Consumo privado e desaceleração das exportações promovem desaceleração do PIB, estima ISEG

A Síntese de Conjuntura do ISEG confirma que o PIB do 3º trimestre desacelerou, mas encontra sinais de estabilidade para o trimestre em curso.

Peter Nicholls/Reuters

A desaceleração do crescimento do PIB no 3º trimestre (2,1% em termos homólogos) teve origem, comparativamente ao crescimento no trimestre anterior, na desaceleração homóloga da procura interna, em especial do consumo privado. O contributo da procura externa líquida para o crescimento continuou negativo (embora menos), em particular devido a uma desaceleração no crescimento das exportações de serviços (onde sobressai o turismo).

Esta é uma das principais conclusões da Síntese de Conjuntura do ISEG (Universidade de Lisboa) relativa ao mês de dezembro de 2018, que analisa vários parâmetros, nomeadamente a confiança e clima económico, a produção industrial, e o volume de negócios nos serviços, no comércio a retalho, entre outros.

Os primeiros dados quantitativos relativos ao 4º trimestre (quase exclusivamente de outubro) sugerem uma relativa estabilidade no crescimento conjunto dos principais indicadores, mas a evolução dos indicadores de confiança e clima económico em outubro e novembro foi um pouco mais pessimista.

Para a totalidade do ano de 2018 a previsão para o crescimento do PIB mantêm-se no intervalo 2,1% a 2,3%.

De acordo com os dados da primeira estimativa quantificada do Instituto Nacional de Estatística (dados provisórios, 30 de novembro), no 3º trimestre de 2018 o PIB cresceu, em volume, 2,1% em termos homólogos (2,4% no 2º trimestre) e 0,3% em relação ao trimestre anterior (0,6% no 2º trimestre), valores iguais aos da estimativa rápida divulgada quinze dias antes. Com esta estimativa foram disponibilizados valores quantificados para as diversas componentes do PIB que permitem discernir as razões para a desaceleração do crescimento global no 3º trimestre, diz o relatório

O crescimento do PIB no 3º trimestre resultou de um contributo de 2,4% p.p. por parte da Procura Interna (PI) e de um contributo negativo de -0,3 p.p. com origem na Procura Externa Líquida (PEL). O crescimento da PI foi inferior em 0,3 p.p. ao registado no trimestre anterior, desaceleração que teve a sua principal origem no consumo privado que cresceu apenas 2,3% (2,7% no trimestre anterior).

Nas restantes componentes da PI, o investimento cresceu à mesma taxa do trimestre anterior (4,4%) e o consumo público apenas um pouco menos (0,2 p.p.). Contudo, o menor crescimento do consumo privado no 3º trimestre ficou apenas ligeiramente abaixo da média no passado recente, enquanto o do 2º trimestre a excedera de forma notória.

Em termos acumulados, nos três primeiros trimestres do ano o crescimento da economia é de 2,2%, com 0,6 p.p. abaixo do registado na totalidade de 2017. Comparativamente a 2017 nota-se que tem sido o menor crescimento do Investimento o fator a justificar o menor crescimento do PIB em 2018: 10% em 2017 contra 5% em 2018. Nas restantes componentes da PI ou PEL as diferenças de crescimento entre anos são da ordem das décimas.

Para o conjunto da Zona Euro o crescimento no 3º trimestre foi revisto em baixa para 1,6% em termos homólogos. Relativamente ao trimestre anterior, a Alemanha (-0,2%) e a Itália (-0,1%) decresceram. De janeiro a setembro, a Alemanha cresceu 1,7%, a Espanha 2,6%, a Itália 1,0% e a França 1,7%.

O indicador de tendência da atividade global (IZ) estabilizou em outubro. Este resultado foi determinado por uma melhoria na evolução do comércio a retalho, desaceleração no setor dos serviços e estabilização nos restantes indicadores.

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