“Contratámos apenas dois jogadores desde 2017”, destaca CEO da SAD do Estoril Praia

Moderação no investimento, vendas avultadas e um futuro que se quer estável. Estas são as premissas desta nova vida do Estoril Praia entre os maiores emblemas do futebol nacional, num percurso marcado ainda pela sustentabilidade. Em entrevista ao JE, Guilherme Muller, CEO da SAD do Estoril Praia, explica a estratégia do clube que passa ainda por uma aposta na responsabilidade social e ambiental.

Campeão da II Liga há dois anos e nono lugar na temporada passada, o Estoril Praia aposta na sustentabilidade financeira para manter-se entre os maiores emblemas do futebol português. Em entrevista ao programa “Jogo Económico”, da plataforma multimédia JE TV, Guilherme Muller, diretor-geral da SAD do Estoril Praia, fala da importância de ter um bom departamento de scouting e de uma aposta muito séria na equipa de sub-23 que vai alimentando o plantel principal.

O Estoril faz uma aposta séria na sustentabilidade financeira?

Acima de tudo, o Estoril procura ser um clube sustentável, algo que é muito difícil no panorama atual do futebol em Portugal. É complexo e é difícil encontrar a estabilidade financeira neste contexto mas é isso que temos tentado fazer nos últimos tempos com muita cautela nas despesas que vamos tendo e procurar equilibrar o orçamento com receitas extraordinárias que passam pela venda dos passes de futebolistas. Felizmente, este tem sido um caminho com muito trabalho e dedicação.

A segunda Liga foi um tremendo desafio ao Estoril Praia?

O Estoril teve um percurso difícil no seu passado recente quando chegou à segunda Liga já que esta realidade é muito diferente da primeira dada a competitividade existente. Pelo equilíbrio que há nas receitas dos clubes da segunda Liga, até pelos contratos de transmissão televisiva que são uma fatia muito importante nas contas dos clubes, existem sempre cerca de sete equipas a disputar que eventualmente podem subir de divisão. A chegada à segunda Liga implicou um risco para o Estoril porque dificilmente conseguiríamos, com as nossas receitas ordinárias, encontrar aquilo que planeávamos gastar este ano para tentar subir. Tínhamos equipas com orçamentos superiores ao nosso mas a nossa aposta foi bem conseguida.

O Estoril tem sido muito criterioso nas contratações.

Desde 2017, ano em que cheguei ao clube, o Estoril comprou os direitos económicos de dois jogadores. Assumimos alguma dificuldade em manter uma base muito sólida de uma época para a outra, porque há sempre oportunidades de negócio que não podemos perder. A adaptação passa sempre por aí: um bom departamento de scouting que tenta encontrar bons negócios por um valor baixo mas sempre com partilhas de passe e empréstimos com opção de compra. As coisas têm corrido bastante bem até porque temos conseguido encontrar jogadores que vão passando despercebidos por parte dos emblemas mais poderosos do nosso futebol.

Mais do que os títulos, os sub-23 fornecem a equipa principal, correto?

Conseguimos os quatro títulos possíveis nos últimos dois campeonatos de sub-23. Se me perguntar se é esse o principal objetivo dessa equipa, tenho que responder que não. Fico muito satisfeito de conquistar estes títulos mas é muito claro que o objetivo é outro: mais jogadores de sub-23 na equipa principal e vendas diretas destes valores para outros clubes. A verdade é que temos conseguimos cumprir esses objetivos. Veja-se o caso de André Franco que só conseguimos recrutar por termos equipa de sub-23 e existem outros casos de jogadores que vieram diretamente dessa equipa de sub-23. Neste momento, temos seis jogadores no plantel principal que vieram da equipa de sub-23, isto num plantel de 25 futebolistas.

Porquê a aposta em equipamentos reciclados?

Não queremos que este projeto do Estoril seja apenas “pontapé na bola”, como se costuma dizer. A ideia passa sempre por apelar à nossa comunidade e o Estoril é o maior representante desportivo de um concelho que tem 250 mil pessoas. Para criar essa identidade, procurámos desenvolver dois eixos estratégicos: responsabilidade social e ambiental, algo que foi ainda mais desafiante num contexto de pandemia. No ano mais crítico da pandemia, trocámos o patrocínio da Gelpeixe por refeições a famílias carenciadas do concelho de Cascais e além disso, apostámos na responsabilidade ambiental. Utilizámos os nossos equipamentos para apelar à reciclagem: aproveitamos o facto do nosso primeiro equipamento ser amarelo e o segundo ser azul para fazer uma brincadeira com o terceiro equipamento que acabou por ser verde. Conseguimos com a Kappa, que é nosso patrocinador de equipamentos, que produzissem pela primeira vez equipamentos em material reciclado, algo que acontece com 92% dos nossos equipamentos. É um apelo muito forte à reciclagem e essa sensibilização é muito importante.

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