“Continua muito por fazer para reduzir a dependência do petróleo”, diz Lagarde sobre Angola

Líder do FMI salientou que as receitas da exploração da matéria-prima permitiram ao país reconstruir as infraestruturas e contribuído para progressos na redução da pobreza, após a guerra civil. No entanto, apelou a uma diversificação da economia angolana.

A líder do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, defendeu que a economia angolana necessita diversificar as fontes de receitas da economia, reduzindo a dependência do petróleo.

No fim de uma visita de dois dias a Luanda, Christina Lagarde salientou que as receitas da exploração da matéria-prima permitiram ao país reconstruir as infraestruturas e contribuído para progressos na redução da pobreza, após a guerra civil. No entanto, alertou para o impacto das flutuações do preço do ‘ouro negro’.

“Ainda, continua muito por fazer para reduzir a dependência da economia do petróleo e sua vulnerabilidade às flutuações do preço do petróleo, para que suficientes recursos possam ser disponibilizados para melhorar os padrões de vida de toda a população angolana”, referiu.

“A diversificação económica em outros setores é fundamental para o sucesso da estratégia de desenvolvimento do governo”, acrescentou.

Lagarde realçou que o Programa de Estabilização Macroeconómica do Governo e o Plano Nacional de Desenvolvimento para 2018–22 estão focados numa consolidação orçamental favorável ao crescimento, numa maior flexibilidade da taxa de câmbio e em reformas estruturais que promovam o aumento da produtividade.

“Nesse contexto, elogiei o Governo pelos esforços para reduzir o grande défice e o Banco Nacional de Angola por uma transição ordenada para um regime cambial mais flexível”, disse, acrescentando que o progresso nas receitas domésticas também será importante para ajudar a manter a dívida do governo numa rota sustentável.

Esta sexta-feira, a diretora-geral do FMI explicou ainda que a disponibilização da segunda parcela do empréstimo de 3,7 mil milhões de dólares a Angola depende da execução da primeira tranche de cerca de 963 mil milhões de euros.

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