Contas sobre combustíveis “são à prova de bala”, garante o presidente da Galp

O presidente da Galp, Ferreira de Oliveira, garante que as contas feitas pela petrolífera que dão um aumento de cinco cêntimos por litro de gasóleo e de 6,5 cêntimos na gasolina no próximo ano “são à prova de bala”. Em entrevista à Lusa, Ferreira de Oliveira reafirma, assim, os cálculos que apresentou na segunda-feira de […]

O presidente da Galp, Ferreira de Oliveira, garante que as contas feitas pela petrolífera que dão um aumento de cinco cêntimos por litro de gasóleo e de 6,5 cêntimos na gasolina no próximo ano “são à prova de bala”.

Em entrevista à Lusa, Ferreira de Oliveira reafirma, assim, os cálculos que apresentou na segunda-feira de subida de preços dos combustíveis em 2015, escusando-se a comentar as declarações do ministro Moreira da Silva, que falou de uma tentativa de “assustar a população, num momento em que o ‘brent’ e os combustíveis ainda estão a baixar”.

“Fizemos as nossas contas com aritmética simples, não com projeções, mas com simulações sobre o ano de 2013, porque esse é real – o futuro a Deus pertence – e as nossas contas são à prova de bala, porque são fáceis de fazer e calculamos que o custo incremental que o mercado terá, com um conjunto de instrumentos legislativos que estão em preparação, eleva o preço do gasóleo marginalmente acima dos cinco cêntimos por litro e da gasolina a 6,5 cêntimos por litro”, declara.

A Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) veio durante a semana corroborar estas contas relativas ao agravamento da contribuição de serviço rodoviário (CSR), previsto na proposta do Orçamento do Estado para 2015, e à taxa de carbono, contemplada na reforma da fiscalidade verde, e ainda à incorporação de biocombustíveis, depois de Moreira da Silva ter dito não terem adesão à realidade.

A Galp atribuiu às novas políticas governamentais um aumento de 346 milhões de euros no custo total dos combustíveis para o próximo ano, resultante do somatório de dois cêntimos por litro, para financiar a Estradas de Portugal, que multiplicado pelo efeito IVA dá 2,46 cêntimos. Depois a reforma da Fiscalidade Verde representa um acréscimo de mais 1,5 cêntimos, o que dá quatro cêntimos por litro.

Há ainda o efeito de passar de uma meta de incorporação de biocombustíveis de 5,5% para 7,5%, previsto no decreto-lei 117/2010, que deverá somar 1,5 a dois cêntimos na gasolina e cerca de um a 1,5 no gasóleo.

“Devo dizer-lhe que tenho respeito e sou amigo do senhor ministro da Energia, Ambiente e Ordenamento do Território. E não temos entre nós nenhuma divergência relacional”, vinca o gestor, quando inquirido sobre as acusações do governante no programa Negócios da Semana, na SIC Notícias, sobre a existência de “uma campanha para desviar as atenções sobre a razão para o preço do gasóleo e da gasolina demorar tanto a refletir o efeito da descida do ‘brent’”.

Sobre este tópico, Ferreira de Oliveira reitera que “os preços da gasolina e do gasóleo em Portugal, como aliás em toda a Europa, são de uma transparência que está à prova de qualquer investigação de quem quer que a queira fazer”.

“Os preços da gasolina e do gasóleo evoluem de acordo com as cotações internacionais dos produtos e são publicados todas as semanas pela entidade de estatísticas da União Europeia”, acrescenta.

O gestor recorda ainda que o que determina o preço da gasolina e do gasóleo não é o preço do crude, mas as respetivas cotações nos mercados internacionais, que embora não tenham correlação direta, “no longo prazo um preço arrasta o outro”.

A única diferença em relação à prática nos restantes países da Europa é que os preços em Portugal são indexados à média das cotações da semana anterior, em vez de dependerem da cotação do dia, o que resulta de “uma tradição desde que os preços eram regulados” e “é prejudicial para a Galp”.

“Gostaríamos de vender à porta da refinaria à cotação do dia, porque felizmente temos capacidade para assumir esse risco. Só não alteramos para que não nos digam que não permitimos que pequenos operadores existam no mercado”, conclui.

OJE/Lusa

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