem resposta ao esforço de reconstrução das casas afetadas pelos incêndios.

Foto cedida

A AICCOPN – Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, reagiu hoje, num comunicado, “com estranheza e profunda indignação às notícias veiculadas na Comunicação Social, citando a Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, as quais levantam dúvidas acerca da capacidade de resposta das empresas nacionais ao esforço de reconstrução das casas afetadas pelos devastadores incêndios de outubro e colocam mesmo a hipótese de lançar um eventual concurso internacional para adjudicação das obras”.

“Estamos a falar de responsáveis que, entre outras importantes atribuições, têm a seu cargo a condução de relevantes instrumentos de política pública, ou seja, têm de conhecer este setor de atividade que, até hoje, nunca deixou de responder aos desafios do País, por mais exigentes que estes possam ter sido, pelo que espero que estas afirmações sejam esclarecidas, até porque não foram bem compreendidas por parte das empresas”, exige Reis Campos, presidente da AICCOPN, no referido comunicado.

Este dirigente considera que “se os inúmeros projetos que atestam a capacidade das nossas empresas, com especiais exigências, complexidade e dimensão, como as diversas infraestruturas de transporte e comunicações, barragens, portos, aeroportos, entre tantos outros, em que as empresas de construção nunca falharam ao País, não são suficientes para descansar os espíritos mais inquietos, podemos sempre olhar para a realidade dos números”.

Com efeito, nos primeiros dez meses de 2017, o volume de contratos de empreitadas de obras públicas celebrados foi de apenas 927 milhões de euros, para um total de 2,4 mil milhões de euros de concursos promovidos.

Reis Campos refere que “para ter uma noção do que isso representa, em termos históricos, direi apenas que, em 2001, foram lançados 4,6 mil milhões de euros”.

“E, uma vez que é de construção de habitação que estamos a falar, recordo que nesse ano foram licenciadas 114.254 habitações, quando, em 2016, o total foi de 11.355 e, este ano, até outubro, são 11.690, ou seja, 90,1% menos que o verificado há 16 anos. Estes valores demonstram bem que estamos muito abaixo daquela que é a capacidade operacional do setor”, defende o presidente da AICCOPN e da CPCI – Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário.

Reis Campos entende que “é perfeitamente compreensível a necessidade de dar uma resposta célere a uma população que sofreu, com a perda de vidas humanas, uma terrível tragédia que, até hoje, ninguém conseguiu explicar cabalmente e sabemos que existe, em toda a sociedade, um sentimento de culpa pelo abandono a que tem sido votado o interior”.

“Todos queremos ver resolvida esta situação com a maior brevidade possível, mas estes sentimentos não podem justificar as dúvidas levantadas sobre as empresas, que sempre souberam responder ao País e que estão profundamente mobilizadas para esta tarefa de reconstruir, não apenas edifícios e infraestruturas, mas também reabilitar vidas e comunidades”, destaca Reis Campos.

O presidente da AICCOPN conclui, dizendo que “não podemos calar a indignação de todo um setor que não merece esta desconsideração”.

“E, ainda há poucos dias, em visita aos territórios afetados pelos incêndios, o próprio Senhor Primeiro-Ministro referia o «exemplo notável de reconstrução» e considerava este um «sinal de que o país tem capacidade e forças para renascer depois das tragédias». Tenham os poderes públicos a capacidade de criar as condições para a realização das obras, que as nossas empresas não deixarão de voltar a erguer o que a incompreensível tragédia destruiu”, assevera Reis Campos.

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