COP27: África quer receber mais para compensar emissões poluentes

“Devemos olhar para o comércio de carbono como uma ferramenta de coleta orçamental para a nossa agenda do desenvolvimento”, disse o ministro do Ambiente da Zâmbia, Collins Nzovu, à agência de notícias AP, em declarações à margem conferência da Organização das Nações Unidas sobre o clima (COP27).

As nações africanas querem aumentar o valor que recebem para compensar a redução das emissões de gases com efeito de estufa e estão à procura de formas de implementar esta ideia durante a COP27, que decorre no Egito.

“Devemos olhar para o comércio de carbono como uma ferramenta de coleta orçamental para a nossa agenda do desenvolvimento”, disse o ministro do Ambiente da Zâmbia, Collins Nzovu, à agência de notícias AP, em declarações à margem conferência da Organização das Nações Unidas sobre o clima (COP27).

“Uma entrada apressada neste mercado pode fazer-nos perder a nossa herança cultural e vender a um preço baixo, o que iríamos lamentar no futuro”, disse.

A compensação pelas emissões de carbono, negociadas em mercado, permite aos poluidores cancelarem os efeitos das suas emissões ao financiarem iniciativas como plantação de árvores, que são atualmente mais baratas em África do que noutras partes do mundo onde este mercado de carbono é regulado de forma mais apertada.

As nações africanas, escreve a AP, estão a tentar organizar-se para exigir um preço mais alto neste mercado do carbono e assim conseguirem atingir as suas metas de redução de emissões e caminharem para a energia limpa, mas este tipo de comércio tem estado sob escrutínio apertado dos ativistas ambientais, que consideram que isto pode dar lugar a um modelo em que os países simplesmente pagam para poderem poluir à vontade.

No comércio de carbono, um crédito emitido é igual a uma tonelada de dióxido de carbono, outro gás com efeito de estufa equivalente removido da atmosfera; o mercado voluntário, que continua a ser o dominante em África, tem sido atingido por problemas de segurança e transparência, e a AP relata que o continente ganha menos de 10 dólares por tonelada de carbono, enquanto noutras regiões o preço pode ultrapassar os 100 dólares pelo mesmo montante.

Ainda assim, este esquema de carbono tem tido algum sucesso nalguns países como o Quénia, Tanzânia e República do Congo, mas falta regulamentação.

“Os registos de elevada integridade do carbono, que sustentam um fornecimento de créditos de alta qualidade e credíveis que são negociados nos mercados globais, são críticos e vão permitir aos países africanos ter sucesso nestes processos”, disse o secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África, António Pedro.

Um estudo divulgado na COP27 no sábado pelo Centro Africano de Política Climática concluiu que o continente tem uma hipótese de limitar o aumento do crescimento global a 1,5 graus se o preço dos créditos do carbono for indexado a 120 dólares por tonelada de carbono, o que valeria cerca de 82 mil milhões de dólares (79,5 mil milhões de euros) por ano.

Para os peritos, a questão central para o mercado funcionar é a credibilidade do processo e as limitações ao que cada empresa pode negociar, ou seja, pagar para poluir.

“Os mercados de carbono precisam de ser ancorados em integridade, já que trazem benefícios quer para os investidores, quer para as comunidades; houve más experiências no passado, e a integridade neste mercado é fundamental”, concluiu António Pedro.

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